Cardápios, informativos, número de público e de bandas foram base para problemas matemáticos do 5º ano. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Cardápios, informativos, número de público e de bandas foram base para problemas matemáticos do 5º ano. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Antes dos jaraguaenses darem início a contagem regressiva para mais uma edição da Schützenfest, o clima de festa já dominava a escola municipal Alberto Bauer, no bairro Amizade. Por lá, esta e outras celebrações alemãs que acontecem em Santa Catarina são tema de atividades, trabalhos e provas.

A animação é fácil de ser notada, ainda mais com a ajuda dos chapéus e tiaras tradicionais. Mas o real objetivo são os números por trás de todos os pratos típicos, chopes, público e roupas. Tudo isso acontece por causa do projeto "Solucionado situações problemas", que começou há cinco anos com a professora Karin Gianini Vargas.

A iniciativa surgiu depois da profissional identificar que os alunos estavam mais "travados" quando o assunto era matemática. As aulas eram pouco lúdicas e a turma não conseguia entender muito bem o conteúdo. "Aquele foi um ano crucial. Comecei a pensar como fazer eles gostarem de matemática", recorda.

O tema tratado no primeiro ano do projeto ainda não eram as festas alemãs. No início, a professora abordou a Rota dos Tropeiros. Os alunos chegaram a ir até Lages para conhecer o caminho. "Os quintos anos, pela grade curricular, trabalham a história de Santa Catarina, então o projeto vai além da matemática, acaba sendo interdisciplinar e envolve todas as turmas", explica.

Professora acredita que projetos diferenciados estimulam os alunos e fazem a diferença na hora de aprender. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Como nas viagens de estudos da Secretaria de Educação de Jaraguá do Sul não foi mais permitido a pernoite dos alunos em outras cidades, a equipe da escola precisou alterar o tema do projeto, que passou a ser as festas tradicionais alemãs.

A mudança fez com que a Osterfest, em Pomerode, a Oktoberfest, de Blumenau, o Centro Paleontológico da Universidade do Contestado, em Mafra, e o Parque Ecoturístico Municipal Seminário Seráfico São Luís de Tolosa, em Rio Negro, entrassem para o roteiro.

A próxima parada é a Schützenfest, no dia 14 de novembro. Nas festas, conforme a professora, os alunos fazem levantamento da planta do espaço, analisam os valores dos alimentos e bebidas, quantas bandas vão tocar, qual é o público de cada festa, quantos quilômetros os turistas precisam percorrer para chegar até o local e outras questões que envolvem os números.

Os alunos usaram os panfletos para pegar dados para os cálculos. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Tudo se transforma em problemas matemáticos para serem resolvidos. No caderno dos alunos, é possível ver a lista de preços da Oktoberfest e outras questões sobre a festa, por exemplo.

Conhecimento compartilhado

Toda experiência vivida pelos 51 alunos das turmas do 5º ano (matutino e vespertino) foram disseminados com o restante da escola. Afinal, um dos lemas do projeto da professora Karin é "aprender, ensinar e aprender a compartilhar".

Depois de resolver os problemas matemáticos e aprender um pouco mais sobre as tradições alemãs de Santa Catarina, os estudantes prepararam aulas para o 4º e 3º do ensino fundamental da escola. Assim, eles dividiam com os colegas as experiências e reforçavam o conteúdo aprendido.

A diretora da escola Alberto Bauer, Adriana Rau, enfatiza a importância desse intercâmbio escolar que foi feito. "Eles passam para os outros o que vivenciaram e ainda socializam com os demais. Isso fez com que a escola inteira se movimentasse nessa ideia de aprender e ensinar. O segredo é essa experiência real que eles têm", avalia Adriana.

Alunos foram às festas tradicionais com acessórios típicos para entrar no clima. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

A proporção que o projeto tomou foi tanta que segundo a diretora, os alunos dos anos interiores estão ansiosos para chegar ao 5º ano e participar da ação. "Isso despertou uma vontade maior de aprender em todos", salienta.

