Uma das poucas paradas de descanso disponíveis em Joinville na década de 1920 até meados do século 20, o Hotel do Imigrante foi responsável por acolher muitos do que pisavam nestas terras pela primeira vez.

Desativado há décadas, hoje seu papel se resume à memória. Memória dos que chegaram, partiram ou permaneceram na cidade, mas também da uma identidade edificada, reconhecida desde 1962 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e a poucos dias de estar plenamente recuperada.

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Parte de um complexo tombado que contempla o Cemitério do Imigrante, o Hotel do Imigrante, como muitos prédios históricos desocupados, sofreu seus dias de tensão. O estado mais crítico se deu em 2009, quando foi preciso uma intervenção na cobertura, que já estava comprometendo as paredes.

Foto: cotidianojoinville.wordpress.com

Sorte que desde 2007, a proprietária é uma construtora joinvilense que não permitiu que a estrutura ruísse de vez.

Sem poder fazer muito pelo antigo hotel até que os projetos de restauração estivessem prontos e aprovados pelo Iphan, a direção da Vectra Construtora fez a sustentação, que até o fim do ano passado garantiu a sobrevivência do imóvel.

A aprovação do projeto de restauração veio em novembro de 2017, depois de anos de espera, adequações e reenvios de projetos com modificações. A obra iniciou no dia seguinte à liberação e daqui 60 dias estará apta a receber um novo uso.

"Ainda não temos planos para o imóvel, estamos concentrados primeiramente na recuperação", conta Mario Cezar Castro de Aguiar, diretor da Vectra.

A intenção do proprietário é construir um prédio comercial aos fundos, que, por exigências do Iphan, não poderá se sobressair visualmente ao antigo hotel. No entanto, esta etapa ainda não está contemplada na permissão e ainda deverá passar pelo crivo do órgão federal.

Foto Rafaela Mazzaro

Apesar das décadas de abandono, a intervenção de 2009 garantiu que a degradação não chegasse a comprometer a estrutura da construção, fato que ajudou na rapidez do processo de recuperação. Internamente, boa parte da obra já foi finalizada.

Falta apenas substituir as esquadrias para começar a renovar a fachada. Assim como os demais cômodos, ela receberá uma tinta especialmente desenvolvida por uma empresa de Pomerode, o que permitirá, assim como os demais materiais usados na obra, retomar o ar histórico do imóvel.

Texto: Rafaela Mazzaro