Em 50 anos de atividades junto à WEG, Alidor Lueders sempre se guiou pelo princípio “faço o que gosto, e gosto do que faço”. Esse princípio o levou a gostar do aprendizado constante, aceitar desafios e dar o melhor de si nas atividades que lhe foram confiadas.

“E proporcionou-me o conhecimento para escrever o livro Estruturar, condição para crescer, em 2018, que apresenta a trajetória de sucesso da empresa”, revela.

Lueders ingressou na WEG em maio de 1971, subordinado ao diretor administrativo, como gerente do Departamento Auditoria e Jurídico, recém-criado. Em decorrência da empresa se tornar companhia aberta em setembro daquele ano, incorporou o setor de Relações com Investidores.

Ele conta que iniciou na WEG na Auditoria Interna e Jurídico (1971) em função do background adquirido em empregos anteriores e da formação em contabilidade, direito e gestão empresarial.

Alidor Lueders | Foto Hermann

Eleito diretor em 1979, exerceu diversos cargos, sempre a nível corporativo (diretor secretário, diretor de Controle, diretor superintendente da Unidade de Transformadores, diretor Administrativo/Financeiro), subordinado ao diretor vice-presidente e ao diretor-presidente.

“O que me permitiu dirigir os setores de relações com investidores, custos, finanças, jurídico, importação, seguros e riscos, sistemas e informática”, diz.

A partir de maio de 2010, passou a ser consultor da empresa por um ano e, em abril de 2012 integrou o Conselho Fiscal da WEG.

Para Lueders, o Grupo WEG, dado ao seu crescimento e desenvolvimento extraordinário, proporcionou inúmeros desafios e oportunidades.

A WEG, em 1971, era uma pequena empresa de motores elétricos (até 50 CV), com cerca de 440 empregados. “O meu grande desenvolvimento profissional nesses anos de 1971 até hoje, fez com que eu tivesse acompanhado grandes movimentos estratégicos”, destaca.

Entre as lições aprendidas, ele cita a cultura organizacional e de administração, a inspiração e o desejo de crescer profissionalmente.

Convivência com os fundadores

“Tive a satisfação de conviver diretamente com os fundadores. Considero admirável e de muita autoconfiança o desafio assumido por eles”, comenta.

Na condição inicial, como auditor Interno e Jurídico, Lueders teve a oportunidade de ter contatos com Geraldo – diretor de Produção e Werner – diretor Técnico. Mas, em razão da função desempenhada, esteve mais ligado a Eggon – diretor presidente.

“Acredito que a principal característica dos fundadores, foi o desejo de fazer crescer e desenvolver a empresa. O Sr. Werner cuidava do aspecto técnico, especialmente dos “motores”, no que diz respeito a parte elétrica, especialmente para enquadrá-los em normas e padrões nacionais e internacionais. Constatei que como técnico, ele acompanhava e se aperfeiçoava em conhecimentos, valendo-se da literatura, especialmente de livros da Alemanha”, explica.

“O Sr. Geraldo se dedicava à produção do motor, se envolvendo no layout da fábrica e melhoria contínua da produtividade e projetos relacionados a expansão fabril. Na condição de diretor de Produção, sempre manteve um forte relacionamento pessoal com todos os colaboradores, com vistas a motivá-los e a atender os desafios de produção com qualidade técnica. E junto com a vontade de servir acabou ingressando no mundo político, candidatando-se e sendo eleito como prefeito da cidade”, recorda.

“O Sr. Eggon liderava a organização sempre atento à gestão financeira e administrativa, treinamento e desenvolvimento voltado à geração de resultados. Ao mesmo tempo em que ele primava não só pelo crescimento da empresa, mas também pelo desenvolvimento da cidade e do país, participando em diversas entidades locais e nacionais. As principais características dos fundadores – o desejo de fazer crescer o negócio, o de trabalho árduo, o de se envolver no desenvolvimento dos colaboradores, o de primar pela excelência e qualidade dos produtos, etc”, salienta.

Lueders acredito que um grande mérito para o crescimento e desenvolvimento foi o sistema de tomada de decisão, vindo a ser designado de “administração participativa”. E esse mesmo sistema perdurou quando diretores externos ingressaram na empresa. Em 1971, a empresa contava como diretores os três fundadores e três profissionais.

O critério de discussão de assuntos em grupo foi estendido a nível gerencial a partir de 1972, quando, conforme recordou, começou-se a constituir diversos grupos de trabalho de 3 a 5 membros com atribuições específicas denominados “Comissões”, que apresentavam propostas para decisão na Diretoria.

