Explorar lugares pelo mundo sempre esteve nos planos do casal Anderson e Maria Cristina Kohler, mas uma oportunidade de trabalho fez eles embarcarem para Joanesburgo, na África do Sul. Desta vez, sem passagem de volta.

Anderson, de 37 anos, e Maria Cristina, de 35 anos, começaram a namorar no tempo de escola. Os dois fizeram curso técnico juntos e ingressaram para a faculdade de sistemas de informação.

Poucos meses depois, ele se mudou para o curso engenharia de produção após uma chance de trabalho.

Magnifico pôr do sol | Foto Arquivo Pessoal

Cristina continuou na área de TI e se formou na Universidade da Região de Joinville, enquanto Anderson terminou a faculdade de Engenharia, pela Católica de Jaraguá do Sul.

Em agosto de 2017, ele estava atuando como chefe na área de processos da WEG, em Jaraguá do Sul, quando foi chamado para gerenciar uma das plantas da multinacional jaraguaense na África do Sul.

Cidade do Cabo, capital da África do Sul | Foto Arquivo Pessoal

Como qualquer mudança, sempre predomina um ar de indecisão. Eles sabiam que ao partirem para Joanesburgo deixariam para trás muitas coisas, principalmente amigos, família e o emprego de Maria Cristina, que era Analista de Sistemas na mesma empresa do marido.

"O sonho da minha esposa era morar fora, mas quando bate na porta a oportunidade, o coração acelera", relata Anderson.

Dificuldades na mudança

Para o casal, "férias" significa conhecer novos lugares ao redor do mundo. E juntos, os dois embarcaram em aventuras por países como Estados Unidos, Espanha, Portugal e Inglaterra. Com essas viagens, eles sabiam que um dia a chance de morar fora do país iria chegar.

Durante as férias, o casal passou pela cidade de Toledo, na Espanha | Foto Arquivo Pessoal

Antes da mudança definitiva, eles foram até Joanesburgo para conhecer a cidade, o novo trabalho e procurar um lugar para morar. Quando chegou o dia da mudança, por um lado havia a alegria de uma nova vida na África do Sul, a insegurança e um pouco de tristeza também eram sentidos.

"Em poucos dias você vê tudo que conquistou se transformar em algumas malas", conta Anderson.

O casal relata que quando se viaja a turismo é tudo mais fácil, mas para morar o nível de exigência é muito maior, e coisas simples passaram a ser complicadas de se resolver.

O casal aproveitando o lindo por do sol em Joanesburgo | Foto Arquivo Pessoal

Abrir conta em banco, comprar um carro, fazer seguro, solicitar cartão de crédito, contratar uma televisão por assinatura, foram algumas coisas que os dois tiveram um pouco de dificuldade para resolver.

Resquícios do Apartheid

Passado o início da mudança, as coisas foram se ajeitando e eles começaram a ver o país de uma outra maneira. O casal fala que os africanos são alegres e receptivos, similar ao povo brasileiro.

Mas eles perceberam que a desigualdade social é muito grande. "Parece que o primeiro e quinto mundo estão lado a lado", relata Maria Cristina.

Praia dos pinguins | Foto Arquivo Pessoal

Anderson acha que os traços deixados pelo Apartheid são o grande motivo para essa diferença. Eles contam que muitos presenciaram o regime de segregação racial, que terminou em 1994, e até hoje são afetados pelas consequências do regime de descriminação que foi instituído no país.

Gastronomia e turismo

O casal jaraguaense não ficou encantado somente com o jeito simples e alegre dos africanos, mas também com a gastronomia do país. Os pratos que eles mais gostaram é o Brai, que é o churrasco dos africanos, e o Boerewors, uma salsicha tradicional.

"O atendimento em bares e restaurantes é muito bom. Nesse ponto, eles dão de 10 a 0 no Brasil", enfatiza.

Anderson ressalta a grande semelhança que os africanos tem com os brasileiros. Para ele, é fácil ver um sorriso no rosto dos nativos, facilitando a adaptação ao local. A comida é outro ponto que ele percebe um aspecto similar em relação ao Brasil.

Anderson e Maria Cristina aproveitando a visita no Lion Park | Foto Arquivo Pessoal

Os dois aproveitam para saborear os sensacionais e baratos vinhos africanos, em Joanesburgo, que também tem outras opções na culinária, como mexicana, italiana, indiana, chinesa e grega.

"Eles adoram uma pimenta e o tempero africano é sensacional", relatam.

Anderson diz que as pessoas ficam "presas" a Europa e os Estados Unidos, porém ele ressalta que o continente africano tem lugares lindos e bem preparados para o turismo. "Safáris, praias, cânions e grandes centros com preços acessíveis. Muito mais em conta que Estados Unidos e Europa", indica.

Uma das dificuldades de adaptação que o casal enfrentou foi em relação ao trânsito, já que a África do Sul adota a mão inglesa, ou seja, o motorista fica no lado direito.

Anderson registrou o momento que passava por duas zebras | Foto Arquivo Pessoal

Maria Cristina diz que a coisa que mais chama atenção em Joanesburgo é a estrutura, com estradas ótimas, prédios imponentes e casas com ótima arquitetura.

Segurança

Anderson fala que os africanos são loucos por segurança. As casas e condomínios têm muros altos e cercas elétricas. Mas ele ressalta que a violência não se compara com as grandes cidades do Brasil.

"Segurança foi nossa maior preocupação no começo, mas nunca nos sentimos inseguros", frisa.

No Brasil é fácil diferenciar uma viatura de polícia com carros normais. Na África do Sul, é comum alguns policiais andarem de BMW e veículos sem identificação, ficando difícil de diferenciar quando é um policial.

Cidade do Cabo | Foto Arquivo Pessoal

O policiamento é extensivo em Joanesburgo, com muita blitz, por isso beber e dirigir na África do Sul é um perigo ainda maior.

Curiosidades

Em Joanesburgo não existe ônibus como transporte público, eles usam uma van que chamam de táxi. É difícil entender como funciona o esquema com as vans, já que só os negros usam e eles se comunicam por gestos para saber onde vão.

Outra curiosidade do país, é que eles tem 11 línguas oficiais, sendo uma loucura completa para os estrangeiros entenderem. Mas todos os africanos sabem falar inglês.

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