O jornalista sobe escadas sem fim dentro do complexo da Escola do Teatro Bolshoi até chegar à sala do anfitrião. Ela é espaçosa, iluminada e aconchegante como um loft, o que não espanta se imaginarmos a quantidade de ocupações atuais de Pavel Kazarian – e ele só não mora no escritório porque o pequeno Vincent o espera em casa. Entre as funções de pai e diretor geral da escola (e os muitos convites para eventos e até programas de TV), Pavel cavou um lugar especial na sua vida para o piano e a parceria com o violinista Gabriel Vieira. Uma união que chega ao segundo registro, “River”, cujo lançamento acontece nesta sexta (23), às 20 horas, no Teatro Juarez Machado, em Joinville. Os ingressos, a R$ 30 (inteira), estão à venda no site da Ticketcenter. “River” sai dois anos depois de “Homeland”, CD gravado ao vivo durante uma apresentação da dupla no projeto Concertos Matinais. Desta vez, o processo foi completamente diferente. Além de restaurarem um piano, Pavel e Gabriel gravaram em estúdio, atentando a cada detalhe para uma produção bastante superior a estreia. A base de tudo, porém, continua sendo a criação própria. - A gente existe por causa da música autoral. São composições livres, orgânicas. A gente transita por vários gêneros – conta Pavel. De fato, a ideia inicial de que piano e violino juntos só podem resultar em música clássica é abandonada ao longo das dez faixas do disco. A audição remete muito mais a trilhas de filmes do que a um concerto de câmara. O rótulo “new age” pode vir à mente enquanto vão surgindo elementos de música celta e oriental e um minimalismo à la Philip Glass. Totalmente independente, “River” sai com mil cópias e será vendido nos shows da dupla a R$ 25. https://www.youtube.com/watch?v=h_yQWGMYRKs Prêmio Desterro Mas não tem jeito, a rotina de Pavel Kazarian está intimamente ligada ao universo da dança, e nem estamos falando do Bolshoi. O russo/joinvilense é o novo diretor artístico do Prêmio Desterro – Festival de Dança de Florianópolis, que chegará a nona edição em 28 de agosto. No ano passado, foram mais de 1,3 mil participantes de todo o Brasil. A função de Pavel é ajudar a montar as bancas julgadoras de cada um dos seis gêneros em disputa e carimbar a transparência na competição, além de “garantir o bem estar do bailarino, pois isso é feito para ele”, diz. A parte didática do evento também está sob sua coordenação. Mas Pavel já chegou ao Prêmio Desterro estimulando mudanças. Uma delas é quanto à dança contemporânea, que passará a ter outro tipo de avaliação dos jurados, levando em conta questões como inovação e experimentação. - Queremos estimular a criatividade, o pensamento fora da caixinha. Todo festival competitivo, quando não foca apenas em quem é melhor, deve trazer contatos no mundo da dança e ideias novas. E tem que ser bom para o bailarino como experiência, mesmo que ele não ganhe – reflete Kazarian. Foto: Vanderleia Macalossi, divulgação