Você segue toda vida reto,

quebras às direita,

ai lá no andrezaite,

você chega.

Se não chegar, ai caixão pro Bili!

Taaah, meu bem! Se você entendeu o que está escrito aí em cima é porque, certamente, já passou por Joinville. Sim, sim, sim, aquela cidade que fica descendo a serra de Curitiba, à primeira nuvem preta à esquerda. Ali, está a Joinvilândia. Sim, porque... oh, lugar pra chover! Acho que não há cidade que chova tanto quanto aqui. A gente sempre tem que andar com uma capa de chuva, sombrinhas e galochas na bolsa. Se você pretende vir pra cá #ficaadica. Afinal, a garoa daqui é chuva brava, dá enchente. Mas deixa isso pra lá. Afinal, quem mandou construir uma cidade em cima do mangue. Mas foi aqui, em meio ao mangue, rios, chuvas e caranguejos e cachoeira (o rio) que nossa terrinha do coração foi erguida. Ah, sim, Joinville, terra dos príncipes, que não tem príncipe. Das bicicletas, que quase não tem ciclovias, dos sambaquis que... Deixa pra lá. Continuando... Terra de praia, de diversidade étnica e cultural. É a Manchester Catarinense. Joinville, a terra doada a portugueses, colonizada por alemães e batizada com nome francês.  Ahn?! Deu nó na cabeçoila? Calma, a titia explica. Joinville, este nome é tradicional da França, meu amor.  É que a área em que foi construída a nossa Joinville pertencia à França. Sim, a terrinha aqui foi um dote de terra doado à princesa Francisca Carolina, irmã do imperador Pedro II, ao casar-se com o príncipe de Joinville, filho do rei Luís Felipe, da França. Ainda não entendeu? Então deixa pra lá, e vai estudar... #Aloka.  Enfim, o que importa é que fomos doados a uma princesa. A princesa Dona Francisca que nunca quis saber de nós. A gente até fez uma casinha para ela, plantamos umas ‘parmeirinha’ lá, e essa safada nunca quis nos visitar? Isso é uma afronta. Até acho que deveríamos tirar o nome dela daquela rua. Que tal de chamar de Dona Chita, em homenagem a mim, drag ConCHITA #AchoDigno. Ela não sabe o que perdeu. E o principe, também nunca quis pisar aqui. Até foi erguido um castelo para ele no Profipo, mas nada dele dar o ar de sua graça! Ah não, não aceito. Esse principezinho que queira voltar aqui que vou mandar ele pro caixão do Bile! A propósito, que Bile é esse? Sim, porque dias atrás eu estava andando pelas ruas Dílson Funaro – oh, meu pai, porque só em Joinville tem um loteamento em que todas a ruas chamam Dílson Funaro – mas na minha caminhada matinal, lá pelas quatro da madruga, passei por uns erezinhos que ficaram aí na esquina conversando. Eles estavam fazendo uma competição e de repente um perdeu e disse "caixão pro Bille". Foi assim por três vezes, até que eu arranquei a peruca e soltei: Égua! Cadê esse Bile, onde vai ser o enterro, porque mataram ele? Eles saíram correndo, todos escamados, meio que perturbados e eu fiquei sem entender. Mas, falando em égua, por que diabos o joinvilense gosta tanto deste bichinho? Não podia ser jumenta. Ou galinha, periquita, joaninha, vaca, mas não. A qualquer sinal de surpresa, nossos conterrâneos disparam um saboroso éeeegua! Com estas histórias de animais lembrei de outro mito que só se vê em Joinville. O nosso famoso e querido Fritz. Oh, bichinho tinhoso. Sim, porque tem que ser muito medonho e tinhoso para sair fugido do Zoobotânico e escolher como lar o rio Cachoeira. Dá para aceitar? Não adianta, o jacarezinho insiste em tentar dar vida ao nosso Cachoeirão. E olha que ele não foi o primeiro a tentar dar vida ao rio que corta a cidade. Quem se lembra do Floatflux. O purificador do rio que não deu certo?  Em outros tempos, como diria o queridíssimo Wilson França, aquele riozinho dava vazão a um porto. É, queridinha, Joinville já teve um porto. E não era o do Jet Buss, que nunca funcionou não, perturbada. Era um porto de verdade, mas isso é coisa do passado. Da época que a praça Nereu Ramos era apenas um jardim. Coisa da velha Joinville, do tempo do lá no andrezaite... Pois agora! O que importa que toda esta mistura só podia dar nesta salada pluricultural que é a nossa Joinville. Uma cidade cult. Que concentra o moderno com o contemporâneo, o chique com o bagaceiro. Terra de gente trabalhadora, de gente bonita, que sabe mostrar a que veio. É por isso que tenho orgulho de dizer que Joinville é a cidade que adotei como minha e aqui eu sou feliz! Égua! Já está na hora de eu passar na padaria, para pegar o meu chinequinho que está saindo do forno. Será que vai ser com ou sem farofa... Hum... isso sim, é coisa que só tem em Joinville. Fui... *Drag Conchita é jornalista, escritora, radialista, apresentadora e produtora cultural. Atriz performática que trabalha com shows em boates, festas, telegramas animados, casamentos e eventos em geral. Contatos: E-mail: dragconchita@gmail.com. Facebook: Drag Conchita. Opinião | Como participar Você também por mandar artigos para serem publicados no Jornal de Joinville. O material precisa ter em média 2 mil caracteres, nome, idade e profissão do autor. Também é necessário enviar uma foto do autor. Os artigos devem ser enviados para o e-mail contato@jornaldejoinville.com.br