Elisângela Zakrzewski caminhou por 21 dias até Santiago de Compostela | Foto Arquivo Pessoal
Elisângela Zakrzewski caminhou por 21 dias até Santiago de Compostela | Foto Arquivo Pessoal

A peregrinação de Santiago de Compostela entrou na vida de Elisângela Zakrzewski muito antes de ela calçar o tênis, colocar a mochila nas costas e iniciar efetivamente a aventura que duraria 21 dias.

A consteladora sistêmica não queria apenas viajar até o famoso destino, ela queria peregrinar até ele, caminhando por todo o caminho. O objetivo era bastante claro: buscar força e coragem capazes de fazê-la “largar o certo pelo sonho”.

No dia 7 de setembro de 2018, Elisângela embarcou para Madri, onde subiu em um ônibus até Burgos e depois até Leon, onde no dia 10 iniciou a caminhada. Os 21 dias não foram escolhidos ao acaso, explica ela.

“A neurociência explica que para mudar um padrão comportamental, temos que fazer por 21 dias e a minha ideia de caminhar foi para que eu pudesse ir largando alguns pensamentos pelo caminho. A peregrinação proporciona ainda o alinhamento de pensamentos”, conta.

Aos 37 anos, Elisângela sabia que precisava dar uma guinada na vida profissional e buscou na famosa peregrinação a força e coragem para dar o passo seguinte. E conseguiu.

Ao retornar para o Brasil, mudou de carreira, como já havia sentido a necessidade. A caminhada de 21 dias totalizou 450 quilômetros.

Ela diz que, para que mudanças possam ocorrer, é necessário se permitir sair do controle e deixar que a intuição fale e guie.

“Nós temos essa sabedoria e é isso que precisamos deixar aflorar mais para que se possa ser cada vez mais feliz. A vida não é morna, ela é feita para seguirmos e para isso é necessário coragem para sair de uma zona chamada conforto. Nós crescemos muito quando saímos dela. Crescemos como pessoa, como ser humano, como profissional”, ressalta.

Com o propósito de inspirar pessoas, Elisângela deixou o meio corporativo depois de 18 anos para traçar um caminho voltado à atuação terapêutica.

Para ela, as pessoas precisam deixar de procurar no outro as respostas para suas dúvidas, questões e desejos e a peregrinação, sozinha, acompanhada de uma mochila de pouco mais de 4,5 quilos e uma guia, reforçou a necessidade de se ouvir.

“É preciso se escutar. As respostas não vem do outro, nós sabemos o que temos que fazer, só precisamos nos ouvir. As palavras de ordem devem ser entrega, coragem, desafio. É a coragem da entrega, a coragem de ir em direção ao desconhecido e substituir a palavra difícil por desafiador”, salienta.

Foram 450 quilômetros em 21 dias | Foto Arquivo Pessoal

8 aprendizados da peregrinação

1 – Planejamento

Como para tudo na vida, é necessário estimar a sua disposição em fazer o caminho, levar o mínimo.

2 – Zona de conforto x zona de esforço

Mudar é necessário para evolução, para obter novos olhares sobre as pessoas e coisas.

3 – Apenas seja melhor que você foi ontem

A única missão que temos aqui é nos “trabalharmos”, evoluirmos para sermos seres humanos melhores. Superação individual.

4 – Aprenda com os erros dos outros

Observe o que deu certo e o que não teve sucesso na caminhada dos outros peregrinos e aprenda. Ande leve e deixe os excessos!

5 – O peregrino pratica a auto observação, se escute

Você sabe quais são as suas reais necessidades?  Já parou para se perguntar? Somente você estando bem, terá condições de fazer o melhor pelo coletivo.

A caminhada é individual, porém, para chegar você precisa saber quais são suas reais necessidades.

6 – O peregrino observa a sua volta, estado de presença

Quais são as reais necessidades das pessoas a minha volta? Na presença posso oferecer o melhor aos outros.

7 – Siga as setas

E se eu errar o caminho? Volte, caminhe novamente e observe as setas indicando o caminho, de alguma forma você chegará ao destino final, cedo ou tarde.

8 – Escolha um bom guia

Durante o caminho estive com uma guia que me auxiliou no meu processo de busca de autoconhecimento, e tive uma bela reflexão.

 

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