Antes do interruptor, da tomada e da indústria funcionando a noite, os moradores de Jaraguá do Sul viveram um tempo em que a luz era novidade e privilégio. A eletricidade não chegou de uma vez: ela veio aos poucos, entre iniciativas isoladas, concessionárias regionais, e mais tarde, a integração ao sistema estadual. Foi assim que a cidade começou a trocar o lampião pelo fio.
No início do século 20, a iluminação ainda dependia de lampiões de querosene, que clareavam timidamente as ruas do Centro. O primeiro passo rumo à eletricidade veio em 1913, quando o professor Luiz Abry inaugurou uma pequena usina hidrelétrica para abastecer sua fábrica de bananas, iluminando ruas próximas. Era um avanço importante, mas ainda restrito. Foi nesse cenário que surgiu a Empreusul (Empresa Sul Brasileira de Eletricidade S.A.).

Foto: ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/ARQUIVO FAMÍLIA GRUBBA | O prédio era localizado na rua Pres. Epitácio Pessoa, número 172, atual Celesc
Com sede em Joinville, a empresa passou a atuar em Jaraguá do Sul e em outras cidades do Norte catarinense, organizando a distribuição de energia, instalando postes e levando eletricidade de forma mais regular à população. Em 1949, a Empreusul firmou contratos com o governo estadual para a reconstrução e ampliação das redes elétricas, consolidando seu papel como peça-chave no desenvolvimento.

Foto: ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/ARQUIVO DE LORENO LUIZ ZATELLI | Levantamento dos primeiros postes de energia elétrica
Nos anos seguintes, a cidade foi integrada ao sistema estadual de energia, por meio das grandes linhas de transmissão que passaram a abastecer o Norte de Santa Catarina. A estrutura construída e operada pela Empreusul preparou Jaraguá do Sul para esse salto. Com a estatização do setor, a Celesc assumiu gradualmente as concessões regionais, encerrando a atuação da Empreusul, mas garantindo um sistema unificado, estável e definitivo.

Foto: ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/PUBLICADO POR ZILDA DE SIQUEIRA | Antigos funcionários da Empreusul no ano de 1968