Criatividade, agilidade e um bom vocabulário. A combinação desses três ingredientes aliada à vontade de fazer bonito resulta em rimas envolventes, que levantam o público e ajudam a movimentar uma cena ainda pouco explorada em Jaraguá do Sul e região. Ao menos uma vez por mês, um grupo formado por MCs experientes, novatos e por quem gosta de rap se reúne na Praça Ângelo Piazera para explorar e mostrar que o hip hop está presente na cidade. O movimento, hoje conhecido como Batalha da Quadrinha, mas que se espalha com outros eventos, nasceu na garagem de uma casa. Atualmente, ocupa um espaço público com o intuito de fortalecer a cena e despertar novos talentos. Conforme explica o DJ e MC Jean Zatelli, conhecido como Zata, tudo começou quando alguns amigos se reuniram para ouvir um som e fazer rimas. “Essa cena nova começou na minha casa há uns seis anos com o ‘rap de garagem’. Conforme foi aumentando o público, tivemos que mudar de lugar”, conta. Também fundador do grupo, Luis Henrique Souza, o Talibã, completa dizendo que a procura motivou o grupo a fazer uma batalha fixa todos os meses.  A dupla conta que no início cinco pessoas “colavam” nos eventos. “Depois o pessoal foi chegando aos poucos e agora já alcançamos um público de cem pessoas apenas em um encontro”, comemora Talibã. Para os dois, os eventos servem para aumentar o público desse gênero e são uma forma de aprendizado. “Ainda há uma criminalização desse estilo na cidade, mas a gente procura fazer esses eventos para justamente quebrar isso, para mostrar que há qualidade no que é feito”, esclarece Zata. Para Talibã, as rimas das batalhas também são um exercício e aprendizado. “Eu, por exemplo, estudo muito. Leio muitos livros para adquirir conhecimento e saber o que estou falando, além de expandir o vocabulário. É o que eu faço e o que dá certo para mim”, diz ele, dando a dica para aqueles que quiserem se aventurar por esse caminho.  A próxima edição da Batalha da Quadrinha acontece no próximo domingo (27), a partir das 15 horas, na Praça Ângelo Piazera. Geralmente, ela ocorre em forma de batalhas com 16 MCs duelando. Os participantes são separados em duplas e, durante o duelo, cada um dos dois tem 30 segundos por round para “atacar o rival”. No final do segundo round, a plateia é quem vota no que mais gostou e ele passa para a próxima fase. A batalha segue até restar somente um competidor, o vencedor. Além dos eventos, a dupla, com participação de outros colaboradores, mantém a página facebook.com/hiphopjaraguadosul. Nela, são publicados trabalhos que abrangem música e dança. SERVIÇO  O quê: Batalha da Quadrinha  Quando: domingo (27), a partir das 15h  Onde: Praça Ângelo Piazera, Centro de Jaraguá do Sul  Quanto: R$ 3 por trio que quiser competir | gratuito para quem for assistir  

DOENÇA LEVOU AO MUNDO DAS RIMAS

A paixão por hip hop era algo que já movia o jovem Jean Zatelli, 25 anos. Porém, foi no período que lutava contra um câncer – ele descobriu a doença há cerca de cinco anos – que resolveu se dedicar às rimas e composições. Como teve que amputar uma das pernas por causa da doença, deixou de lado a dança para se dedicar ao rap. “Comecei aos pouquinhos e lancei meu primeiro som no Youtube, as coisas foram acontecendo e hoje, apesar do rap ainda não ser meu trabalho, é o que mais gosto de fazer'', conta.
Realizadas uma vez por mês, batalhas são palco de desenvolvimento musical e diversão | Foto Divulgação
Em suas letras, Zata fala das experiências que vive. “Procuro falar do meu dia a dia e até histórias da minha família, mas passar uma mensagem que as pessoas vão se identificar e vai fazer alguma diferença para elas”, explica. Para ele, o rap teve ainda tem um papel fundamental em sua vida. “É tudo o que eu faço, é o que eu vivo. Acima de tudo, o rap é liberdade de expressão”, completa. O trabalho dele pode ser conferido no facebook.com/zatarap.