Potencial humano

Para Lueders, a WEG teve grande influência no crescimento de Jaraguá do Sul, especialmente em função dos desafios contínuos de crescimento e aperfeiçoamento técnico de seus produtos para competir no mercado e o treinamento e desenvolvimento dos recursos humanos, vindo a criar um Centro de Treinamento.

Segundo ele, a formação de profissionais na WEG contribuiu muito no enriquecimento de recursos humanos na cidade.

O espírito dos fundadores, explica, era aberto na comunidade, quer participando em associações, sindicatos e outras entidades, quer diretamente com empresários locais onde a empresa, na sua transparência, divulgava aspectos da gestão, treinamento de recursos humanos, desenvolvimento de tecnologia, etc. A WEG levava a sua cultura de gestão e desenvolvimento para a comunidade local.

“Em algum momento perguntei ao Sr. Eggon, qual a razão de ser tão transparente, ele respondeu – “é importante ajudarmos a criar cada vez mais empresas a nível local, regional e nacional, para no futuro termos clientes, senão para quem venderíamos os motores?”, lembra.

Nessa transparência, a empresa dava suporte a clientes, assistentes técnicos e outros com objetivo de ajudar no desenvolvimento do país. Esse foi também o motivo da WEG se fazer presente em muitas entidades através dos diretores, gerentes, técnicos, etc.

“Os fundadores sempre primaram para o desenvolvimento, o que consistia na valorização do trabalho, na continuidade de aperfeiçoamento de produtos, e no incessante desejo de busca de desafios no mercado”, aponta.

Quase 50 anos de dedicação na empresa que mudou Jaraguá do Sul

Douglas Conrado Stange | Foto Hermann

Quando Douglas Conrado Stange, 75 anos, passou a atuar na WEG, em dezembro de 1966, a jovem empresa já havia construído o Parque Fabril I. Na década de 1960, ele revela, Jaraguá do Sul era uma cidadezinha basicamente voltada a área agrícola, mas algumas empresas tentavam mudar este cenário.

Stange ingressou na função de custos e planejamento da produção. Logo em seguida, com o crescimento da empresa, as atividades foram separadas e o planejamento da produção passou para uma área específica. “Éramos menos de 100 colaboradores”, recorda.

Dois anos depois, foi criada seção de Planejamento, Orçamento e Custos, onde passou a exercer o cargo de chefe de seção.

Em 1971, foi criado o Departamento de Planejamento, Orçamento, Custos e Finanças e, mais tarde, em 1975, a Divisão de Finanças, onde foi gerente da área, cargo que exerceu até agosto de 1979.

“Quando então me convidaram para ser o diretor de Controles do Grupo WEG, que compreendia Planejamento, Orçamento, Custos, Finanças, O&M e Processamento de Dados”, conta.

Em 1983, passou a ser diretor de vendas da WEG Motores. No ano seguinte, assumiu a Superintendência do setor, até abril de 1994. Naquele ano, chegou à Superintendência da WEG Exportadora, onde permaneceu até o fim de 2006.

De volta à Superintendência da WEG Motores até dezembro de 2008, já no ano seguinte atuou como consultor no Grupo WEG, até finalmente integrar o Conselho de Administração, onde permaneceu por seis anos, a partir de 2010.

“São quase 50 anos dedicados à WEG. Posso dizer que praticamente tudo que aprendi na vida profissional foi como colaborador da WEG. Não só o trabalho em si, mas principalmente empenho, determinação, seriedade, objetividade e caráter, que os fundadores imprimiram desde o início na empresa”, destaca.

Stange revela que conviveu muito de perto com os fundadores. “O Seu Eggon, como era chamado, foi quem me convidou para ir trabalhar na WEG. E foi quem me ensinou diretamente nos primeiros anos a atividade de custos, coisa que montamos juntos”, relembra.

“Com o Seu Werner e com o Seu Geraldo tinha reuniões semanais sobre o desempenho da fábrica, onde analisávamos juntamente os tempos de fabricação dos motores”, completa.

Para o antigo colaborador, os fundadores “eram três pessoas com características bem diferentes, mas com um entendimento de sociedade perfeito, onde as diferenças se completavam harmoniosamente”.

Liderança

Stange ressalta que Eggon era um administrador nato. Um líder com bons conhecimentos de finanças, vendas, administração de pessoal e qualidade.

Geraldo, diz ele, era tipicamente um homem de produção, com fortes conhecimentos de mecânica, qualidade e liderança de equipes.

