Depois de dez anos sumida, a série de RPGs de Ação Marvel Ultimate Alliance finalmente voltou com Marvel Ultimate Alliance 3: The Black Order, lançado na última sexta-feira (19) exclusivamente para o Nintendo Switch.

Foi uma década de espera pelo retorno da série de jogos do vasto universo Marvel, e como bom nerd que sou, passei o fim de semana me debruçando sobre o game. E posso dizer: valeu apena a espera.

Enquanto os jogos anteriores da série foram lançados pela Activision e desenvolvidos pelas americanas Raven Software e Vicarious Visions, o retorno da série - que teve seu último título em 2009, inspirado então no evento "Guerra Civil"- ficou por conta da japonesa Koei Tecmo e o estúdio Team Ninja, sob supervisão e financiamento da Nintendo.

Tanto a mudança de ares quanto o tempo fizeram muita diferença.

Podia ser um desenho matinal

Com um visual colorido e cartunesco, uma história simples mas envolvente a respeito das Pedras do Infinito e Thanos, e bebendo tanto do MCU quanto dos quase 80 anos da editora e um elenco vocal que claramente está tentando imitar o elenco de Earth's Mightiest Heroes, Ultimate Alliance 3 é, de muitas maneiras, a continuação que a excelente série deveria ter.

A história começa com os Guardiões da Galáxia inadvertidamente levando a Ordem Negra de Thanos até uma belonave Kree que guardava as Pedras do Infinito.

Numa tentativa de manter as pedras fora do alcance do titã louco, os Guardiões espalham as pedras pelo universo - e vão parar em na prisão de super-humanos Balsa, na Terra, onde se juntam aos Vingadores e outros heróis para salvar o universo.

Longe de visuais recentes: isso são definitivamente os X-men de Jim Lee e Claremont

Fica claro qual a referência de Marvel do Team Ninja em sua mescla entre visuais e caracterizações dos quadrinhos, dos filmes e de animações - particularmente se tratando dos X-Men, que descartam completamente várias mudanças recentes e não tão recentes dos personagens para retomar a caracterização e o visual dos idos tempos de Chris Claremont na direção da revista - e da arte de Jim Lee.

Varias das caracterizações combinam versões: temos um Star Lord irreverente como o dos filmes - mas não irresponsável como sua versão cinematográfica.

Venom retorna às suas raízes como um anti-herói que só vilanesco com relação ao Homem-Aranha. Temos um Nick Fury como o do MCU, parecido com Samuel L. Jackson, e uma IMA como a dos quadrinhos, com direito às roupas de apicultor ridiculas, ao invés dos... capangas aleatórios de Homem de Ferro 3.

Simultaneamente, mais simples e mais complexo

Nos dois primeiros jogos (e em seus antecessores, X-Men Legends I e II), todos os personagens dividiam um mesmo combo composto por três socos, que podiam ser alternados por uma rasteira (para derrubar inimigos), um uppercut (para lança-los ao alto) e um soco mais forte (para atordoá-los).

O sistema de golpes finalizadores diferentes para os combos foi cortado, em prol de um sistema mais simples de um combo de ataques leves e um único golpe forte individualizado para cada personagem, ao invés de um combo mais complexo, mas universal.

O foco maior fica por conta dos poderes - e da maneira como eles podem ser combinados.

Cada personagem conta com quatro habilidades especiais, utilizadas segurando o botão R e apertando um dos botões de rosto - e cada habilidade pode ser combinada com os poderes de outros heróis para efeitos devastadores, como disparar o raio do Homem de Ferro contra o escudo do Capitão América para atingir vários inimigos, ou o Motoqueiro Fantasma cuspir fogo sobre um tornado criado pela Tempestade para criar um tornado de fogo.

Além dos poderes, dois sistemas permitem aperfeiçoar seus heróis: ISO-8, coletado ao longo do jogo, dando bonus para o personagem que equipar cada cristal, e "upgrades de aliança", um grid de hexagonos com upgrades para todos os personagens, adquiridos com pontos que são obtidos aumentando o nível dos heróis.

Além da jornada principal, há também uma série de desafios que liberam cores alternativas, itens e personagens secretos. Roupas alternativas serão adicionadas com patches ao longo do tempo.

Do óbvio ao obscuro

Com 36 personagens jogáveis no jogo base e mais seis personagens já anunciados como DLC (dois gratuitos e quatro pagos), Ultimate Alliance 3 tem o maior elenco da série - e o mais diversificado.

Temos aqui obviedades como Capitão América e Homem de Ferro, o muito aguardado retorno dos X-Men (com membros mais obscuros: Psylocke e Noturno, além de Wolverine - que volta a ser dublado por Steve Blum  - e Tempestade) após suas repetidas ausências em jogos entre 2016 e 2018, e personagens que saíram da lista C graças ao MCU, como Carol Danvers e os Guardiões da Galáxia... mas não é só de super stars que o jogo vive.

Heróis menores também estão na aventura

Juntando-se a esses temos heróis menores como os Defensores - Luke Cage, Demolidor e Punho de Ferro, após o fracasso das séries da Netflix - e os Campeões - Miles Morales, Kamala Khan e Gwen Stacy... e personagens TOTALMENTE inesperados como Crystal, dos inumanos (que ainda por cima ficou SUPER DIVERTIDA de jogar) e... Elsa Bloodstone, de longe a personagem mais obscura a aparecer em um jogo da Marvel.

O primeiro pacote de DLC, com o selo Marvel Knights, segue nessa direção de combinar o "rosto" da Marvel com sua faceta mais obscura, com quatro personagens: os conhecidos Justiceiro e Blade, o relativamente obscuro Cavaleiro da Lua e o anti-herói e D-Lister Morbius, o Vampiro Vivo.

Além destes, o jogo deve receber mais dois packs de DLC pago - X-Men e Quarteto Fantástico - e dois personagens gratuitos em agosto: Colossus e Ciclope.

Veredito: uma carta de amor à Marvel

Marvel Ultimate Alliance 3 não é perfeito - o jogo tem alguns picos de dificuldade absurdos até o ponto em que eu cheguei, a performance tem algumas quedas em momentos excessivamente frenéticos (especialmente no modo portátil) e, assim como os antecessores, não há nada que se aproxime de equilíbrio.

Mas é incrivelmente divertido - como deveria ser - e, enquanto a editora segue querendo se reinventar sem sucesso a cada dois anos e o cinema vira cada vez mais seu carro-chefe, Marvel Ultimate Alliance 3 pega de volta tudo aquilo que definiu a Marvel ao longo de sua história - ou ao menos as melhores partes.

Também retorna a tempos de jogos mais simples. É um beat-em-up com elementos de RPG, não uma mega-produção em mundo aberto. E é de longe o melhor e mais completo jogo do seu tipo. Sendo que ainda tem conteúdo para receber.

Infelizmente, o jogo é exclusivo para o Switch, e dado o envolvimento da Nintendo no projeto, é muito improvável que venha a sair para outras plataformas.

 

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