Fundada há mais de 60 anos, a Sociedade Cultura Artística (Scar) passou por mudanças em seu estatuto, implantando a governança corporativa e buscando o profissionalismo na gestão. Com isso, a instituição alterou seu organograma e está ainda mais voltada à sustentabilidade.  Foram criados cinco níveis de governança corporativa, que são Assembleia Geral, Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal, Conselho Administrativo e Diretoria Executiva. De acordo com a diretora executiva da Scar, a administradora de empresas e especialista em projetos culturais Edilma Lemanhê, quando Udo Wagner – presidente da entidade por oito anos – deixou o cargo é que surgiu o assunto governança corporativa, embora nada estivesse formatado ou decidido na época. “Tudo isso começou com a vontade da Scar de ir para o futuro. O pensamento era: ‘Chegamos até aqui, temos um passado muito bacana, estamos num presente bacana, mas, para onde a gente quer ir? O que a gente quer da instituição?’. E para responder essas perguntas a gente começou a se fazer várias indagações: ‘Qual é a nossa evolução? Está bom do jeito que está? A gente não quer ir pra frente?’”, revela. Segundo Edilma, foi a partir daí que o tema passou a ser debatido com frequência. A diretora explica que a governança significa que a Scar está pensando no futuro de forma profissional, de maneira que os investidores possam investir com segurança, com controle, havendo confiança na instituição. A exemplo das grandes empresas, como WEG, Duas Rodas e várias outras da região, que trabalham com governança corporativa, a Scar também passou a implantar esse esquema de gestão, que, conforme a administradora, é muito mais cultura do que seguir um modelo. “É muito mais cultural, é muito mais você querer administrar com muito controle de gestão, com muita transparência em todos os seus processos e com muito pensamento estratégico. Então, não existe uma fórmula”, enfatiza. Segundo Edilma, a governança corporativa deve se moldar à empresa. E, como a Scar é uma instituição cultural, com certeza vai ser diferente dos demais negócios de outras áreas. A administradora revela que, em 2017, a Scar passou por etapas de mudança de estatuto e de mudança comportamental, mas que o processo da governança é que vai durar para sempre. “Ele não acabou. Ele é um processo comportamental, cultural, faz parte do cotidiano. E não é só meu, é de todos os funcionários, é de todos os professores... Vai perdurar pela vida, o que representa a nossa preocupação com a perpetuidade da instituição”, garante. Para Edilma, que formou-se em Governança Corporativa pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) no ano passado, a razão de existir da Scar é a cultura, mas a cultura precisa ser sustentável. Por isso a necessidade de se modernizar administrativamente. O prédio da instituição completa 15 anos em 2018 e, de acordo com ela, a estrutura nova e moderna precisa de uma administração condizente. “Nós não somos só um prédio, o principal são as pessoas. Essas pessoas precisam estar conectadas com os nossos anseios futuros”, enfatiza. Um dos processos da governança é instalar um Conselho de Administração, o que já foi feito por meio do novo estatuto. As diretorias, que agora são contratadas, e os profissionais possuem metas, estratégias, com um modelo de negócio para seguir. “Onde a gente vai buscar nosso futuro? É buscando essa resposta que estamos nesse processo de mudança total, para justamente estar feliz, aproveitando esse momento bom da instituição, que é quando temos que pensar além”, conclui.

A Scar estruturalmente

Classes de associados: fundadores, beneméritos, mantenedores e associados usuários. Dentro desses, é eleito um Corpo de Conselheiros Deliberativos, com 21 pessoas, que aprova as contas e elege o Conselho Administrativo. Em paralelo, há um Conselho Fiscal.
Conselho administrativo da Scar: Paulo Chiodini, Gilmar Moretti, Gabriel Sens, Monika H. Conrads e Giuliano Donini | Foto Eduardo Montecino/OCP
Os eleitos para o Conselho Administrativo na gestão 2018-2020 foram os empresários Gilmar Moretti (Escritório de Cinema), Monika Hufenussler Conrads (Duas Rodas), Gabriel Sens (Live!), Paulo Chiodini (Agricopel) e Giuliano Donini (Marisol). Gilmar Moretti, atuante na área cultural e na própria Scar há mais de 30 anos, foi eleito presidente.