Foto Eduardo Montecino/OCP News
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Aprender, testar, explorar todas as facetas do conhecimento com embasamento científico e promovendo uma aplicação prática. Tudo isso faz parte da linha de aprendizagem do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

E os prêmios conquistados em 2018 pelos estudantes da instituição só mostram o quanto a metodologia tem dado certo.

O diretor-geral do Câmpus Jaraguá do Sul, Jaison de Maia, conta que a instituição promove iniciativas onde o aluno passa um semestre executando o projeto e no outro faz a pesquisa, com uma metodologia científica bem estabelecida.

"Não preparamos simplesmente para o mercado de trabalho, mas despertamos o senso crítico para os alunos pensarem de forma autônoma e construírem sua carreira", enfatiza.

Meninas na ciência

Quando chegaram na Barra do Piraí, no Rio de Janeiro, para participar da Jornada Nacional de Foguetes, as estudantes Amanda Machado dos Santos, 16 anos, e Giovanna Evangelista, 15 anos, notaram logo de cara a falta de representação feminina na competição.

"Até nos questionaram onde estava os meninos da nossa equipe. Acharam que o Mario (professor) fazia parte", conta Andressa.

Mas, superando essa barreira, o fato de estarem pela primeiro vez na jornada e por terem viajado por mais de 12 horas de carro foi combustível a mais para a participação.  As duas lançaram um foguete que alcançou 224 metros de distância e foram uma das campeãs da 17ª edição do evento.

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As duas começaram a se interessar pelo lançamento de foguete, em uma atividade de física, onde construíram e lançaram um foguete à base de vinagre e bicarbonato de sódio.

Depois, as duas foram atrás do professor Mário Camargo e continuaram aprimorando. E um lançamento de 153 metros classificou as duas para a Jornada.

O que mais chamou atenção da Giovanna foi o carácter colaborativo que elas viram no Rio. Com todas as equipes se ajudando, o clima leve tomava conta da competição.

"Ajudamos outras equipes e rebemos orientações. Foi uma troca de experiências constante", comenta.

O professor exaltou Giovanna e Andressa, dizendo que ele somente as orientou, mas as duas que foram atrás de aprender mais sobre o equipamento e aprimorar novas coisas.

"Todos os resultados foram méritos delas. Para mim ficou barato", sorri.

História brasileira

A professora de história do IFSC, Isabel Cristina Hentz, sempre trouxe à sala de aula questões da Olimpíada Nacional de História do Brasil (ONHB), buscando instigar alunos a participarem da competição.

Cativadas pela dinâmica das olímpiadas, Jaine dos Santos de Souza, 17 anos, Giovana Strehl Gauto, 17 anos, e Sabrina Lopes Bueno, 16 anos, não pensaram duas vezes e embarcaram nesse mundo cheio de aprendizado.

Mais de 14 mil equipes participaram da edição de 2018, e cinco delas era do IFSC. Após cinco meses de muito estudo e passarem por seis fases online, a equipe formada por Jaine, Giovana e Sabrina, chegou na final da competição, disputada em agosto, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

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Competição, só no modo de falar, porquê as três comentaram que o clima em Campinas era amistoso, com as pessoas se ajudando e buscando o conhecimento diário, sem nenhuma rivalidade.

"A história não só um lado, então a olimpíada queria trazer mais essa questão de ter que discutir bastante, sempre trazer opiniões diferentes", relata Jaine.

Para Giovana, pesquisar o que os fatos históricos geraram para o país e quais eram as pessoas envolvidas trouxe uma nova percepção.

"Essa relação do passado com a história atual do Brasil traz uma perspectiva nova", enfatiza.

O que mais chamou a atenção de Sabrina é que a olimpíada não tenta só avaliar o conhecimento do aluno em história, mas aprimorar esse conhecimento e angariar novos saberes.

"A prova final foi muito dinâmica, a gente debateu para fazer um texto dissertativo e aprendeu muita coisa", ressalta.

Física e cultura

O professor de física do IFSC sempre instiga os alunos a participarem do grupo de astronomia que tem no campus. E foi esse grupo que ajudou três alunos em especial a adquirirem um maior conhecimento sobre o assunto e ganharem medalhas pelo Instituto.

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Andressa Colaço, 15 anos, participou do International Physics and Culture Olympiad (IPhCO) de 2018, e achou muito interessante a maneira que alia física com diferentes áreas do conhecimento, deixando a física mais dinâmica e fazendo as pessoas aprenderem mais.

"A cultura deixa a física mais divertida, principalmente para as pessoas com menos interesse na área", relata.

A estudante disse que os conceitos apresentados fizeram ela associar muito mais física com matemática e querer buscar ainda mais. Seguindo nessa linha, Lucas Grutzmacher, 17 anos, disse que o papel da olimpíada é ajudar o aluno e não testar seu conhecimento.

"A IPhCO é online e os participantes tem todos materiais para consultar. O que ajuda ele a construir uma maior sabedoria", fala.

Luigi Ferrazza Maiochi não conseguiu se dedicar muito para o IPhCO, isso porque ele estava se dedicando a outras competições. O aluno de 16 anos ganhou medalha de outro na Olimpíada Brasileira de Astronomia, prata na Olimpíada Brasileira de Matemática e Escolas Públicas. Ele citou ao Instituto com responsável por esses prêmios.

"O IFSC não faz você estudar para passar, mas sim para obter um conhecimento na vida toda", indaga.

 

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