A paixão por viajar está nas raízes de Anapaula Stinghen. Aos nove anos, a jaraguaense precisou se mudar para o Rio Grande do Sul quando seu pai foi transferido para gerenciar uma empresa.

Ele, como um bom caminhoneiro, gostava de viajar, e juntos eles andavam pelas estradas gaúchas e catarinenses, sempre tendo Jaraguá do Sul como principal destino.

Em 2008, Anapaula se formou em Engenharia Química pela Universidade Regional de Blumenau (Furb). Rapidamente entrou na Weg, na área de Engenharia Industrial, e depois encontrou a possibilidade de se mudar. Após algumas frustrações, o sentimento de mudança rondava seus pensamentos.

"Eu queria mudar de rota, viver e ser feliz", ressalta.

O recomeço veio depois dos 30 anos, quando ela precisou ir para uma filial da empresa em Nantong, na China. Em 2016, a engenheira passou três meses no país asiático e voltou no ano seguinte, quando foi expatriada ao lugar que até hoje chama de lar.

Ana visitando o Zhangjiajie National Forest Park. | Foto Arquivo Pessoal

No meio empresarial, o termo expatriado é utilizado para se referir ao profissional que foi transferido para trabalhar em outra nação.

A ida para China em 2016 foi mais fácil por quê ela sabia que tinha passagem de volta para o Brasil. Mas quando soube que seria expatriada foi uma mistura de sentimentos.

De um lado, Ana estava ansiosa e preocupada, por outro, havia a sensação de que a receita da felicidade poderia estar no outro lado do mundo.

Adaptação ao novo lar

Os seus primeiros passos na china foram rodeados por um grande choque cultural. Era difícil se acostumar com a comida e a rotina chinesa. Mas aos poucos, ela foi se adaptando e encontrando a felicidade que tanto procurava.

A engenheira conta que os chineses são bem tímidos e reservados, totalmente ao contrário da espontaneidade dos brasileiros. "Eu cheguei abraçando todo mundo, mas eles ficavam assustados", conta a jaraguaense.

Ana visitou a famosa Hong Kong. | Foto Arquivo Pessoal

Outro aspecto do povo chinês que Ana percebeu é a forma como eles levam a amizade e os encontros. Na China, tudo funciona como uma troca.

"Se um chinês te convida para sair, você precisa convida-lo também. E quem convida sempre paga a conta, não existe essa história de dividir", explica a engenheira.

Apesar disso, a jaraguaenses comenta que eles adoram receber estrangeiros, são bem acolhedores e sempre tentam ajudar as pessoas, mas não criam um laço de amizade, um afeto como no Brasil. "Eles são bem solícitos e frios ao mesmo tempo", completa.

Culinária chinesa

"Saudade da comida brasileira", é assim que Ana responde quando é perguntada sobre a culinária chinesa. A engenheira fala que na China a comida é bem gordurosa e apimentada, com vários temperos e especiarias.

Existem pratos, como tofu e que incluem insetos, que ela não faz questão de comer, mas dá uma chance para o macarrão e arroz frito.

Ana registrou sua ida em um mercado chinês. | Foto Arquivo Pessoal

Outras particularidades da culinária chinesa é o excesso de óleo e sal que eles colocam, além do pé de galinha, quepara os chineses é um petisco de tanto que comem.

"É uma sensação ótima relembrar o gosto de uma pizza, coxinha e pão de queijo quando volto para o Brasil", comenta Ana.

Aventuras pela Ásia

Apesar de tantos lugares que Anapaula já visitou, ela conta que sua maior aventura, foi justamente a primeira em seu novo país.

Em 2016, a engenheira foi sozinha em um trem noturno para Pequim, no caminho para conhecer a Muralha da China e a Cidade Proibida. Essa viagem foi transformadora e libertadora, dando um estímulo para a jaraguaense visitar mais lugares.

Anapaula visitando a Muralha da China em 2016. | Foto Arquivo Pessoal

Anapaula não se contentou apenas em conhecer a China, pelo contrário, ela visitou as maravilhas de outros países asiáticos, curtindo as belas noites em Kuala Lumpur, onde visitou o Petronas Twim Towers, que é um dos pontos mais lindos e históricos da Malásia.