Já Werner era o homem da eletricidade. Autodidata, conhecia a parte técnica profundamente, e tinha uma capacidade ímpar de aglutinar pessoas e ensinar com maestria como fazer melhor, sempre com qualidade.

“Penso que a WEG, com a sua maneira bem diferente, na época, começou a desenvolver na cidade um foco mais voltado à participação - chamando os empregados de colaboradores -, crescimento e capacitação do pessoal, buscando professores para treinamento dos colaboradores”, comenta.

Foi com essa premissa que nasceu a “Escolinha WEG”. Para Stange, um símbolo, do afã de treinar e dar conhecimento aos colaboradores, incutindo um sentido de qualidade, buscando crescimento contínuo, e com isso, conseguindo resultados muito bons, trazendo os filhos dos agricultores para aprender a produzir motores.

“O crescimento da WEG e a ideia de associativismo que o Eggon enfatizava criaram as condições para uma mudança radical em Jaraguá do Sul. Hoje, uma cidade industrial”, afirma.

O convite para estágio em sala de aula que rendeu 45 anos de trabalho

Moacyr Rogério Sens | Foto Hermann

“Em maio de 1968, quando cursava o 5º Ano de engenharia mecânica, conheci o Sr. Eggon João da Silva. Ele veio à Universidade falar com o professor Caspar Erich Stemmer, em busca de um engenheiro. Na época eu trabalhava como desenhista na faculdade e ganhava um salário-mínimo, para trabalhar 20 horas semanais. O professor Stemmer convidou-o para assistir à apresentação do projeto de uma Fundição, que estaria sendo apresentado por três grupos, um dos quais eu era o líder.
O Sr. Eggon se sentou no fundo da sala, mas eu não sabia quem ele era. Depois da aula e da apresentação, onde o meu projeto foi o vencedor, o professor Stemmer me chamou para ir ao seu gabinete. Então, me apresentou ao Sr. Eggon, que me parabenizou pelo projeto e combinamos um estágio na WEG para o mês de julho. Foi a primeira vez que ouvi o nome WEG.”

A lembrança de Moacyr Rogério Sens, 77 anos, viajam no tempo, para o início de sua trajetória de 45 anos na empresa. Nas férias de julho, ele passou a estagiar na WEG, no setor de Projetos. Lá, desenvolveu alguns pequenos projetos, como uma prensa para prensar eixo em rotores na Injeção de Alumínio.

“O Sr. Werner e eu fomos até um ferro velho, onde compramos um cilindro de trator, uma bomba hidráulica e válvula também de trator. Com isso, fizemos uma prensa de cantoneira que funcionou durante muito tempo. Também construí um elevador para transportar ferro gusa (ferro fundido) para alimentar o Forno Cubilot. Para mim, esta operação era a mais dura e insalubre que tinha na WEG”, revela.

Sens teve o estágio de férias na WEG interrompido em uma semana com o falecimento do pai, aos 50 anos de idade. “Somos uma família de 12 irmãos, eu o mais velho, então com 24 anos, e minha irmã mais nova tinha apenas um ano. Minha mãe ficou viúva com 47 anos e hoje vive em Florianópolis, com 100 anos completados em maio”, comenta.

Com o fim do estágio, foi convidado por Eggon para trabalhar na WEG, onde começou em 2 de dezembro de 1968, até maio de 2014, com 45 anos de trabalho, sendo 7 anos no Conselho de Administração.

“Quando iniciei a minha jornada na WEG, a empresa tinha 200 funcionários. Hoje, computando todas as unidades no Brasil e no Exterior, chegam a 32 mil. Eu era o único engenheiro, hoje são mais de 3.000”, salienta.

Aprendizado

A trajetória na empresa começou como projetista de Máquinas e Ferramentas. Depois, Sens comandou o Departamento de Controle de Qualidade; foi gerente de PCP (Planejamento, e Controle de Produção); gerente da Divisão de Engenharia; gerente da Fábrica III de Motores de 50 a 500 CV; e gerente da Divisão de Tecnologia.

Em 1978, foi promovido a diretor Técnico do Grupo WEG, cargo que manteve até a aposentaria, em 2006. Acumulou os cargos como diretor superintendente da WEG Automação, de 1986 à 1992, e diretor da WEG Motores, de 1994 à 2006. Entre 2007 e 2014, foi membro do Conselho de Administração.

