A Doença de Alzheimer provoca neurodegeneração progressiva, manifestando-se a partir da perda cognitiva e da memória, além de provocar o comprometimento das atividades da vida diária, uma variedade de sintomas psiquiátricos e alterações de comportamento, ou seja, a perda da habilidade de cuidar de si mesmo.

Para compreendermos melhor como a doença de Alzheimer funciona, conversamos com o neurologista Dr. Vicente Caropreso. Segundo o especialista, essa enfermidade é um dos caminhos mais comuns que levam a demência em pessoas idosas, sendo responsável por mais da metade dos casos em nossa população.

CAUSAS DO ALZHEIMER

O Alzheimer se manifesta quando fragmentos tóxicos de proteínas instalam-se dentro dos neurônios, ocupando os espaços que existem entre eles. Provocando assim a morte progressiva de neurônios em determinadas regiões do cérebro, principalmente na área da memória e no cortéx cerebral, partes essenciais para a linguagem, raciocínio, memória, reconhecimento de estímulos sensoriais e pensamentos.

“Os fatores de risco mais conhecidos são a predisposição genética, quando se há histórico familiar e a idade, onde costuma desenvolver-se por volta dos 50 anos”, comenta o neurologista.

SINTOMAS DO ALZHEIMER

  • Perda da memória recente, ou seja, esquecimento de coisas que acabaram de acontecer ou ocorreram há pouco tempo;
  • A progressão ocasiona sintomas mais graves, como a perda da memória tardia (lembranças antigas);
  • Irritabilidade;
  • Falhas na linguagem;
  • Habilidades espaciais e de percepção de tempo;
  • Não reconhecimento de familiares e conhecidos.

PREVENÇÃO

Ainda não há uma forma de prevenção específica, no entanto, estudos e estatísticas demonstram que manter a cabeça ativa, possuir uma boa vida social, evitar fumar e consumir bebidas alcoólicas, manter uma alimentação saudável, praticar exercícios regularmente, podem contribuir para retardar ou até mesmo inibir a manifestação da doença.

DIAGNÓSTICO

A doença pode ser realmente diagnosticada a partir do levantamento minucioso do histórico pessoal e familiar, através de exames de memória aplicados pelo próprio médico ou neuropsicóloga. De acordo com Dr. Vicente, exames complementares são de extremamente úteis, como os realizados através de ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons (PET Scan).

TRATAMENTO

Até o momento, a enfermidade permanece sem cura. Entretanto, há alguns medicamentos que podem melhorar temporariamente os sintomas.

Além dos medicamentos, o cuidado familiar é fundamental para evitar complicações como, por exemplo, colocar uma pulseira no paciente para caso ele se perder, atenção na alimentação e simplificação dos ambientes onde a pessoa vive. Assim, será possível controlar facilmente as situações de confusão mental.

O neurologista ressalta que, é importante iniciar o tratamento quanto antes, tanto socialmente quanto do ponto de vista médico, para evitar que os sintomas tornem-se traumáticos.

“Caso essas medidas não sejam atendidas pelas famílias ou instituições, tragédias podem suceder. Prevenir é melhor que remediar”, complementa Dr. Vicente.

RECOMENDAÇÕES

Cuidar de doentes de Alzheimer é desgastante. Os familiares de um paciente com Alzheimer, podem encontrar informações essenciais com médicos, psicólogos, enfermeiros e todos os técnicos com conhecimento sobre as situações que este paciente enfrenta.

Não é tarefa fácil, afinal, o paciente torna-se instável, podendo mudar frequentemente o ritmo de sono, aumentar a agitação, confusão mental e até o risco de acidentes, o que pode tornar a cansativa a rotina do cuidador. Para evitar algumas dessas situações, é preciso estabelecer uma rotina diária e ajudar o doente a cumpri-la.

Sobre o especialista

O Dr. Vicente Caropreso (CRM-SC 3463 e RQE 618) atende no centro de Jaraguá do Sul. É médico neurologista desde 1983, voluntário da Apae de Jaraguá do Sul. É referência estadual dos Agravos Epidemiológicos Botulismo e Doença de Creutzfeld-Jacob (DCJ) e é médico honorário do Hospital e Maternidade São José.