Durante as décadas de 1980, 1990 e no começo dos anos 2000, quando a internet não estava tão presente no dia a dia da população e nem se sonhava com serviços de streaming como a Netflix, é difícil imaginar quem não aguardava ansiosamente a chegada da sexta-feira.

Toda essa ansiedade vinha da vontade de ir até uma videolocadora para procurar aquele lançamento tão esperado ou passear pelas prateleiras até achar um filme para assistir durante o fim de semana.

Com o fortalecimento da internet, as videolocadoras viram o declínio se aproximar, já que o baixo custo e a possibilidade de assistir filmes sem sair de casa causou o desinteresse das pessoas em frequentar esses locais.

Um exemplo bilionário que foi esquecido com a chegada da internet e foi à falência após o sucesso dos serviços de streaming é a famosa rede de locadoras Blockbuster.

Líder no mercado de aluguéis de filmes por mais de 20 anos, a companhia que teve filiais espalhadas pelo mundo todo, chegou a ser vendida por US$ 8,4 bilhões em 1994, mas não sobreviveu a chegada da era digital e hoje conta apenas com uma loja localizada nos EUA.

Rede mundial de videolocadoras não sobreviveu a internet | Foto Divulgação

Com tantas opções de filmes e séries disponíveis nos serviços de streaming, é natural pensar que as videolocadoras desapareceram completamente, mas isso não é bem verdade. Elas continuam existindo sim, mas tiveram que dar um “jeitinho” pra conseguir sobreviver.

As videolocadoras na região

Esse é o caso do proprietário de uma das poucas sobreviventes de locação de filmes em Jaraguá do Sul, Alberto Batista, que precisou fazer malabarismo para manter a locadora que possui no bairro Vieira ativa até hoje.

A empresa foi inaugurada em 1996, na época em que a única opção era locar fitas em VHS.

Alberto conta que enfrentou um momento difícil quando surgiram os DVDs e ele teve que achar um equilíbrio entre os dois formatos de vídeo, já que a maioria dos seus clientes ainda utilizavam o vídeo cassete e outros estavam um pouco a frente, adquirindo o aparelho de DVD.

Na época, o carro-chefe do negócio era a locação, mas o empreendimento contava com outros produtos, como sorvetes, doces e refrigerantes. “Abrimos de segunda a segunda e ter esses produtos disponíveis sempre agradou os clientes, principalmente aos domingos”, comenta.

O foco de Alberto deixou de ser a locação de filmes e hoje traz diversos itens de papelaria e para presentes | Foto Arquivo pessoal

Para o proprietário, o problema não está tão focado na Netflix, mas sim na internet em si, que abriu um leque de opções para aqueles que procuram filmes com comodidade e baixo custo.

A locadora de Alberto ainda conta com um acervo de 6 mil cópias, entre DVDs e Blu-Rays, mas o foco do negócio mudou e sobrevive por meio de serviços de papelaria, produtos de informática e itens para presentes.

Alberto, que tem 57 anos e uma longa experiência no mercado de locação de filmes, acredita que as videolocadoras tendem a desaparecer completamente no futuro. Para ele, isso também vai acontecer com as plataformas de streaming.

“A Netflix é a nossa realidade, mas como todas as coisas que começam, ela está no seu auge e com o tempo vai sofrer um desgaste, cair em esquecimento”, opina.

20 anos de locação de filmes

Meuriy Sabino também mantém uma videolocadora no Centro de Guaramirim em uma situação parecida. A proprietária conta que não consegue manter o empreendimento apenas com a locação de filmes.

Para aumentar os ganhos, ela passou a vender produtos personalizados, itens de papelaria, prestar serviços de digitação de contratos e currículos. O local também dispõe de uma lan house.

Outros serviços prestados no local é a digitação de documentos, impressão de arquivos e fotocópias | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Mesmo com uma queda significativa nos clientes ao longo dos últimos 15 anos, Meuriy destaca que tem um público fiel que ainda aluga filmes, pois preza pela qualidade de áudio e vídeo que nem sempre é encontrada em sites e plataformas online.

“O nosso público varia bastante, atendemos adolescentes, adultos e idosos. Temos aproximadamente 200 clientes fiéis que locam filmes semanalmente", conta. "Temos ainda uma média de 20 aberturas de contas por mês”, afirma.

A videolocadora de Meuriy foi aberta há 20 anos e tem em seu acervo mais de 10 mil títulos, entre lançamentos e filmes antigos que migraram do VHS para o DVD, garantindo aos clientes diversas opções, mas isso não é o suficiente para atrair um público muito grande.

“O problema chegou com a Netflix", declara. "O serviço de streaming quebrou as locadoras do mundo inteiro porque o acesso aos filmes está mais fácil e barato”, afirma Meuriy.

Locadoras da região ainda contam com clientes fiéis | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Outro problema citado pela proprietária é a demora entre a estreia e a chegada do filme em DVD, que leva em torno de dois meses.

“As pessoas não têm paciência para esperar, então procuram por DVDs piratas ou assistem com baixa qualidade pela internet. Se o tempo de espera fosse menor, nossas chances de atrair público cresceriam bastante”, finaliza.

 

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