O estudante de medicina da UFPR Augusto Boshammer Piazera, 26 anos, conseguiu vaga em um dos cursos superiores mais concorridos do País com o bom desempenho na prova do Enem de 2017.

O destaque foi para a nota na redação, 980 do máximo de 1000, uma das mais altas entre os milhões de brasileiros que prestaram a prova. Somente 50 estudantes em todo o País obtiveram 980 como nota final de redação.

O tema exigido pelo Enem na redação de 2017 era “Desafios para formação educacional de surdos”, no formato dissertativo-argumentativo. O texto foi tão bem escrito que é um dos quatro publicados no Guia do Estudante da Abril 2018.

Homenagem merecida

Na manhã desta quarta-feira (19) o jovem jaraguaense, acompanhado dos pais, Hildegard Boshammer e Romeo Piazera Júnior, recebeu uma homenagem do prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Aleixo Lunelli.

“Você é um orgulho para a nossa cidade. Precisamos de mais jovens como você, dedicados, estudiosos. Continue assim e seja um ótimo profissional”, incentivou o prefeito.

Foto Gabriel Vieira/PMJS

O bóton com o brasão de Jaraguá do Sul foi apenas uma pequena lembrança para o jaraguaense, mas o que o jovem representa para a educação de Jaraguá do Sul é o seu prêmio maior.

Augusto Piazera nasceu em Jaraguá do Sul, estudou no Colégio Evangélico e no Colégio Marista. O ensino médio cursou no Positivo de Joinville. Depois cursou engenharia civil na UFSC e agora quer ser médico.

O estudante conta que nunca abandonou o gosto pela leitura e que já escreveu dois livros de ficção infantojuvenil, ainda não publicados. Os livros sempre foram um tesouro para Augusto. Nenhum deles tinha “orelha de burro” ou eram rabiscados.

Investimento em educação

Índices de destaque como o que Augusto conquistou são a meta da Secretaria Municipal de Educação para os alunos jaraguaenses.

Oficinas de redação, concursos de declamação de poesia e participação na Olimpíada Brasileira de Língua Portuguesa são algumas das ações da secretaria, que incentiva o gosto pela leitura e escrita entre as crianças, cada vez mais atraídas pelo imediatismo das telas digitais.

Augusto conta que, desde pequeno, foi incentivado pelos pais a ler um livro por mês. “Mas não era só isso. Precisava entregar um resumo escrito à mão. O prêmio era ganhar outro livro, à livre escolha”, faz questão de lembrar Hildegard, mãe de Augusto.

O pai conta que nunca deixou de investir quando o assunto era educação, livros, estudo. “A leitura abre o mundo para o ser humano e a educação é a herança que podemos deixar para os nossos filhos”, revela Romeo.

Confira abaixo um trecho da redação de Augusto publicado no Guia do Estudante da Abril 2018:

Tema: Desafios para formação educacional de surdos

“A surdez possui diversas origens. A patológica é definida como uma deficiência do nervo coclear ou da formação dos ossículos da orelha médica.

 

Já a surdez deliberativa é aquela que independe de condições físicas: ela é estabelecida, por sua vez, sob ideais deturpados da moral.

 

E é essa variante – que acomete majoritariamente representantes do Estado – que impede os efetivamente surdos de desfrutarem do sistema educacional

 

De forma análoga ao ocorrido durante o Movimento Sufragista Inglês (episódio no qual milhares de mulheres reivindicaram o direito de serem ouvidas nas urnas), no Brasil contemporâneo, a parcela surda da população clama – infelizmente sem sucesso – por igualdade de condições.

 

Essa, que é falaciosamente assegurada pelo artigo 27.º, capítulo IV, da Constituição Federal, não condiz com a realidade.

 

Nesse contexto, tamanha é a ineficiência do Estado no asseguramento dos direitos daqueles que deles mais precisam, que o número de matrículas de surdos na Educação Básica, entre os anos de 2011 e 2016, caiu mais de 20%, segundo dados do Inep. (...)”

 

Com informações de assessoria de imprensa.

 

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