Tradição em Jaraguá do Sul, o Festival de Música de Santa Catarina (Femusc), já dá sinais que tem tudo para surpreender os amantes da arte mais uma vez.

Com as inscrições abertas no dia 10 de setembro, alunos de 24 países fizeram a inscrição nestas primeiras semanas, o que indica, no mínimo, um empate com o recorde da edição deste ano.

A surpresa, conforme a organização do evento, é o registro de um número maior de países europeus sendo representados: Alemanha, Dinamarca, Portugal, Espanha, Bulgária, Itália. Também foram recebidas inscrições de Israel, além do peso latino-americano.

Praticamente toda a América do Sul está representada, com acréscimo do Panamá, Costa Rica, Honduras, México e Estados Unidos.

No Brasil, são 16 estados representados, do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Santa Catarina está em segundo lugar em número de alunos, atrás somente de São Paulo. As inscrições acontecem até o próximo dia 10. Foram abertas 250 vagas.

Como já anunciado, o Femusc em 2019 será mais compacto, com quatro dias a menos do habitual. A 14ª edição contará com dez dias de movimento intenso nas salas e teatros da Scar, além das ruas e estabelecimentos da cidade que devem receber os participantes.

O orçamento destinado ao festival no ano que vem foi reduzido em 40%. Segundo o presidente do Instituto Femusc, Paulo Polezi, com a crise econômica que o país atravessa há anos, ficou insustentável manter o festival com 14 dias e 400 alunos.

"Nossos patrocinadores ainda acreditam no projeto e nos apoiam, mas conseguir novos apoiadores se torna extremamente difícil nesse cenário. Acreditamos que as medidas que tomamos são um recuo estratégico, um respiro para que o festival passe por esse período difícil e volte a crescer num futuro bem próximo", aponta o presidente.

Polezi avalia que com menos vagas disponíveis, a concorrência entre os alunos deve ficar mais acirrada e elevar o nível dos participantes naturalmente.

Em 2019, será possível agendar treinamentos específicos como o “Boot Camp” de violino do professor Charles Stegeman, com técnicas para estudo individual.

Presidente do Instituto Femusc enfatiza a importância do festival para a música brasileira | Foto: Divulgação

Para Jaraguá do Sul e região, a mudança na estrutura do festival deve ser pouco sentida. O presidente do instituto comenta que o número de alunos circulando e consumindo pela cidade ainda é considerável e vai fazer a economia girar em um período de baixa, como é o começo do ano.

"E principalmente, continuamos retendo muito conhecimento. A música ganha um impulso aqui todo começo de ano. A parceria do Femusc com a Scar está levando a cidade a ser conhecida como a Capital da Música, porque os projetos se integram", garante Polezi.

O projeto do Femusc 2019 já foi aprovado pelo Ministério da Cultura e está apto a receber recursos via Lei Rouanet. Empresas podem repassar até 4% do imposto devido e pessoas físicas até 6%, ambos com 100% de abatimento do valor incentivado.

Outras informações sobre como apoiar a iniciativa estão disponíveis no site do festival.

Audições para universidade internacional

Pela primeira vez será possível realizar audições para um grande conservatório de música internacional no Femusc. A University of Cincinnati avaliará alunos em Jaraguá do Sul com o mesmo peso de uma audição em pessoa nos Estados Unidos.

Todos os alunos vão poder participar, mas, segundo o presidente do Instituto Femusc, Paulo Polezi, o processo é árduo.

Ele explica que há um repertório específico a ser apresentado e formulários que eles precisam preencher online como qualquer outro candidato.

A parceria é através do professor de violoncelo Alan Rafferty, que também leciona em Cincinnati.

O número de alunos selecionados vai depender do desempenho na audição. Os resultados estarão disponíveis somente em abril de 2019, após a universidade apurar todos os candidatos. "É um programa muito competitivo, com candidatos vindo de todo o mundo", observa Polezi.

Outra novidade do ano que vem é o concurso Jovens Solistas, que terá como prêmio a oportunidade de se apresentar no concerto de encerramento. Para participar dele, os alunos serão convidados assim que terminarem o processo de matrículas.

Os finalistas serão selecionados até meados de dezembro e as provas finais serão no primeiro dia do Femusc, com o vencedor sendo anunciado já no concerto de abertura.

Em 2019 também serão duas óperas, cada uma com sua própria orquestra: Suor Angélica de Puccini e Os 7 Pecados Capitais de Kurt Weill. "Teremos uma renovação nas orquestras criadas para treino de jovens maestros, que agora passam a ser completas e não somente de cordas", conta o presidente.

Entre as obras que serão apresentadas, os pontos altos são Sheherazade (Korsakov) e Don Juan (Strauss), apresentados pela Orquestra Sinfônica com regência de Gregory Carreño, conhecido internacionalmente pelo trabalho desenvolvido no El Sistema, além do concerto dedicado a obras de grandes compositoras, como Clara Schumann e Fanny Mendelssohn.

 

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