Adriana acredita que os professores também ganharam com o projeto. "Começamos a bater nessa tecla da troca de conhecimento com todas as iniciativas, o que incentivou muito e foi ainda mais especial porque em 2018 comemoramos 40 anos de fundação. O maior presente é o aprendizado das crianças", completa.

Família acompanha cada passo

A professora Karin é adepta da tecnologia durante as aulas e acredita que a internet pode ser um aliado poderoso no ensino. Outra parceria que fez a diferença no projeto foram as famílias. Para planejar a viagem até a Oktoberfest e Osterfest, além dos museus em Mafra e Rio Negro, a professora criou um grupo no WhastApp.

Nele, os pais compartilhavam o que encontravam sobre os lugares que seriam visitados e opinavam sobre o projeto "Solucionando situações problemas". "Na minha opinião, trabalhar com a internet dessa maneira é muito melhor. Os pais participaram bastante, temos retorno o tempo todo", garante a professora.

Um exemplo prático do suporte da tecnologia foi que a professora transmitiu a apresentação de uma aluna tocando acordeon para os pais dela pelo Facebook. As famílias também dão dicas de atividades e ajudam a trazer palestrantes para a escola.

"As crianças aprendem diferentes línguas aqui, como o alemão, então um pai fez o contato com intercambistas que estão na empresa que ele trabalha para conversar com os estudantes. Outra mãe se disponibilizou a fazer os trajes para eles usarem nas festas que visitamos", relata a professora.

Esse envolvimento, conforme Karin, foi fundamental para o resultado acima da média da unidade no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) deste ano. A escola chegou aos 7.7 nos anos iniciais do ensino fundamental - frente a média nacional de 5.8 -, que considera o desempenho do 4º e 5º ano.

"Nosso esforço não é só para conquistar bons índices, é para facilitar o aprendizado dos alunos, deixar mais divertido e lúdico. E as famílias estarem juntas nesse processo é muito importante", pontua Karin.

A professora comenta que faz questão de desenvolver projetos porque acredita nos resultados que eles oferecem à educação.

Para alunos, experiência foi única

Gustavo Gervin, 11 anos, ainda não tinha colocado os pés em uma festa alemã. Depois de participar do projeto, a relação dele com a matemática e com as tradições mudaram. "Foi muito interessante fazer esse trabalho, principalmente porque ensinamos para outras turmas, que acabaram aprendendo sobre o que a gente estava trabalhando também", comenta.

Para Gustavo e Maria, uma das melhores partes foi poder compartilhar a experiência do trabalho com outras turmas. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Ele acredita que dessa forma lúdica, utilizando cardápios e informações das festividades, ficou bem mais fácil compreender e resolver os problemas. "Tudo foi bem divertido, agora quero ir na Schützenfest para conhecer e aprender mais", observa.

Maria Eduarda Pereira, 11 anos, já tinha ido para a Osterfest, em Pomerode, mas ela garante que "nunca para trabalhar sobre matemática". "O projeto era diferente no começo e meio complicado, porque foram vários trabalhos, mas depois acostumei. Na prática, sem ficar sentado só escrevendo ajuda muito", considera a aluna.

Outro ponto positivo para ela foi brincar de ser professora com os colegas das outras turmas. "Sempre gostei de ensinar e lidar com crianças, mesmo não sendo muito mais velha", brinca.

Banda Pedra no Rim esteve na escola

O projeto "Solucionando situações problemas" está quase no fim. Encerra neste mês com a visita à Schützenfest. Mas antes disso, nada mais justo do que comemorar os resultados com música e dança alemã.

Alunos se divertiram ao som das músicas tradicionais alemãs nesta semana | Foto: Divulgação Alberto Bauer

Nesta semana, a banda Pedra no Rim passou pela escola Alberto Bauer e fez a criançada se agitar ao som de Fliegerlied, a música do aviador, Dança da Marreca, e outros sucessos que embalam os bailes típicos em Santa Catarina.

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