Uma paciente de 48 anos que apresentava alterações na condução elétrica do coração foi beneficiária da primeira cirurgia, no Hospital São José, de um tipo de marcapasso que, além da função original, faz reconhecimento de arritmias e promove cardioversão (desfibrilação) revertendo o quadro de arritmia. A cirurgia foi realizada pela equipe do dr. Thales Cantelle Baggio, cirurgião cardiovascular. No caso da paciente, as alterações verificadas levam a arritmias cardíacas como a chamada taquicardia ventricular, que equivale a uma parada do coração.

A paciente havia apresentado uma parada cardíaca, devidamente revertida, e foi levada ao hospital para investigação. Os exames complementares demonstraram alterações no eletrocardiograma compatíveis com arritmias complexas, indicado a necessidade do implante do cardiodesfibrilador.

De acordo com o dr. Thales, apesar de ter sido a primeira do gênero naquela instituição hospitalar, o centro cirúrgico do Hospital São José apresenta condições adequadas para cirurgias deste porte. O implante é feito através de uma pequena incisão abaixo da clavícula e os eletrodos (fios que conduzem o estímulo ao coração) são posicionados com orientação de imagem radioscópica, como uma radiografia em movimento. O aparelho é testado e programado conforme a necessidade de cada paciente.

Trata-se de um procedimento seguro, de rápida recuperação, e que pode ser determinante no tratamento de arritmias cardíacas que levem à morte súbita. Desde que haja o devido diagnóstico e indicação correta, este tipo de procedimento pode ser realizado sempre que necessário.

Como funciona

foto: divulgação

Nesta cirurgia é realizado o implante de desfibrilador cardíaco interno, semelhante a um marcapasso convencional, porém com funções adicionais que permitem o reconhecimento de arritmias e a intervenção para que o coração recupere seu ritmo normal. No entanto, a indicação para seu uso deve ser bastante precisa, e são diversos os casos de pacientes que podem ser beneficiados. “Em nosso histórico temos casos bastante variados, desde pacientes jovens e atletas, até pacientes idosos ou com insuficiência cardíaca grave, nos quais os exames demonstraram alterações que pudessem levar à parada cardíaca devido às arritmias encontradas”, afirma o dr. (...).

Cuidados nos pós

De acordo com o médico, é importante lembrar que, mesmo após o implante do cardiodesfibrilador, o paciente deve manter acompanhamento periódico com seu cardiologista e realizar as revisões do aparelho regularmente, para fazer os ajustes necessários e manter uma boa qualidade de vida.