Os índios e a ópera de Mozart. O interesse pelas histórias e pela cultura indígena desde criança, o encantamento com a flauta-doce e a última ópera de Mozart, também na tenra idade, inspiraram o escritor e designer Roberto Lanznaster na construção do novo livro “A Flauta Mágica”.
Baseado na obra de Wolfgang Amadeus Mozart, o livro será lançado neste sábado, dia 23, das 9h às 12h, no Festival de Música de Santa Catarina (FEMUSC) 2016.
Contemplado com o Fundo Municipal de Cultura e com o apoio da Prefeitura e da Fundação Cultural de Jaraguá do Sul, cerca de 1.000 exemplares do livro serão distribuídos gratuitamente para o público.
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Foto: Divulgação
Segundo Lanznaster, Mozart escreveu uma música sublime, e incluiu na história elementos da Maçonaria, que incorporava os ideais do Iluminismo e que mais tarde dariam origem a Revolução Francesa e as ideias de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. “A dualidade - a luta da luz contra as trevas – é muito presente na ópera, assim como em muitas mitologias. Ela representa, simbolicamente, o drama interno e inconsciente da alma. Acreditei que seria interessante fazer uma versão “brasileira” da ópera, juntando estes elementos com os mitos indígenas, buscando trazer uma obra escrita há mais de 200 anos para perto da nossa realidade, popularizá-la. A própria ópera já era uma versão de obras que já existiam: o conto de fadas Lulu e a Flauta Mágica, de Liebeskind, e o romance Séthus, de Jean Terrasson”, explica o autor.
Responsável também pelas ilustrações e pelo projeto gráfico do livro, Lanznaster manteve o núcleo da história: um príncipe, que depois de lutar com uma serpente monstruosa, recebe da Rainha da Noite uma flauta mágica, é enviado para resgatar uma princesa raptada e parte para a missão
junto com um caçador de pássaros medroso.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Para conseguir o objetivo, ele passa por duas provas: do fogo e da água. Na versão de Lanznaster, além da ambientação (a original se passa no Egito Antigo). Existe toda uma nova trama para descobrir o porquê do dia não nascer mais na floresta. “Isso me deu a oportunidade de incluir novos personagens - criaturas da mitologia indígena e animais da Amazônia – e novas situações. Eliminei alguns personagens originais, que não funcionariam nesta versão. E claro, adaptei os personagens que mantive. Por exemplo, a Rainha da Noite é a Deusa da Lua, o caçador de pássaros, uma criatura meio-homem meio pássaro, os três mensageiros que guiam o príncipe na ópera original tornaram-se três micos-leões-dourados. Queria que a história fosse inédita e ao mesmo tempo ecoasse a trama original, pois minha intenção é fazer essa ligação com Mozart. Por isso, em alguns momentos, utilizei o diálogo original da ópera”, afirma.
O livro teve uma primeira edição lançada em 2005, pela Litteris Editora, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. “Algumas pessoas sempre me diziam que a obra mereceria uma nova edição. No final de 2014, o Escritório de Cinema, aqui de Jaraguá do Sul, comprou os direitos do livro para uma adaptação em animação. É um projeto longo, de cinco anos, mas que já está em processo de roteirização. Pensando nisso, resolvi voltar ao livro, revisitá-lo, aparar algumas arestas. A primeira edição saiu com poucas ilustrações em preto e branco, e gostaria de ilustrar mais a história. Todos os personagens receberam um redesign. Pesquisei bastante a arte indígena brasileira (pinturas faciais, artesanato, cerâmicas...), e acrescentei estes elementos, grafismos e padronagens aos desenhos. Como a história é sobre a luta das luzes contra as trevas, dividi o livro em duas partes: primeiro ato (igual aos termos usados em uma ópera), com tons mais azulados e verdes; segundo ato, com tons terrosos e dourados”, acrescenta Lanznaster.
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