Instituição é municipal e trabalha alfabetização de crianças em libras e língua brasileira | Foto Windson Prado/OCP.News
Instituição é municipal e trabalha alfabetização de crianças em libras e língua brasileira | Foto Windson Prado/OCP.News

Sabe aquela história de que o ambiente escolar é transformador? Um colégio de Joinville tem mostrado o quanto esta frase é real. Há quase um ano, a equipe pedagógica resolveu abrir oportunidade para que crianças surdas fossem alfabetizadas em Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

O projeto vem sendo desenvolvido na Escola Municipal Monsenhor Sebastião Scarzello, no bairro Itaum. Atualmente são duas turmas exclusivas de alunos surdos. Uma das crianças frequenta a Educação infantil. Três estão no primeiro e segundo ano e quatro no terceiro e quarto ano do ensino fundamental.

 

Até então estas crianças estavam distribuídas pela rede municipal de educação, e contavam com um professor auxiliar que transmitia os ensinamentos orais da professora titular da turma para a língua de sinais.

Na nova escola, todas as aulas são ministradas em língua de sinal por professores surdos e ouvintes. Estes alunos também têm ampla interação entre si e com os demais cerca de 480 estudantes da instituição.  Algumas aulas como artes e educação física são integradas, assim como nos recreios, em que surdos e ouvintes se socializam e o não ouvir é só uma pequena barreira, quando se há vontade de fazer novos amigos, de se comunicar.

São duas turmas com alunos da educação infantil e ensino fundamental | Foto Windson Prado/OCP.News

“Este é um antigo projeto que integrantes da Secretaria Municipal de Educação de Joinville já vinham pensando há algum tempo. No ano passado, conseguimos começar a implementá-lo. Nosso principal objetivo é promover além da diversidade, o direito de o aluno surdo ser alfabetizado em sua língua materna, que, neste caso é Libras”, explica a técnica pedagógica da Secretaria Municipal de Educação, Valdirene Simão.

Escola polo

A proposta foi apresentada na Rede Municipal de Educação de Joinville e a equipe pedagógica da escola Monsenhor Sebastião Scarzello – colégio que pertencia ao governo do Estado e após ficar anos abandonado, foi repassado ao município, e reformado – comprou o desafio. Depois disso foram necessárias algumas alterações na rotina da instituição.

“Foi necessário pensar toda a matriz curricular em libras, por isso, fizemos questão de inserir no projeto um professor surdo e outro ouvinte que dominasse bem a língua brasileira de sinais. Além dos dois profissionais, por coincidência, a escola tem uma pedagoga que tem formação em libras”, comenta Valdirene.

E quem pensa que os investimentos para este tipo de projeto foram muito grandes, engana-se.

“O projeto em si não é caro, foi trabalhado toda esta didática com a equipe da escola, e os alunos ouvintes. Fizemos algumas adequações visual como por exemplo o sinal que, agora além de ser sonoro, é também luminoso”, completa Valdirene

Escola agora conta com sinal sonoro e luminoso para alertar a todos do início e término de cada aula | Foto Divulgação

Os resultados estão sendo maravilhosos. “O desenvolvimento dos alunos com surdez é incrível e a interatividade com os não surdos também. A escola está diversa e todos querem interagir. Este é o maior ganho. Estes dias, uma merendeira estava se comunicando em libras com um aluno surdo. Aos poucos toda a escola está aprendendo a viver com pessoas diferentes”, finaliza a coordenadora.

A professora Talita Nunes, 36 anos, e uma das principais atuantes no projeto. Ela mostrou um pouco como é o dia-a-dia dos alunos na sala de aula. Acompanhe a conversa dela com o estudante Deivid Lima, 7 anos.

“Ensinar um aluno surdo é muito diferente de ensinar um aluno ouvinte. A linguagem é outra. Oportunizar a alfabetização, o ensino básico, a eles em sua língua materna, a Libras, é bem mais fácil. O aluno consegue um desenvolvimento muito melhor”, explica a pedagoga Talita.

Transformação em casa e na escola

Um dos alunos surdo da escola é o animado Nicolas Gabriel da Maia. O menino de 8 anos frequenta o terceiro ano do ensino fundamental. Segundo a mãe, Giamara dos Santos, 25, ele perdeu a audição entre um e dois anos, e com isso também deixou de falar. Nicolas é o único surdo da família e foi necessária muita adaptação para o desenvolvimento da linguagem com entre pais e filho.

“A escola tem sido transformadora. Aqui ele se sente acolhido, quer vir até nos fins de semana. O suporte a ele é imenso assim como para os pais e familiares. Eles estão transforando a realidade do meu filho, e das crianças ouvintes da escola que estão mais tolerantes a diferença”, finaliza.

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