“Vingadores: Guerra Infinita” começa e termina em tragédia, e o recheio é só o caminho natural de uma para outra. Nunca se viu algo parecido no cinema de super-heróis, e dificilmente aparecerá, a menos que a parte 2 do filme nos entregue ainda mais dor, perda, destruição, sacrifício. Se você acha que essas coisas não combinam com o tipo de entretenimento normalmente ligado ao gênero, é porque passou batido pelos gibis. E nunca foi apresentado a Thanos. Perto dele, o androide Ultron é uma Baby Alive e Loki, um batedor de carteiras. Thanos é um semideus que deseja subir de categoria – dominar o universo para impor-lhe equilíbrio, conforme sua insana concepção, e para isso metade dos seres viventes deve perecer. Ter em mãos as seis Joias do Infinito, espalhadas pelo cosmo (incluindo a Terra, claro), lhe dará o poder para sacramentar sua vontade num estalar de dedos. https://www.youtube.com/watch?v=6ZfuNTqbHE8 É duro contar mais sem entregar muita coisa, mas é interessante notar que Thanos é, sim, o protagonista do filme. Outros personagens, como Thor, Visão, Gamora e Dr. Estranho, são peças-chave nesse tabuleiro cósmico, mas é o rei de Titã quem domina e move o jogo. Só que, ao contrário de tantos outros vilões, ele não é unidimensional, pois vai revelando camadas psicológicas que lhe conferem uma quase humanidade, só não concretizada pela crueldade e objetivos abomináveis. Abaixo dele estão os demais personagens (mais de 20), divididos em três, às vezes quatro cenários distintos. E essa talvez fosse uma das maiores preocupações dos fãs: como fazer um filme de ação com tanta gente, dar a devida atenção a cada um, conferir peso dramático a cada arco narrativo e amarrar tudo de forma a não virar uma bagunça caduca carregada de sopapos e efeitos especiais? Pois os irmãos Russo não só acertaram na coerência e equilíbrio como superaram as expectativas. “Guerra Infinita” captura e mostra regiamente (quase) todos os elementos do Universo Marvel até aqui e os torna reconhecíveis – da arrogância de Tony Stark ao alívio cômico dos Guardiões da Galáxia -, espalhando-os em historietas isoladas que formam um todo plural e grandioso como nunca se viu antes. No entanto, é um todo nervosíssimo desde a primeira cena. Afinal, como foi dito no início deste texto, o nome disso aqui é tragédia.