Iracema incentivou sua mãe, dona Nina, a se apaixonar pelo carnaval | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Iracema incentivou sua mãe, dona Nina, a se apaixonar pelo carnaval | Foto Eduardo Montecino/OCP News

É época de carnaval e todos se preparam para comemorar, sair desfilando nos bloquinhos de rua, participar de bailes e festas fechadas. São momentos de alegria e muito entusiasmo para quem espera essa época do ano para esquecer os problemas e brincar por aí.

Na continuação da série “Incompreendidos do carnaval” do OCP News, a aposentada Iracema Pinheiro conta um pouco da sua relação com uma das principais festas brasileiras e seu envolvimento emocional que levou ela a incluir toda a sua família na folia.

Destaque no carnaval jaraguaense, Iracema começou sua trajetória há mais de 30 anos, quando mudou de Florianópolis para Jaraguá do Sul e logo começou a confeccionar fantasias para o desfile promovido pela prefeitura na época.

 Alguns anos depois o desfile deixou de acontecer e ela não conseguia deixar de lado a sua paixão, foi quando se reuniu com um sobrinho e tiveram a ideia de criar o bloco “Em cima da hora”.

O bloco de rua da dona Iracema foi criado há 31 anos e chegou a ganhar 14 premiações nos desfiles de rua de Jaraguá do Sul. “Tivemos a iniciativa de criar esse bloco porque realmente somos apaixonados por tudo isso, quando não tem carnaval sinto que falta uma parte de mim”, comenta.

 

 

A aposentada nasceu em Guaramirim e mora há 40 anos em Jaraguá do Sul, mas é do período de 22 anos vivendo em Florianópolis que traz a sua lembrança mais viva dessa festa.

“Lembro que fui para um baile após o trabalho, eu tinha 14 anos, e quando cheguei em casa, meu pai me esperava para dar uma bronca. Foi depois dessa experiência que comecei a frequentar os bloquinhos de rua todos os anos”, relembra.

Uma paixão de família

Com tanto tempo dedicado ao carnaval, Iracema foi convencendo aos poucos toda a sua família a entrar no clima.

Sua mãe, Avanir Pinheiro, conhecida como dona Nina, participa dos desfiles há mais de 10 anos e chegou a ser coroada a rainha do carnaval de Jaraguá do Sul em 2016. “Não tenho palavras para explicar a emoção que senti, nessas festas as pessoas ficam mais felizes, esquecem um pouco os problemas”, comenta.

Com 95 anos, dona Nina passa adiante a paixão pela festa e conta que seus 9 filhos, 17 netos, 33 bisnetos e 8 tataranetos carregam o gosto pelas brincadeiras e pelas festas do carnaval.

Indo para o terceiro ano consecutivo sem desfiles de rua, a senhora se sente aliviada pela Prefeitura de Jaraguá do Sul organizar um baile de carnaval. “Pelo menos a tradição não morre de uma vez por todas, mesmo que esse ano aconteça de uma forma diferente, teremos um pouco de divertimento”.

Com 92 anos, dona Nina foi coroada a rainha do carnaval de Jaraguá do Sul | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Além da mãe, Iracema influencia também seus filhos e netos para manter a tradição e a maior paixão da família.

“Quando eu comecei, eu e meu sobrinho montamos o bloco, depois de alguns anos ele desistiu, foi quando comecei a receber ajuda de outros familiares e todos acabaram se apaixonando pela festa e pelo samba”, afirma.

O preconceito

Iracema destaca o preconceito contra o carnaval e acredita que isso não acontece quando são épocas de outras festas. Para ela, é visível a revolta da população contra o poder público quando se destina alguma verba para os desfiles.

“Falam que existem coisas mais importantes para usar o dinheiro, como obras na cidade, mas ninguém entende que o dinheiro gasto no carnaval é destinado exclusivamente a cultura”, afirma. “Por que outras festas podem receber o dinheiro e o carnaval não?”, questiona.

Para ela, o carnaval é algo bonito, que traz felicidade e precisa ser mantido como um símbolo da cultura brasileira.

“Eu acredito que isso é preconceito racial e ninguém tira isso da minha cabeça”. Iracema dá ênfase a frases que ouviu quando demonstrava sua paixão.

“Já ouvi gente chamando a festa de arruaça, dizendo que é festa de ‘negreiro’, acho isso uma falta de respeito com as pessoas, todo mundo é igual e também é uma forma de negar a nossa própria cultura, já que isso é parte do Brasil”, finaliza.

Baile de carnaval

Iracema é presidente da Liga Independente de Blocos de Jaraguá do Sul e está sempre envolvida nos desfiles ou bailes do munícipio.

Como esse é o terceiro ano seguido sem carnaval de rua na região, ela se reuniu com a Prefeitura de Jaraguá do Sul para incentivar a realização de um baile de carnaval.

“Estou me empenhando bastante porque tenho esperança que com a realização desse baile, as pessoas formem bloquinhos e quem sabe, nos próximos anos, o carnaval da região volte a ser como antes”, afirma.

Programado para acontecer no dia 2 de março, o baile será realizado no Parque Municipal de Eventos, terá inicio às 15h para o público infantil e às 22h para o público adulto.

Durante a programação, acontecerá um desfile de bloquinhos e o vencedor do concurso receberá um prêmio fornecido pela Liga de Blocos.

 

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