A alegria e o amor nos olhos de alguém que está mais da metade de sua vida em meio aos jovens ensinando e, junto deles, aprendendo muito também. Izabel de Abreu, 64 anos, enche o peito de alegria ao relembrar de toda a sua trajetória como educadora. Aos 29 anos, era técnica em contabilidade quando optou por ouvir seu coração e decidiu ser professora de artes.

Foto OCP News Vale Europeu

Há exatos 35 anos, no dia 2 de abril de 1984, Izabel entrava pela porta da sala de aula da EBM (Escola Básica Municipal) Leoberto Leal, no bairro Salto do Norte, para fazer aquilo que ganhou o seu coração: lecionar. E quando alguém faz aquilo que ama, a chance de longevidade é grande. Atualmente, ela é a professora que está há mais tempo na rede municipal de Blumenau.

Sempre preocupada em passar o máximo de seu conhecimento para os alunos, em suas aulas mantinha a tradição de montar uma gincana onde os estudantes pudessem competir em grupos e aprender entre si. Até que em 2015, a grande ideia da turma surgiu: por que não expandir o método para a escola inteira?

“Os alunos têm atitudes maravilhosas! Conversamos com a direção a respeito desse projeto, foi aprovado e a partir dali tivemos a gincana estudantil todo ano. Essa atividade acontece com a participação e a ideia de todos eles”, relata Izabel.

Para ela, não existe nada melhor do que poder fazer aquilo que gosta.

“Muitos falam e questionam sobre a falta de respeito nas salas de aula. Problemas sempre existiram, a única diferença é que hoje em dia a divulgação é muito maior. Porém, aqui as coisas boas que acontecem são muito maiores do que as ruins”, afirma.

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Ao longo de sua carreira, sempre deu aos alunos a possibilidade de serem ouvidos. Izabel relembra com carinho e entre boas risadas quando levou para a sala de aula o conceito natureza-morta com pinturas de frutas de plástico. Foi neste momento que um de seus alunos a questionou.

“Lembro quando ele olhou para mim e comentou que isso era algo muito 'palha' e perguntou por que não trazemos comidas de verdade, desenhamos e depois comemos todos juntos?”. Foi assim que, desde então, os alunos aprendem e ainda contam com um delicioso café colonial como forma de recompensa pelo seu esforço e dedicação.

Somente neste ano, a professora terá a missão de ensinar 19 turmas e centenas de estudantes. Certamente, terá novas histórias e aprendizados que se somarão às lembranças do passado. E os momentos inesquecíveis são tantos, que ela não se arrisca em dizer o seu preferido.

“Se eu for falar do passado, não sei dizer qual é o melhor, pois cada um tem o seu detalhe que me cativa. Tem momentos ruins assim como qualquer área, mas no final tudo feito por amor vale a pena.”

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