Reportagem de Dyovana Koiwaski para o jornal O Correio do Povo.

Pela quarta vez, o Grupo de Câmara da Scar saiu de Jaraguá do Sul rumo a uma turnê internacional ao meio-dia de ontem (17). Após mais de 14 horas de viagem desde o embarque em São Paulo, os 36 integrantes e três acompanhantes chegam nesta quarta (18) para a primeira apresentação na cidade de Dedemsvaart.

Serão três concertos na Holanda e 12 na Alemanha, passando por oito cidades diferentes no interior dos países europeus. Na hora da partida, na manhã de ontem, familiares e integrantes da orquestra compartilhavam a ansiedade e emoção pela experiência cultural, que terá 21 dias de duração.

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Fundador do Grupo de Câmara, o maestro Ricardo Feldens explica que a viagem é uma forma de motivar os jovens a participarem das atividades musicais. A primeira viagem aconteceu em 1999. “Eles têm a oportunidade de conhecer outras culturas, trocar conhecimento. Depois das outras turnês, a frequência dos alunos melhorou muito”, frisa Feldens.

Experiente, o maestro organizou as turnês através de seus contatos com músicos internacionais. Os integrantes ficam hospedados em casas de famílias europeias, em sua maioria instrumentistas ou cantores religiosos. “Fazemos amizades lá e essas pessoas que nos cederam a estadia também vêm para cá”, explica.

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Maestro Ricardo Feldens explica que a viagem motiva dedicação ao instrumento. Músicos partiram na manhã de ontem (17)

O repertório da orquestra inclui músicas brasileiras, sul-americanas, temas de filme e canções sacras. Conforme a contrabaixista Bárbara Saturnino, a ideia é apresentar aos holandeses e alemães músicas que eles não conheçam. A aluna viajou pela primeira vez para fora do país em 2012, com a orquestra.

“O interessante é que estamos indo com um objetivo, não apenas para ‘turistar’, vamos representar nossa cultura”, relata. Bárbara iniciou a carreira no Femusckinho de 2009, entrando no Grupo de Câmara no ano seguinte.

Pai da violinista Letícia, Maurício Ferreira fala que a viagem traz uma mistura de sentimentos aos familiares que ficam em Jaraguá do Sul. “Vamos ficar com saudades e preocupados, mas também empolgados pelo sucesso e experiência deles”, observa.

Letícia está indo pela segunda vez como música do grupo e está animada porque mais cidades serão visitadas, com maior inclusão de passeios turísticos. O tempo de permanência médio em cada residência será de três dias. Na mala, ela também deu uma atenção especial aos casacos e blusas de frio.

“Estamos acompanhando as temperaturas por lá e estão bem baixas. Tenho dois casacos mais pesados, um moletom e roupas de lã”, comenta.

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A orquestra conta com violino, viola, acordeon, violoncelo e contrabaixo. Há dez anos no grupo, Kamila Klein estava mais ansiosa do que nos outros anos para a viagem. “Quanto mais adulto você é, mais ciente ficamos da importância dessa turnê para nossa carreira”, afirma.

Além do contato com uma nova cultura e toda a experiência adquirida, a violinista Ellen Baumgarten aponta a qualidade acústica dos ambientes como diferencial dos palcos europeus.

A verba para a turnê foi arrecadada com eventos promovidos pelos músicos, como uma feijoada, venda de cachorro quente e pastéis, e concertos com cobrança de ingresso.

Doações de pessoas físicas também contribuíram para fechar as contas. Cada integrantes foi responsável por pagar sua passagem aérea.