Para a grande maioria das pessoas, trabalhar com aquilo que mais ama é sinônimo de sucesso e felicidade. Uma busca comum, mas que não é fácil de se concretizar. O blumenauense Douglas Merlo, 34 anos, é um grande exemplo de que quando se faz algo com paixão e dedicação, o êxito é alcançado em algum momento da vida.

Estudioso e autointitulado como um apaixonado por cerveja, ele fez da bebida o seu instrumento de trabalho. Atualmente, Merlo é um dos cervejeiros caseiros (homebrewer, no inglês) mais talentosos e respeitados do Brasil, com reconhecimento internacional, inclusive.

Neste sábado (29), Douglas pode conquistar um feito inédito para o país, vencer uma medalha no mais importante e mais concorrido festival de cervejas caseiras do mundo, o National Homebrewer Competition (NHC), disputado nos Estados Unidos. Na primeira fase, que contou com mais de nove mil cervejas, ele ganhou duas medalhas nas duas amostras que enviou, garantindo a classificação de ambas para a etapa final.

O início

A história começou há 14 anos, quando o blumenauense se mudou para Milão, na Itália, onde foi trabalhar como bartender e estudou mixologia (estudo dos coquetéis e da etiqueta de bar). Depois de um tempo, Merlo resolveu ampliar o campo de atuação, mais aí veio uma dúvida cruel: estudar vinho ou cerveja?

“Fiquei muito em dúvida, devido ao fato de estar morando e trabalhando em um dos maiores e melhores países produtores de vinho do mundo, mas a paixão por cerveja acabou falando mais alto”, lembra.

Decisão tomada, então era hora de dar o próximo passo. Douglas procurou a Associação Italiana de Degustadores de Cerveja (ADB), onde formou-se como sommelier de cervejas e, posteriormente, tornou-se professor. “Auxiliei por três anos a organização do Italia Beer Festival, o maior e mais importante festival cervejeiro da Itália”, que acontece todo o mês de março, em Milão.

Foto Divulgação

Produção no Brasil

Vivendo novamente no Brasil, Merlo diz que no país os cervejeiros caseiros “são os cervejeiros ‘fora da lei’, porque a legislação brasileira para a produção de cerveja não se aplica a essa categoria”.

“O homebrewer pode fazer a cerveja com qualquer especificação e matéria-prima. Obviamente, existem algumas restrições, como, por exemplo, não ser permitida a comercialização dessa cerveja, devendo ser somente para consumo próprio do cervejeiro caseiro”, explica.

A experiência adquirida ao longo de 12 anos de “panelas caseiras” faz com que o blumenauense consiga utilizar a criatividade para produzir cervejas de diversos tipos, todas tratadas como suas “filhas”. Entre as suas preferidas, estão as cervejas belgas. “Sempre tive uma queda por cervejas de alta gradação alcoólica, complexas e intensas”.

Em busca do prêmio inédito

Se Douglas conquistar uma medalha no National Homebrewer Competition, será o primeiro brasileiro a alcançar o feito. A missão não é fácil, porque concorre com outras 1.500 cervejas de todo o mundo. Ele, que já possui 38 medalhas, certificados e reconhecimentos, acredita que um prêmio desse pode fortalecer ainda mais a atividade.

“Sem dúvida será um marco para os cervejeiros caseiros brasileiros, pois é um reconhecimento internacional para todos os brasileiros que fazem cerveja em casa. E mostra que é possível, sim, fazer cerveja com qualidade na panela da cozinha” ressalta.

Café, uma segunda paixão

Como um bom brasileiro, Merlo nutre aquela paixão básica pelo café. E, assim como fez com a cerveja, resolveu estudá-lo. A fixação do blumenauense pela bebida só aumentou e acabou se transformando num novo negócio.

“No início de 2019, resolvi colocar essa paixão em prática e abri a Blumenau Coffee Roasters, uma microtorrefação de cafés especiais com pontuação acima de 80 pontos na escala da SCA (Specialty Coffee Association). É um projeto totalmente independente da cerveja, que está seguindo o seu próprio caminho”, conta.

Inclusive, no Festival Gastronômico de Pomerode, que ocorre durante o mês de julho, o renomado sommelier vai lançar, em parceria com a cervejaria Schornstein, uma cerveja com café: a Porter Café. No estilo Robust Porter, a cerveja terá adição da espécie Catuaí Vermelho, da Fazenda Vale do Sol, localizada na Alta Mogiana Mineira - uma das principais regiões produtoras de café.

Ficou curioso para experimentar mais uma criação de Merlo? A novidade será distribuída para mais de dois mil pontos de vendas em todo o Brasil. Já estamos com água na boca e na torcida para que a inédita medalha venha para cá!

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