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MEMÓRIA | Bar Catarinense: quando a história veio abaixo

Foto: Construído em 1931, o prédio integrava o entorno do Centro Histórico e era considerado referência arquitetônica

Por: Milena Natali

24/02/2026 - 05:02

Entre um gole de café forte e o estalo seco da bola branca na sinuca, Jaraguá do Sul aprendia política, futebol e galanteio no antigo Bar Catarinense. Ali, na esquina da Getúlio Vargas com a Coronel Emílio Carlos Jourdan, não funcionava só um comércio: funcionava um pedaço da cidade. E quando suas paredes vieram abaixo, não foi apenas um prédio de 1931 demolido, foi uma memória reduzida a “entulho”.

 

Segundo relatos, atrás do balcão sempre ficava um dos proprietários, observando tudo com muita cautela. As cadeiras eram da lendária Móveis Cimo S/A. No canto do café reuniam-se o promotor, o juiz, comerciantes tradicionais, e os meninos que ensaiavam assobios para as moças que atravessavam a rua quase correndo. Dizem que no futebol os astros eram Pitoco e Bubuca. Mas, na sinuca, Bubuca era imbatível.

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Foto: Arquivo histórico | Construído em 1931, o prédio integrava o entorno do Centro Histórico e era considerado referência arquitetônica

O estabelecimento viu brigas homéricas, discussões políticas acaloradas e reconciliações embaladas em gargalhadas. Viu também crianças brincando nos fundos, dinheiro passando de mão em mão e a cidade se transformando aos pouquinhos. Para a época, o bar era “a” atração, bebidas de todos os tipos e sabores expostas na prateleira de madeira faziam qualquer um parar para experimentar e apreciar.

Foto: ANTIGAMENTE EM JARAGUÁ DO SUL/FAZENDA LEÃO DA MONTANHA | Durante décadas, o espaço foi ponto de encontro político, social e econômico

Construído quando Jaraguá ainda nem era município emancipado, o prédio resistiu ao tempo mesmo com o bar desativado até enfrentar um certo golpe. A prefeitura negou alvará para demolição, alegando valor histórico e localização no entorno do Centro Histórico. Ainda assim, por decisão judicial, as máquinas avançaram. E então, onde antigamente ecoavam debates e tacadas, abriu-se espaço para um estacionamento. A cidade cresce, mas nem sempre leva junto aquilo que a fez ser cidade.

Foto: CULTURA ITAPOCUENSE | Manifestação pacífica reuniu artistas e moradores após a demolição do prédio em 2008

 

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Milena Natali

Graduanda em Jornalismo pela Faculdade Bom Jesus IELUSC, redatora de entretenimento/cotidiano e colunista de história no jornal impresso.