Uma certa movimentação ronda os alunos do curso de artes visuais da Univille. Nada incomum para um curso que proporciona experiências artísticas reais, muitas delas divididas com a comunidade em exposições, performances e debates. Desta vez, é a motivação que destaca uma série de ações que começaram no ano passado. O primeiro curso superior de artes em Joinville e região completou 30 anos na formação de docentes e de muitos profissionais que atuam nas mais diferentes áreas ligadas à criatividade. Para enfatizar a sua importância na construção do cenário artístico da região Norte do Estado, o curso promove oficinas, palestras e atividades que serão abertas à comunidade durante este semestre. Celebrar três décadas de ensino é também fazer um exercício de memória. Enquanto a Joinville dos anos 1980 tinha um movimento artístico forte e consistente – representado por nomes como Luiz Henrique Schwanke e Hamilton Machado –, o mesmo não valia para a educação artística oferecida nas escolas regulares. Na época, a obrigatoriedade da disciplina de artes no ensino fundamental brasileiro já havia sido instituída há mais de dez anos, mas as oportunidades de formação para estes professores continuavam escassas. Resultado: professores com pouco conhecimento em artes ou sem base para trabalhá-la com os alunos. Descontente com este cenário, a professora Eladir Skibinski, influenciada por Ana Mae Barbosa, principal entusiasta da arte-educação no Brasil, deu o passo determinante para a implantação do primeiro curso de graduação no Norte do Estado. Nadja de Carvalho Lamas, professora do curso desde o ano inaugural, lembra que a criação se deu a partir de um apelo público encabeçado por Eladir: – Ela reuniu centenas de assinaturas em um abaixo-assinado e entregou para a direção da universidade – recorda Nadja. Nadja comenta que havia a percepção de que o curso de artes visuais, na época chamado de educação artística, supriria apenas a necessidade de formação especializada dos professores que já atuavam na rede. No entanto, a oferta mostrou-se perene, atraindo profissionais de outros campos. Hoje são mais de 600 formados. Alguns deles passaram de alunos a docentes, como é o caso da coordenadora do curso, Alena Marmo Jahn, graduada em 2001. – Mesmo sendo licenciatura, o curso de Artes Visuais propicia toda uma vivência, a prática artística necessária para que o aluno, quando for se referir a uma obra, uma técnica, fale com propriedade. Este é o diferencial – explica Alena. Mesmos que nos últimos dez anos a procura pelo curso tenha diminuído consideravelmente, tanto que durante dois anos o curso não abriu novas turmas, a semente de Eladir Skibinski continua rendendo bons frutos. Um exemplo é os projetos de pesquisa e extensão, que levam formação continuada a professores. Programação Os alunos estão em cartaz com uma exposição que leva obras com autorais, fruto da disciplina de Ateliê de Poética - Performance. “Em.Corpo” (foto acima) pode ser visitada no Centro de Arte e Design da Univille durante todo este semestre. Em maio, no dia 19, o curso participa da Semana dos Museus com uma palestra com a coordenadora do Museu de Arte de Joinville, Helga Tytlik, no anfiteatro da biblioteca da Univille. De 19 a 22 de junho, haverá uma semana do curso de Artes Visuais, com palestra ministrada pela professora da Udesc Sandra Makowiecky e oficinas. Texto: Rafaella Mazzaro Fotos: Walmer Bittencourt Júnior