O Danilo Radke que em 2016 começou a página de humor Putz Casei não é mais o mesmo, dois anos depois. Para começar, ele terminou a relação com a noiva, com quem a “divisão de teto” motivou as piadas sobre casamento que conquistaram uma legião de seguidores no Facebook – hoje, o perfil contabiliza 332 mil curtidas. Em segundo lugar, ele mudou de Joinville para São Paulo, e, em terceiro, levou o Putz Casei para além da internet.

Em setembro de 2017, Radke lançou, na Bienal do Rio de Janeiro, o livro homônimo que compila textos da página e outros inéditos. Ele vendeu até agora cerca de cinco mil exemplares e continua à venda online (AQUI). Mesmo com o sucesso, o publicitário joinvilense reduziu o foco no Putz Casei neste ano – por questões pessoais, segundo ele -, mas garante que retomará o ritmo em 2019, até porque, morando na capital paulista, tem mais acesso aos meios de comunicação.

Orelhada conversou com Danilo sobre a página e os planos para ela, que continuará tratando com bom humor o cotidiano dos casais, mesmo com a atual solteirice de seu autor.


Foi o sucesso da página que motivou você a lançar o livro?

Danilo Radke - A página teve um crescimento muito grande e rápido. Muita gente se identificava, marcava amigos e, principalmente, o companheiro ou companheira. Mas o livro surgiu mesmo depois de um texto que fiz brincando com a situação de quando o Paulo Zulu postou um nude. O texto viralizou, teve um alcance enorme e a página dobrou o número de curtidas. Depois disso, surgiu uma agência interessada em fazer todo o processo de lançamento do livro. O nome da agência é Increasy. Eles correram atrás de tudo, e depois de aparecerem algumas editoras interessadas, assinamos com a BestSeller.

A que você deve o sucesso do Putz Casei? Casamento só é engraçado mesmo quando é com os outros?
Danilo - Acredito que teve um crescimento tão grande justamente pelo fato da identificação. A maioria dos casais, seja namorados, noivos ou casados, passa por estas situações. Sempre tentei abordar temas que eu via que eram cotidianos mesmo. E a ideia era ter um ponto de vista neutro, sem puxar para o lado do homem nem da mulher, brincando com as falhas comuns de cada um.

A inspiração sempre vinha de casa?
Danilo - A ideia da página surgiu quando fui morar com a minha noiva. Eu sempre fui o tipo de pessoa que brincou dizendo que jamais casaria, mas quando fui morar junto com outra pessoa e vi a vida que estava levando, percebi que "putz, casei" (risos). Porém, no começo deste ano o relacionamento terminou. Mas não teve nada a ver com a página, foi uma questão por escolhas profissionais mesmo. (risos)

Mas levar as coisas do casal para a página gerou algum tipo de desconforto?
Danilo - Não, sempre foi algo bem tranquilo. Até porque existia uma preocupação muito grande em nunca perder o respeito. E não digo nem sobre o meu relacionamento, mas sim sobre todos. Como falei: a ideia era brincar com situações do cotidiano, mas nunca tentando prevalecer algum lado.

Você vai retomar a página em 2019. O enfoque será o mesmo ou mudará?
Danilo -  Vai continuar o mesmo. Num primeiro momento até mudaria para falar sobre a vida depois de separar e ir morar sozinho, mas achei melhor não. Então o foco continuará sendo relacionamentos.

As pessoas procuram você para contar coisas interessantes e/ou curiosas a respeito do relacionamento delas?
Danilo -  Sim. Muita gente manda mensagem contando histórias e falando coisas que aconteceram entre o casal. E teve até uma pessoa que me procurou para fazer um pedido de casamento pela página uma vez. Foi um casal do Rio de Janeiro. O pedido foi feito, ela aceitou, eles casaram e têm uma filha hoje. Eles estavam no lançamento do livro no Rio.

Particularmente, o que você aprendeu (ou passou a evitar) sobre relacionamentos fazendo a página?
Danilo - Que se alguma coisa pode dar errada, ela vai dar. (risos) Mas o principal, pelo que via nos comentários e mensagens, é que muitas vezes os problemas acontecem porque falta parceria entre o casal. E nesse ponto os homens normalmente pecam mais. Eles saem de casa pra ir morar com uma mulher achando que vai ser outra mãe.

Nesse sentido, chegavam reclamações de mulheres até você?
Danilo - Sim, recebia muitas reclamações sobre isso. Muitas mulheres falavam coisas do tipo: “Faz um texto sobre homens que não estão prontos para sair da casa da mãe, porque o meu é assim”.

Então quer dizer que os comentários da página viraram meio que um consultório de terapia para casais?
Danilo - Sim, muita gente me procurava pra desabafar. Às vezes pediam conselhos. Várias vezes eu tive que explicar que era só um comediante, e não um psicólogo. (risos)

Mas isso te dava mais artilharia para piadas...
Danilo - Claro! (risos) Muitos textos que fiz foram baseados em histórias de casais que me mandavam mensagens.

Agora que a página se desdobrou em livro, algum outro plano para além da internet?
Danilo - Muita gente pede pra que vire um canal no Youtube. Mas não é algo que penso, pois não tenho perfil para isso. Eu gosto de escrever. A única coisa que venho estudando uma forma de usar é o Instagram. Até tem um perfil da página, mas era mais com fotos pessoais. Por enquanto está lá parado, mas quero usar esta rede social, que hoje é a principal. Já surgiram ideias para virar série, mas é algo muito maior e difícil de realizar.