Há cinco anos, o assistente administrativo Rafael Leite substituiu a tranquilidade das férias no mês de janeiro por duas semanas intensas de trabalho. Desde 2013, ele utiliza parte de sua folga para atuar como voluntário no Festival de Música de Santa Catarina (Fe­musc) e agora se prepara para viver novas experiências lidando com professores, alu­nos e público que prestigia o festival. O voluntariado é combinado com outra boa ação: ele hospeda gratuitamente em sua casa algum participante do evento.
Assim como Leite, muitos jaraguaenses e moradores da região se preparam para o festival, que começa neste domingo, seja organizando a agenda para acompanhar as apresentações, alugando um quarto ou a casa ou preparando seu estabelecimento para bem receber os visitantes que chegam na cidade. Para o jovem de 25 anos, a opor­tunidade de trabalhar e receber alguém do festival é rica pela troca cultural e de conhecimentos. “Comecei hospedando uma pessoa da Colômbia, depois hospedei brasileiros. Tive a ideia para justamente ajudar, mas é legal, principalmente por ser alguém de fora, porque não tenho con­dições de fazer um intercâmbio e o outro país vem até a minha casa”, explica.
Foram tantas pessoas que solicitaram uma vaga na casa pela internet que a hos­pedagem acabou passando para outras pessoas da família. Leite conta um tio também se ofereceu para hospedar alu­nos. “Sempre indico para os meus amigos participarem do festival, prestigiarem e se puderem trabalhar como voluntário porque é muito bacana. É um evento que mexe com a cidade, parece que ela fica mais alegre e é legal ver os músicos espa­lhados por aqui”, completa. Ao todo, 50 pessoas atuam como voluntários nas mais distintas áreas do festival.
Para o presidente executivo do Fe­musc, Fenísio Pires Júnior, o jaraguaense cultivou o sentimento de pertencimento com o festival, por isso o grande número de pessoas que se dedica para trabalhar de graça ou ajudar da forma que puder. “Durante esses 12 anos, vimos o aumento do público - nos primeiros Femusc brin­cávamos que tinha mais gente no palco do que assistindo - e percebemos que o público foi se qualificando junto com o festival e está percebendo a consolidação do mesmo, fica feliz com isso”, defende.
Uma das formas de fazer com que o Femusc atingisse uma fatia maior da ci­dade foi a realização dos chamados con­certos sociais. As apresentações ocorrem em palcos alternativos como hospitais, lar de idosos e shopping. Junior acredita que o sentimento é compartilhado não apenas por aqueles que prestigiam o Femusc, mas também por quem ajuda o festival a ganhar forma. Ele estima que cerca de 450 pessoas estejam trabalhando de forma direta ou indireta na organização, entre funcionários, empresas terceirizadas e voluntários.
A intenção é incrementar o turismo cultural
Além de movimentar o público, o Femusc, ainda que de maneira tímida, movimenta algumas áreas econômicas da cidade. De acordo com a presiden­te do Vale dos Encantos Convention & Visitors Bureau, Edilma Lemanhê, um dos principais setores aquecidos é o hoteleiro. “De forma geral, os meses de maior impacto que temos na área hoteleira é obviamente durante o Fe­musc. Caso contrário, para a rede em tempos anteriores, esse era um mês de férias coletivas. Efetivamente Jaraguá tem turismo de negócios que no mês de janeiro não ocorre e nesse aspecto a rede hoteleira está feliz com o impacto que o Femusc traz”, explica.
Edilma estima que a ocupação, du­rante o festival, chegue a 70% da capaci­dade total da cidade, superando a média de ocupação que é de 35%. “Percebemos que o comércio, de maneira geral, não é tão impactado e o setor da gastronomia é atingido, mas ainda não da maneira como esperamos. Além de movimen­tar quem é da cidade, queremos que o turista que está nas praias da região venha para cá e fique nos hotéis, assista concertos, faça compras e curta a cidade como um todo”, estima.
Segundo a presidente, as pessoas têm noção da importância cultural do festival, mas também é preciso conscien­tizar os empresários do poder de geração econômica do evento. “Nos estudos e levantamento que fizemos, percebemos que a cultura é um dos principais pi­lares da economia turística da região, em segundo vem o turismo religioso e depois o de esporte e aventura. E é isso que precisamos fortalecer. Jaraguá do Sul é diferenciada em relação com con­sumo cultural, por esse aspecto é que temos público garantido em todos os dias de festival e que podemos apostar nele como gerador de economia”, estima.