Há quem diga que se trata de uma organização secreta pronta para dominar o mundo. Outros juram, de pé junto, que é uma religião que cultua Satanás… mas afinal, o que é, de fato, a maçonaria? Ela existe em Jaraguá do Sul?

Sim, ela existe no mundo todo. E para entender melhor como funciona e quem faz parte dela, fomos atrás de maçons jaraguaenses para explicar tudo sobre o assunto.

Conversamos com dois mestres maçons, de lojas (grupos) diferentes na cidade: Marco Antonio Piva de Lima, 60 anos, que é consultor jurídico-contábil aposentado, e Amauri Formigari, 46 anos, gerente de marketing. Os dois têm vasta experiência na maçonaria, com 38 e 11 anos, respectivamente.

Segundo eles, a maçonaria é uma entidade filantrópica universalista, humanista, que defende valores como a liberdade, a igualdade, a fraternidade, o aperfeiçoamento moral e os princípios democráticos, dentre outros.

Tem como objetivo reunir pessoas comprometidas com o bem comum e com a defesa das mudanças sociais positivas. Ou seja, é uma instituição ou sociedade - não secreta - que tem a função de escola, visando melhorar o homem através do estudo.

"Os membros buscam a melhoria interior através de estudos filosóficos, procurando ser pessoas cada vez melhores e, assim, influenciar pessoas do seu convívio e tornar a sociedade melhor", explica Formigari.

Mas além de se dedicarem aos estudos, os maçons também defendem a liberdade de pensamento e expressão, e lutam contra qualquer absolutismo. Acreditam que estar em reunião é como um laboratório, onde aperfeiçoam o ser, praticando a fraternidade.

Rosa dos ventos na entrada da sala de reuniões, representando os pontos cardeais, Norte, Sul, Leste e Oeste. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Marco Piva complementa que, mesmo assim, muitas pessoas ainda consideram a prática uma inimiga da religião.

“Isso é uma inverdade. Inclusive, um dos pré-requisitos para entrar na maçonaria é ter a crença em um ser superior. E pode ser Deus ou qualquer outra entidade divina, isso vai da fé da pessoa”, diz.

Eles explicam que os maçons lutam pelo progresso e a evolução do Brasil nos cenários político e econômico, trabalhando juntamente com outras organizações da sociedade civil. Em Jaraguá do Sul, por exemplo, existem maçons em várias entidades e diretorias.

"Um exemplo é o Observatório Social, que busca ajudar a controlar os gastos públicos. Normalmente é estruturado em conjunto com a maçonaria e isso pode permitir uma melhor gestão financeira da prefeitura", acrescenta Formigari.

Costumes mantidos pela história

A palavra “maçom” vem do francês e significa “pedreiro”. Leva esse nome, pois os primeiros membros eram construtores de catedrais e monumentos. Toda a tradição e os valores, que hoje a maçonaria prega, veio desses homens, na Idade Média, período que se estendeu do século cinco ao 15 (entre os anos 476 e 1453).

Nessa época, a construção era uma importante arte, admirada por todos. Os castelos e igrejas famosos que existem pelo mundo foram erguidos na Idade Média, por esses pedreiros, que tinham o segredo das grandes construções. Eles eram considerados uma classe importante naquela sociedade.

Os maçons eram considerados os mestres da construção na Idade Média. | Imagem Divulgação

Esses construtores eram conhecidos como pedreiros livres, justamente por não serem empregados e, sim, autônomos. Mas com a chegada da Idade Moderna (de 1453 a 1789), época das guerras e descobrimentos, os reis passaram a investir em frotas de navios.

"Nessa época, reis passaram a investir nas guerras e descobrimentos, no mercantilismo, aumento das suas frotas, não tendo mais como investir na construção de castelos, que eram as obras onde esses artistas da construção trabalhavam", explica Piva.

Com o tempo, esses pedreiros não tinham mais onde aplicar as técnicas das grandes construções, e eles foram obrigados a mudar de profissão.

Apesar das mudanças, os grupos continuavam se reunindo para conversar e trocar histórias nas tabernas, onde tinha comida e bebida. Foi uma questão de tempo para o grupo começar a aceitar pessoas de outros conhecimentos e profissões.

"No decorrer de 100 ou 200 anos o que era um conhecimento prático passou a ser teórico e, aos poucos, foi surgindo essa ideia de formar esses grupos", complementa Piva.

Os grupos maçônicos, espalhados pelo mundo, se organizaram pela primeira vez na Inglaterra, em 1717, quando foi fundada a Grande Loja de Londres. Ela se tornou uma associação superior que reúne e regulamenta várias lojas, nomeando a maçonaria mundial de especulativa.

O início em Jaraguá do Sul

A história da maçonaria na cidade iniciou em março de 1971, quando o presidente (Venerável Mestre) da loja ARLS Luz e Verdade 3ª de Joinville, Osório Campos, moveu esforços para a fundação da primeira loja na cidade. Naquele ano, em setembro, foi fundada e instalada a “7 de Setembro”.

Infelizmente, no ano seguinte, as atividades foram encerradas, devido à mudança de irmãos maçons da cidade, o que impossibilitou as reuniões. Os membros que restaram, voltaram a frequentar grupos em cidades vizinhas.

