A Fatma (Fundação do Meio Ambiente) deve divulgar nesta terça­feira, dia 19, o relatório das análises na foz do rio Perequê, na divisa dos municípios de Porto Belo e Itapema.
Conforme matéria do Jornal de Santa Catarina, no domingo, dia 17, uma mancha escura foi registrada por um piloto de ultraleve e horas mais tarde, veranistas observaram que havia peixes mortos na praia.
Foto: Grupo RIC/ND
Foto: Grupo RIC/ND
Nesta segunda, dia 18, técnicos estiveram no local, mas não quiseram se manifestar antes do resultado das análises. Se confirmada a contaminação da água, trechos da praia podem ficar interditados para circulação de turistas. Bombeiros do local orientam banhistas a se manterem afastados da região afetada.
“Ainda não podemos afirmar o que é e de onde veio, mas a suspeita é de que se trata de esgoto”, afirmou o gerente regional da Fatma, Arno Guesser, em entrevista ao jornal Notícias do Dia.
Nesta segunda, ele participou de uma reunião técnica com representantes da Conasa (Companhia Nacional de Saneamento Conasa – Águas de Itapema), que foram notificados a prestarem esclarecimentos.
A Conasa é responsável pelo tratamento de esgoto de Itapema, e mantem uma estação que joga o efluente tratado no rio da Fita, um dos afluentes do Perequê. A empresa se manifestou publicamente e alegou que a estação funciona dentro da normalidade e obedecendo aos parâmetros de qualidade exigidos na legislação.
Segundo a diretora de licenciamento ambiental da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Porto Belo, Roberta Ribas Ruthner, foram colhidas amostras em diferentes pontos do rio e da praia. “Ainda não temos confirmação e estamos aguardando o resultado das análises para tomar as providências”, disse.
O resultado de análise demora 24 horas para ficar pronto e deve ser divulgado na tarde desta terça, dia 19.
Em 2013, um trecho de 300 metros da praia de Perequê chegou a ser interditado após vazamento de esgoto no rio. Na época, a Conasa foi multada em R$ 500 mil.
Costa Esmeralda ameaçada
Perequê tem águas calmas e claras. Com uma faixa de areia de 2,5 km de extensão e bem larga, possui clima familiar e ideal para a prática de esportes, na areia ou na água. O local é uma das atrações no Litoral Norte, que ao lado das praias de Itapema e Bombinhas formam a chamada Costa Esmeralda.
O verão é o momento de comerciantes e empresários faturarem com os atrativos que a natureza proporcionou ao local. No entanto, a falta de planejamento urbano ao longo dos anos tem cobrado caro a moradores, investidores e turistas.
No último relatório de balneabilidade emitido pela Fatma, em 15 de janeiro, dos três pontos da praia analisados, apenas um estava próprio para banho.
A situação é pior se analisado toda a Costa Esmeralda. Em Itapema, dos oito pontos analisados, quatro são impróprios. Em Porto Belo a situação é ainda pior, de seis pontos, apenas dois estão próprios para banho. Apenas Bombinhas tem apresentado melhores resultados, com oito pontos analisados, tem seis deles com a qualidade própria.
Esgoto sem tratamento no mar
Porto Belo não tem sistema de tratamento de esgoto municipal. Atualmente, apenas fossas e caixas de gordura fazem o filtro dos dejetos que acabam sendo despejados nos córregos e rios, e vão parar no mar.
Em 2012, o município teve parte do orçamento de saneamento, R$ 8 milhões, suspensos pelo governo federal depois de constatadas irregularidades na aplicação do dinheiro.
O sistema de saneamento de Porto Belo foi municipalizado em 2010, quando o município foi contemplado com verba federal para implantação da rede coletora e a construção de uma estação de tratamento. No entanto, após as irregularidades, o TCE (Tribunal de Contas do Estado) suspendeu o contrato.
Na época, a União disponibilizou R$ 16 milhões. Parte da rede coletora chegou a ser instalada, mas não leva a nenhuma estação. Após vistoria dos técnicos do governo federal, em 2012, a prefeitura foi notificada para atender as pendências que constam no Parecer Técnico e Relatório de Vistoria de
Acompanhamento de Obra. Foram apontadas mais de 20 irregularidades, entre elas a não especificação da aplicação de R$ 3 milhões dos recursos que seriam empregados na obra.
“Estamos enfrentando problemas deixados pela administração passada. Atualmente temos um contrato com a Casan que vence este ano. A nossa ideia é renovar com a Casan para que ela assuma a situação do esgoto da cidade”, afirmou o procurador da Fundação do Meio Ambiente de Porto Belo, Adilson Machiavel.
Fonte: ND