Os bailarinos inscritos em 28 cursos do Festival de Dança de Joinville terão a partir desta terça-feira (17) a honra de serem os primeiros a usufruir do Saltare Centro de Dança.

Ele já chega com a façanha de dar vida nova a um prédio histórico (tombado) e querido pelos joinvilenses e que há mais de uma década estava completamente abandonado.

Restaurado, o antigo Colégio Germano Timm é agora um espaço para as artes, e mais: mirando o desenvolvimento de quem as realiza.

Quem for conhecer o Centro de Dança – sim, ele é aberto ao público – verá não só o vai-e-vem de bailarinos como também um prédio revigorado, do chão ao teto.

Da estrutura ruída nada sobrou. As rampas de acesso, o piso original restaurado, a pintura forte, o gramado verdíssimo do vão central em nada lembram a paisagem desoladora do começo do ano.

Agora são seis iluminadas salas para ensaios, uma cafeteria, uma loja com marcas presentes na Feira da Sapatilha, um espaço para exposições e outro para receber o acervo histórico do Festival de Dança (as duas últimas só deverão funcionar plenamente após o evento).

Até aqui, os investimentos em reforma e adequação estão na casa dos R$ 500 mil, sendo R$ 60 mil apenas em descupinização. Apesar de o prédio pertencer ao governo estadual, as obras, iniciadas em março, foram arcadas com a venda de espaços a marcas (os chamados naming rights) e doações.

Em pouco mais de dois meses, a campanha de financiamento coletivo arrecadou cerca de 20% do total estimado, e alguns professores e jurados do festival doaram seus cachês para o projeto, que visa a manutenção do centro.

O futuro, aliás, é o grande alvo dele. A ideia central é que funcione como uma incubadora de projetos, abrigado cursos, ensaios de grupos e escolas e outras ações que necessitem de um local adequado.

O detalhe é que, possivelmente, nem só de dança viverá o centro: em duas semanas, 26 propostas já chegaram à coordenação do festival, que incluem fotografia, teatro e exposições. São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e até Belém são origens de alguns desses projetos.

“Não queremos concorrer com escolas de dança, vamos somar. Somos parceiros, até no sentido de melhorar algum tipo de dança, trazendo um professor de dança em conjunto com alguém daqui. O queremos é dar condições de laboratório. Aí vai depender da nossa criatividade enquanto gestores”, garante Ely Diniz, presidente do Instituto Festival de Dança.