Graduados em educação física, pais de bailarina, recém-formados no ensino médio ou até mesmo curiosos. Nem só da arte do movimento vivem os 75 alunos que formam as três turmas inaugurais do curso técnico em dança, oferecido gratuitamente pela Agência Regional de Desenvolvimento (ADR) em Joinville desde fevereiro. A pluralidade prova que não houve distinção entre os interessados. Tanto que, em princípio, o curso ofereceria apenas 60 vagas. – Decidimos absorver todos os inscritos, criando uma turma extra. Tem alunos que estão aprendendo a dança a partir do zero e a grade curricular oportuniza isso – explica o coordenador pedagógico Darling Quadros. Andreia Accordi, 49 anos, é professora de judô e, apesar do curso estar ligado ao físico, o novo conhecimento vai de encontro a uma realização pessoal de se aproximar da arte. O mesmo caso é o da psicopedagoga Paula Oliveira, 57 anos, que busca na dança uma maneira de comunicação e integração. A carga horária mais enxuta não forma bailarinos e nem professores de dança. O conhecimento adquirido durante o período de um ano prepara para a produção de espetáculos. O aluno aprende todo o funcionamento dos bastidores à cena, tanto que o estágio obrigatório deles será cumprido durante o Festival de Dança. Há vivência em dança, mas os alunos também participam de aulas teóricas de música, história, anatomia, figurino, maquiagem e direção. Na formação de bailarinos profissionais, Joinville conta a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. Também há na cidade um curso técnico privado voltado para a formação de professores de dança. Já a licenciatura ainda é um sonho, antigo por sinal, que tramita na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) à espera de orçamento. – O curso técnico não substitui a ideia de um curso superior e dança em dança, mas é um passo importante para criarmos mão de obra especializada na Cidade da Dança – comenta Quadros. Além de ajudar a alavancar a qualidade das produções joinvilenses, o curso oportuniza crescimento profissional, como é o caso da professora de dança Neila Souza, 41 anos, que comanda a própria escola de dança. Ou de Klícia Marques, 16 anos, ex-aluna da Escola Bolshoi. Focada no futuro, Klícia sonha em se especializar em medicina da dança, conhecida pela aplicação dos preceitos de medicina ao corpo e à vida do bailarino, e tem o curso técnico como um aquecimento enquanto não conclui o ensino médio. – Às vezes eles não vão trabalhar com dança, mas certamente serão uma plateia crítica, o que também é importante – reforça o professor Jesse da Cruz, responsável pelas aulas de danças populares brasileiras e folclore. O curso utiliza salas e instalações provisórias no Centreventos Cau Hansen e na Escola Estadual Germano Timm até que um outro local seja disponibilizado. A abertura do próximo edital para ingresso de novos alunos deve ocorrer ainda no segundo semestre. Por Rafaela Mazzaro Foto: Darling Quadros/arquivo pessoal