Os rostos emburrados e o mau humor, muito comum na primeira hora do dia, deram espaço aos largos sorrisos e até olhos brilhantes de surpresa. Assim que o ônibus se aproxima, foi possível perceber que a figura por trás do volante não é um simples motorista que estava ali apenas para cumprir sua rota. Com direito à barba branca, roupa vermelha e toca, Claudomir Borba, 35 anos, incorpora o “bom velhinho” para levar mais alegria aos passageiros nessa época do ano. Assim como tantas outras pessoas que dedicam horas do dia a esse ofício, seja como forma de aumentar a renda ou apenas como trabalho voluntário, Borba, como é chamado por todos, decidiu se vestir de Papai Noel para resgatar o espírito natalino. Há cerca de quatro anos ele reserva a semana que antecede o Natal para circular na linha Guaramirim/Jaraguá do Sul vestido de maneira especial, além de entregar doces e os desejos de um feliz Natal para todos que passam pelo ônibus que conduz. “Desde o segundo ano de empresa venho tentando trazer essa alegria e energia do Natal para os passageiros. Este ano me vesti de Papai Noel, não apenas com a toca, com intuito de criar um impacto maior e fazer com que as pessoas consigam tirar o sorriso que, muitas vezes, está preso dentro de cada um”, acredita.
Levar a magia do Natal é encarada como missão | Foto Eduardo Montecino/OCP
Segundo o motorista, que no dia a dia de trabalho costuma ser atencioso com os passageiros e “prestar o serviço da melhor forma”, o personagem Papai Noel surgiu para afugentar os “momentos ruins” que via os passageiros passarem. “Quando eu vejo que a pessoa não está legal, eu desejo que fique bem, que o dia dela melhore, costumo fazer isso, mas o Papai Noel, ainda mais nessa época do ano, chega com mais intensidade para melhorar o dia dela”, afirma. Ele acredita que essa é uma forma de fazer as pessoas acreditarem que o mundo pode ser melhor. “Tudo isso é algo que vem de dentro, que é automático em mim. O Borba tem o prazer de arrancar o sorriso de alguém, o Papai Noel mais ainda. É bom demais ver que elas entram no ônibus e conseguem se sentir bem. Entra, às vezes, aborrecida e depois de alguma brincadeira a pessoa consegue sorrir e deixar de lado os problemas, nem que seja por cinco minutos”, confessa. A cumplicidade com os passageiros é tamanha que ele recebe na hora o retorno. Até mesmo daqueles que estão do lado de fora do ônibus. Seja com largos sorrisos, com um “muito obrigada” ou com os acenos de quem está no trânsito. Leia também: Curitibano incorpora o Noel há quatro anos no shopping em Jaraguá do Sul