“Com os fundadores Werner, Eggon e Geraldo, aprendi muito nestes meus 45 anos de WEG. Entre os ensinamentos destaco a disciplina no trabalho, a pontualidade nas reuniões, a valorização do trabalho em equipe, o estímulo e liberdade à criatividade e o conceito da qualidade autêntica, isto é, qualidade do produto ao menor custo possível”, aponta.

Para o ex-colaborador, foi muito bom e gratificante trabalhar com os fundadores. Cada um com suas características e princípios. Assim ele os descreve:

Werner, como diretor Técnico, tinha conhecimento profundo de motores elétricos, era prático e com senso crítico, sempre cobrando os funcionários a fazer melhor.

“Às vezes se tornava até inconveniente ao dizer para engenheiros e técnicos sob seu comando que “sempre dá para fazer melhor”. Muitas vezes esta sua característica nos incomodava. Parecia nunca estar satisfeito!”, diz.

Geraldo, como diretor de Produção, com conhecimento de ferramentaria, modelagem, fundição e máquinas de usinagem, tinha um senso de urgência incrível. “Atropelava a todos, mas fazia a produção bater recorde todo mês.”

Era um desportista, formou equipes internas de futebol e de bolão e estimulou a criação da ARWEG. Motivava os colaboradores sob seu comando a bater o recorde de produção mensal e cada vez que isso acontecia, brindava-os com uma churrascada regada à cerveja na garagem de sua casa. “Nós gostávamos muito destas festas, e cuidávamos para que a produção fosse sempre crescendo... foi assim por muitos anos...”, recorda.

Eggon, como presidente, foi o grande líder da WEG, que reuniu e manteve as três famílias unidas durante toda a sua vida. Pensava WEG 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Estrategista ousado, com excepcional visão de futuro, grande conhecimento de administração e particularmente de custos de produção, desafiou os sócios a arriscar tudo que tinham no sentido de acelerar o crescimento da Empresa através da verticalização.

“Tinha a mania de querer fazer tudo em casa, de forma a baratear os custos do produto final.” Foi assim que WEG construiu, a partir dos anos 70, a fundição de ferro, passou a fabricar fio de cobre esmaltado, comprou as melhores máquinas de bobinar motores e as reproduziu internamente.

Também passou a fabricar as melhores ferramentas de estampar chapas e máquinas especiais na sua ferramentaria, que hoje é uma das melhores do Brasil. “Eu trabalhei sempre ligado ao Sr. Eggon e aprendi muito. Fiz a minha primeira viagem ao exterior com ele durante 21 dias em 1974, onde fomos comprar tecnologia para fabricar motores grandes, na época. Foi gratificante...”, garante.

Moacyr Sens diz que a WEG foi e até hoje é exemplo para muitas empresas. Impactou fortemente no crescimento de Jaraguá do Sul. Ele cita como exemplo a formação de mão de obra especializada com a criação do Centro de Treinamento WEG. A participação e contribuição em Entidades sociais, como ACIJS, hospitais filantrópicos, Lar das Flores, entre outros tantos.

Também lista a criação do Programa WEG da Qualidade e Produtividade (PWQP), com a consequente distribuição de lucros a todos os colaboradores, que afetou fortemente o comércio local. “Um outro exemplo que atualmente parece ser irrelevante, mas na época teve impacto considerável, foi a WEG ser a primeira em Jaraguá a fornecer alimentação aos seus funcionários”, comenta.

“É muito bom quando terminamos uma etapa da vida e sabemos que valeu a pena. Isso não significa que eu tenha parado na vida para viver de lembranças. A vida se contrai e expande proporcionalmente à coragem de cada indivíduo”, completa.

O desafio de evoluir junto com a WEG impulsionou o adolescente de apenas 16 anos

Reiner Modro

Ainda adolescente, aos 16 anos, Reiner Modro ingressou na jovem WEG, que completava o primeiro ano, em 1962. Por intermédio do pai, que conhecia Werner Voigt e sabia que o filho estava decidido a deixar a lavoura, passou a atuar na empresa.

A trajetória de 26 anos rendeu grande aprendizado profissional e pessoal para o rapaz sem experiência, que deixou a empresa como diretor superintendente da WEG Máquinas.

Hoje, aos 75 anos, ele recorda que a vontade de aprender foi a mola propulsora de seu crescimento na WEG. “Como a produção na época estava no início, a gente fazia de tudo, uma hora nas prensas, outras montando eixo no rotor em prensa balancim e assim por diante”, revela.

Em momentos de folga, o jovem colaborador buscava aprender outras funções dentro da empresa. Exemplo disso foi o aprendizado com o torno, sob orientação de Onório Pradi, um dos sócios dos fundadores na época.