Ela passou as férias em um dos países mais modernos do mundo: Singapura. Entre os prédios impotentes do país, se destaca o Marina Bay Stands, com três torres com 57 andares e no alto uma plataforma em formato de barco, que dá lugar a piscina mais alta do mundo, que a jaraguaense aproveitou para dar um mergulho.

Foto Arquivo Pessoal

Ana ficou encantada com o modernismo de Singapura (Singa como ela costuma chamar). A engenheira conta que é uma cidade linda, super-desenvolvida e muito limpa.

"Um país muito jovem (50 anos), que rapidamente se tornou um dos mais ricos e incríveis do mundo", frisa.

Nem só de grandes edificações vive a Ásia. Ana também aproveitou sua pausa no trabalho para viajar na maior ilha do Vietnã, a Phu Quoc.

"Aqui eu tive a oportunidade de conhecer países que eu jamais imaginaria visitar. Aqui está sendo uma das minhas maiores aventuras",

O belo pôr do sol em Phu Quo, no Vietnã. | Foto Arquivo Pessoal

Em 2018 foi a vez de visitar um país euro-asiático, que estava sediando o maior evento esportivo do mundo.

Isso mesmo, Ana foi com seu namorado, Arthur Ferreira, para a Copa do Mundo da Rússia. Ela estava em Cazã, quando o Brasil foi eliminado pela Bélgica.

Ana e Arthur acompanharam em loco a Copa do Mundo. | Foto Arquivo Pessoal

Por falar em namorado, Arthur tem uma história bem parecida com Ana. Também engenheiro, ele é natural de Curitiba e foi para China trabalhar na mesma empresa da jaraguaense, só que há 100 quilômetros de distância. Os dois se conheceram na China, em 2016, e no ano seguinte começaram a namorar.

Ana já se aventurava sozinha para conhecer as belezas do continente asiático, com o novo companheiro, a situaçaõ se intensificou e o que os dois mais fazem é viajar

Neve em Nanquim, cidade que fica a 200 quilômetros de Nantong. | Foto Arquivo Pessoal

Jaraguá na China

Já é difícil pensar que você poderá encontrar um produto brasileiro na China, agora imagina achar um alimento produzido na sua cidade natal, que fica há mais de 19 mil quilômetros de distância de Nantong.

Pois é, Anapaula encontrou em um supermercado chinês seu macarrão de arroz favorito, da Urbano Alimentos.

Ana encontrou alimento jaraguaense na China. | Foto Arquivo Pessoal

Ela ficou surpresa por encontrar o alimento, que a faz lembrar um pouquinho de casa. "Quando estava comendo, eu lembrei do meu cantinho na casa da mamãe", relata.

Entrando na cultura chinesa

Anapaula conta que na China o chá é uma coisa séria. A cerimônia do chá é um momento de paz, harmonia e respeito. No começo do mês, ela foi pela a primeira vez em uma casa de chá e ficou encantada com a variedade de aromas e sabores.

"Eles tem um cuidado com os bules, as xícaras, todos os equipamentos, dando um charme todo especial para este momento", percebeu.

O chá é uma bebida sagrada na China

Então, se você for para a China não se espante, o chá quente é bebido em todas as estações do ano, inclusive em um calor de mais de 40º graus. Ana disse que a maioria dos moradores tem um armário com várias garrafas de chás.

Para entrar mesmo na cultura chinesa, Ana começou há três meses um curso para aprender a língua de seu novo país. A dificuldade do idioma chinês está sendo sentida na pele por Ana. "É muito difícil, é como nascer de novo", expõe.

Outra curiosidade na China é sobre a cerveja, que é tomada quente. Ana não sabia e pediu uma Corona gelada, em Chanhzou. Então o garçom trouxe a cerveja com um copo de gelo, para espanto da jaraguaense.

Na China, a cerveja é bebida quente. | Foto Arquivo Pessoal

Assim, Ana vai levando a vida em seu novo país. Sempre quando pode, ela volta para Jaraguá do Sul visitar a família, mas garante que está feliz em um país com uma cultura totalmente diferente do Brasil.

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