Imagine a seguinte situação: uma pessoa com diabetes machuca o pé caminhando, mas não sente nada na hora. Com o passar do tempo, o ferimento que parecia inofensivo começa a ficar pior e dá lugar a uma infecção, que se alastra.

Quando chega ao hospital, descobre que a única alternativa é amputar o membro. Pode parecer absurdo um simples machucado chegar a esse ponto, mas não é.

Segundo o Grupo de Trabalho Internacional para o Pé Diabético, o quadro descrito acima é a causa número 1 de amputações não traumáticas no país.  Ainda de acordo com a organização, um caso de amputação do membro ocorre no mundo a cada 20 segundos por falta de cuidados adequados com a doença.

Ajudar a evitar que os portadores de diabetes passem por esse sofrimento é o objetivo do aplicativo “Meu Pé”, que está sendo desenvolvido pelos acadêmicos Douglas Wille, de Jaraguá do Sul, e Eduardo Mauricio Barbiero, de Joinville. Ambos são alunos do curso de sistemas de informação da Católica de Santa Catarina.

A proposta, em fase de finalização, tem o objetivo de prevenir a amputação do pé em diabéticos, por meio da análise do membro do paciente. O programa traz um questionário em que o usuário responde como está o pé dele hoje, selecionando uma opção entre as sensações sugeridas: inchado, vermelho, quente, com calos, com feridas, pálido, gelado, doloroso, sem sensibilidade ou deformado.

Em seguida, responde se já amputou um dos pés ou se já teve feridas. Caso não tenha amputado, o usuário tira uma foto do pé e, após uma análise, o programa traz sugestões ou cuidados que ele precisa tomar conforme o grau de risco de amputação, como: evitar andar descalço, usar calçado ortopédico ou procurar um médico imediatamente.

O aplicativo também mandará ao paciente lembretes periódicos sugerindo que ele faça nova avaliação via celular. Também manterá um histórico desses dados para que o usuário acompanhe se a doença piorou, regrediu ou estabilizou.

“É um trauma imenso quando a doença evoluiu ao ponto do paciente precisar amputar o pé, pois isso impacta diretamente na sua vida. O aplicativo é uma forma da pessoa reforçar os cuidados e ficar atenta aos sintomas que indicam o grau de risco de perda do membro”, explica Douglas.

A parte de consultoria médica do aplicativo é feita pela ortopedista Bárbara Pupim, que idealizou o projeto junto com os estudantes. Ela destaca que os aplicativos sobre pé diabético disponibilizados hoje no mercado são voltados para ajudar os médicos a identificarem o problema, mas que faltava uma tecnologia que auxiliasse os diabéticos a acompanharem a própria doença.

“Como a proposta do aplicativo é usar uma linguagem bem simples, é uma forma bem fácil e acessível do paciente perceber as mudanças no pé e também de conscientizar as pessoas sobre a doença, os sintomas que apresenta e os cuidados necessários para o seu controle adequado”, avalia Bárbara

Futuramente, os dados armazenados também poderão ajudar os municípios a mapear as regiões com maior incidência de pé diabético, para traçar futuras políticas de prevenção junto aos órgãos públicos.

O “Meu Pé” deve começar a ser utilizado de forma experimental por pacientes diabéticos em março de 2018 e ficará em fase de testes por cerca de seis meses.

A previsão é de que o aplicativo seja lançado no segundo semestre do ano que vem, quando ficará disponível gratuitamente no Google Play e na Apple Store, para usuários de celulares Android e iOS.