“Por minha vontade de vencer fui procurando trabalho onde fosse possível encontrar. Onório Pradi me deu a primeira oportunidade de trabalhar em torno. Foi um fato histórico para mim, pois estava descobrindo os segredos da mecânica”, garante.

Além das horas extras, Modro comprou um manual, guardado até hoje, mesmo manchado de graxa. Trata-se do livro Máquinas de A.L. Casillas, uma enciclopédia em mecânica.

Wilhelm Werninghaus, pai de Geraldo, foi outro mentor de Modro. E, com a mudança para a nova fábrica, na rua Venâncio da Silva Porto, o jovem funcionário passou a executar tarefas bem mais complexas.

Focado em aprender, foi se desenvolvendo tecnologicamente junto com a WEG, buscando soluções mais complexas para ajudar a modernizar a produção.

Um desses momentos ímpares, relatados até no livro da história de Werner Voigt, foi a criação da primeira ferramenta progressiva, um sonho do fundador.

“Werner Voigt tinha um sonho. Eliminar a lima para tirar a rebarba das ranhuras dos estatores, tão prejudicial na eficiência e qualidades de motores elétricos, além de consumir um contingente muito grande de mão de obra”, destaca.

Conforme Modro, sempre que tinha uma oportunidade, Werner o visitava na ferramentaria para discutir a possibilidade, inclusive com recortes de reportagens técnicas do exterior a respeito. “Ele sabia que sem conseguir realizar este objetivo a WEG não alcançaria a tecnologia a nível mundial”, relata.

Com a construção desta ferramenta, comenta ele, foi vencido o paradigma que poucos dentro da própria WEG acreditavam ser possível. O êxito nesta tarefa, lembra Modro, tirou diversos operadores de prensa, aumentou a produção de motores, reduziu o lead time de entrega e melhorou a qualidade dos estatores – uma peça do motor que tem função de conduzir o fluxo magnético.

Nos anos seguintes, Modro foi encarregado de orientar a construção de ferramentas progressivas para toda essa produção.

Incentivado a ir mais longe

As recordações de Rainer Modro poderiam render um livro à parte e, muitas delas, estão no livro lançado em homenagem aos 25 anos da WEG.

Outro episódio marcante aconteceu em 1970. Reiner Modro recebeu a primeira missão internacional: trabalhar alguns meses em uma empresa alemã. Na Blum-Enz-Vaigen, foi observar processos de produção de componentes para motores elétricos.

A tarefa, desempenhada com sucesso, resultou nos croquis que desenvolveu sobre tudo que observou e praticou. No entanto, as conexões estabelecidas também foram importantes. Após tomar café com a principal executiva da empresa, chamada por ele de Frau Blum, e de ser convidado para uma festa, Modro conseguiu a façanha de trazer cópias dos projetos técnicos para Jaraguá do Sul.

E foi assim, vencendo todos os desafios impostos na profissão, que ele cresceu junto com a empresa. Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos executivos, como gerente da Ferramentaria, Manutenção e Fabricação de Máquinas, gerente da Engenharia e Projeto da Fábrica II, gerente da Fábrica II, gerente da Engenharia e Projetos, diretor de Produção, diretor de Vendas e Exportação e diretor superintendente da WEG Maquinas.

A convivência com os fundadores foi fundamental nesse processo para que o jovem colaborador ganhasse confiança e oportunidade de mostrar um bom serviço.

Sobre os empresários, ele comenta que Eggon foi o estrategista e visionário da WEG. Com ele, além de aprender muitos conceitos de administração, Modro descobriu a estratégia de precificação e análise da concorrência. “Foi generalista e tinha a capacidade da síntese”, aponta.

Werner – técnico e visionário da tecnologia - era inconformado.

“Quando desconfiava de algo que podia não estar certo, ele pessoalmente ia conferir. Com ele, aprendi os conceitos de eletromagnetismo. Me desafiou a construir o primeiro estampo progressivo e me deu suporte da direção para realizar esta disrupção tecnológica com sucesso”, comenta, acrescentando que o fundador tinha a capacidade da análise crítica.

Por fim, descreve Geraldo como um motivador. “Aprendi com ele o conceito de René Descartes – os problemas não se somam, se dividem. Ou seja, tinha capacidade de análise”, diz.

Para Modro, a WEG foi a escola de administração para a maioria das empresas de Jaraguá. “O progresso de Jaraguá foi impulsionado pela inovação em administração que a WEG sempre praticou”, conclui.