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Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul estreia turnê “Sensações” neste domingo (2) na Scar

Foto: Fernanda Mattos/Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

30/07/2026 - 14:07 - Atualizada em: 30/07/2026 - 14:16

Há músicas que não precisam de tradução. Elas despertam lembranças, criam imagens e permanecem na memória muito depois do último acorde. É justamente essa experiência que a Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul propõe ao público com a turnê “Sensações”, que estreia neste domingo (2), às 19h, no Grande Teatro da Scar. Os ingressos são gratuitos e estão disponíveis na bilheteria do Centro Cultural ou pelo site da TicketCenter (https://b09b.short.gy/ConcertoSensacoes).

O programa reúne três compositores de universos muito distintos — Ludovico Einaudi, Astor Piazzolla e Heitor Villa-Lobos —, mas que compartilham uma característica fundamental: transformaram suas raízes em uma linguagem capaz de dialogar com pessoas de diferentes culturas e gerações.

Para o maestro da Orquestra, Jorge Scheffer, a escolha do repertório foi pensada como uma experiência contínua.

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“São obras muito diferentes entre si, mas todas falam diretamente com o público. Cada uma desperta emoções de uma maneira própria e convida o ouvinte a percorrer paisagens sonoras completamente distintas”, explica.

A abertura da noite será com “Experience”, do italiano Ludovico Einaudi. Conhecida pela atmosfera intimista, a obra será apresentada em um arranjo orquestral escrito exclusivamente para a Orquestra FIlarmônica de Jaraguá do Sul que incorpora os metais, madeiras e a percussão, ampliando sua paleta de timbres sem abrir mão da delicadeza que a tornou uma das composições contemporâneas mais populares do mundo. Segundo o maestro, a intenção nunca foi tornar a obra mais grandiosa, mas revelar detalhes que permanecem escondidos em outras versões.

“Os metais, as madeiras e a percussão não chegam para tornar a música mais grandiosa simplesmente; eles acrescentam profundidade e novas possibilidades de timbre. É como observar uma paisagem conhecida sob uma nova luz.”

Ele explica que o maior desafio da interpretação está justamente na contenção. Diferentemente de obras que apresentam grandes contrastes desde o início, “Experience” exige que a emoção seja construída pouco a pouco, permitindo que a música cresça de maneira quase imperceptível.

“‘Experience’ cresce aos poucos, quase de forma orgânica. Se a orquestra revelar toda a intensidade muito cedo, perde-se justamente o efeito que torna essa música tão envolvente. Outro aspecto fundamental é compreender que a repetição nunca significa repetir exatamente a mesma coisa. Cada retorno traz uma pequena transformação de dinâmica, timbre, respiração ou intensidade. O desafio do intérprete é encontrar essas mudanças sutis para que o ouvinte tenha a sensação de estar caminhando sempre para frente, mesmo ouvindo o mesmo material musical”, salienta Scheffer.

Da delicadeza de Einaudi, o concerto mergulha na intensidade de “As Quatro Estações Portenhas”, de Astor Piazzolla. Inspirada em Buenos Aires, a obra transforma o tango em uma narrativa sinfônica marcada por contrastes, lirismo e energia. Para o maestro, um dos maiores equívocos é enxergar Piazzolla apenas como um compositor de tango.

“O tango continua presente na pulsação, nos acentos e na expressividade, mas a narrativa musical vai muito além da dança. Como intérpretes, buscamos evidenciar essa riqueza de contrastes, de lirismo e de sofisticação que Piazzolla construiu.”

Ele observa que essa linguagem exige uma mudança de postura da própria orquestra. A sonoridade homogênea característica da tradição sinfônica precisa dar lugar a uma interpretação mais flexível, em que a escuta entre os músicos se torna protagonista, preservando o caráter camerístico essencial para que a obra mantenha sua autenticidade.

“Embora exista uma orquestra completa, há muitos momentos em que todos precisam tocar como se estivessem em um grupo de câmara. O piano não deve competir com a orquestra, mas dialogar com ela. Quando todos respiram juntos e escutam uns aos outros, essa relação acontece de forma muito natural.”

Encerrando a noite, a Orquestra Filarmônica interpreta “Bachianas Brasileiras nº 4”, de Heitor Villa-Lobos. Inspirada na arquitetura musical de Johann Sebastian Bach, a obra sintetiza uma das maiores contribuições do compositor brasileiro: transformar ritmos, melodias e timbres nacionais em uma linguagem absolutamente original.

Para Scheffer, essa é justamente a grande diferença de Villa-Lobos em relação a outros compositores nacionalistas do século XX.

“Villa-Lobos nunca utilizou os elementos brasileiros apenas como citação folclórica. Ele criou uma linguagem própria, em que ritmos, timbres e melodias brasileiras fazem parte da estrutura da música.”

O maestro também destaca que a influência de Bach não aparece apenas como referência histórica, mas como fundamento da construção musical. Segundo ele, mesmo quem nunca ouviu Bach consegue perceber na obra uma sensação de equilíbrio e fluidez. A arquitetura contrapontística está presente em toda a composição, mas é absorvida por uma sonoridade que permanece profundamente brasileira.

Ao colocar Villa-Lobos e Piazzolla lado a lado, o concerto também propõe um encontro entre dois compositores que reinventaram a música de seus países e a projetaram para o mundo.

“Villa-Lobos traduz o Brasil por meio de uma escrita inspirada em Bach; Piazzolla transforma o tango em uma expressão universal. Quando essas obras são apresentadas no mesmo concerto, o público percorre uma viagem pela América do Sul, percebendo como tradição e inovação podem caminhar juntas”, destaca.

Depois da estreia em Jaraguá do Sul, a turnê “Sensações” segue para o Teatro Carlos Gomes, em Blumenau, no dia 5 de agosto, e será encerrada no Teatro Ademir Rosa (CIC), em Florianópolis, no dia 12 de agosto. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados no site da TicketCenter.

Mais do que apresentar um repertório, Scheffer acredita que a proposta da turnê é aproximar o público da música de concerto por meio da emoção.

“Quando uma obra consegue despertar imagens, memórias e sentimentos, ela deixa de ser apenas música. Ela passa a fazer parte da experiência de quem a escuta.”

É justamente essa experiência que a Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul pretende compartilhar ao longo da turnê “Sensações”.

O Concerto Sensações da Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul é realizado por meio da Lei Rouanet e do Governo Federal, e conta com o patrocínio das empresas WEG, Havan, DR Aromas & Ingredientes, Grupo Flexível, Martinelli Advogados, Thermo Star, Warren Investimentos e Posto Náutico Farol.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.