Jaraguá do Sul ficou sem reuniões até o ano de 1978, quando alguns maçons que frequentavam em outras cidades resolveram fundar a segunda loja "Obreiros de Jaraguá do Sul". E em 1979, foi inaugurado o primeiro templo da cidade, na casa de um dos membros.

Veja a linha do tempo do crescimento da maçonaria na cidade:

  • 1979: criação de um Triângulo (uma unidade menor que uma loja). As reuniões, inicialmente, eram feitas nos fundos da Pizzaria Casarão, onde hoje se localiza o Hotel Harbor Inn.
  • 1990: o grupo foi aumentando e em março daquele ano, nasceu a terceira loja, chamada ARLS Luz da Acácia, 2586.
  • 1993: deu-se início à quarta loja, com a criação de um triângulo, com apoio de maçons de cidades vizinhas, como Joinville.
  • 1994: o triângulo foi transformado na Loja Phoenix, 55.
  • 1995: foi fundada a quinta loja, que fechou em menos de um ano após sua fundação.
  • 1999: a sexta loja surgiu com maçons jaraguaenses, da segunda loja, que estava bastante grande. Ganhou o nome "Luz"
  • 2004: mesmo de obediências diferentes, as lojas Obreiros e Luz uniram forças para a construção de sua sede.
  • 2004: veio o sétimo grupo, chamado ARLS Fraternidade Jaraguaense.
  • 2005: a oitava loja. Chamada de ARLS Fraternidade Acadêmica Ciência e Artes. Foi idealizada por Marco Piva, com a ideia de uma Loja Universitária, visando aproveitar o potencial de estudantes e professores na região.
  • 2010: é fundada a nona loja, a ARLS Colunas de Jaraguá.
  • 2015: um grupo de maçons da cidade que ainda se reuniam em Joinville, lançaram a ARLS Luz e Integração.
  • 2016: a 10ª foi criada. Com o crescimento da maçonaria por aqui, decidiram por fundar uma nova loja que seguisse um rito diferente, e foi batizada de ARLS Obreiros da Fraternidade.
  • 2018: Fundação da SOMAR VI (Sociedade Maçônica Regional do Vale do Itapocu), entidade que vai congregar todas as lojas e ser o braço social da maçonaria na região, facilitando a comunicação e envolvimento com a sociedade civil.

Entrada de um dos templos em Jaraguá do Sul. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Além das lojas, a maçonaria jaraguaense conta ainda com as Sociedade Obreiros de Jaraguá do Sul, Sociedade Humanitas Jaraguaense e Associação Ciência e Artes como suas entidades civis de relações com a sociedade. Também existem a Ordem DeMolay e a Ordem das Filhas de Jó, entidades paramaçônicas de aprendizado para jovens e prática da filantropia.

Quem são os maçons?

No geral, os maçons brasileiros são homens autônomos de classe média, como advogados, médicos e trabalhadores em geral.

"Dificilmente pessoas como os artistas, grandes empresários ou políticos conseguem frequentar a maçonaria, por uma questão de agenda, pois exige esse tempo para se dedicar aos estudos e a frequência das reuniões", completa Piva.

Uma vez iniciado na maçonaria, a pessoa é considerada maçom para o resto da vida e será tratado como um 'irmão' em qualquer lugar do mundo. Aquele que se afastar por um tempo, poderá se 'regularizar' e voltar à prática, acabando com a lenda de que a pessoa que entra na maçonaria nunca mais pode sair.

Maçonaria em números

Jaraguá do Sul conta atualmente com oito lojas e quatro templos para reunião, cada um seguindo ordens diferentes. A maioria dos grupos se reúne semanalmente, mas alguns fazem reuniões quinzenais ou mensais. Veja os números na cidade, região, Estado e país:

  • Jaraguá do Sul: aproximadamente 220 maçons ativos (mais de 200 inativos que se afastaram das atividades);
  • Microrregião: cerca de 400 ativos;
  • Santa Catarina: em torno de 10 mil ativos;
  • Brasil: aproximadamente 220 mil ativos.

Simbologia maçônica

A maçonaria conta com diversos símbolos, que têm os mais diversos significados. Os mais conhecidos são o esquadro e o compasso, instrumentos usados pelos pedreiros desde a idade média. Conheça alguns dos símbolos e termos maçônicos e seus significados:

  • Símbolos

Avental: usado por todos os maçons durante as reuniões. Representa a pureza e a inocência. É branco para os aprendizes e companheiros. Para os mestres tem cores que representam diferentes graus.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Balandrau: é o traje típico maçônico usado por baixo do avental. É de cor preta, com comprimento abaixo dos joelhos, mangas largas e compridas. Tem o objetivo de padronizar as vestimentas, sem fazer distinção de roupas caras ou mais simples.

Compasso: é o símbolo do espírito, do pensamento nas diversas formas de raciocínio. É também considerado o instrumento de Deus para desenhar seus planos.

Corda de 81 nós: simboliza os laços de amor fraterno. É encontrada no alto das paredes dos templos, com duas pontas representando a justiça e prudência. A abertura na corda simboliza que a maçonaria está sempre aberta a novas ideias que contribuam para a evolução do homem.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Escada: liga o céu e a terra. Os três primeiros degraus representam os ideais: fé, esperança e caridade.

Esquadro: significa a retidão. Ao contrário do compasso, representa a matéria, o percurso correto que os membros devem seguir em busca da moralidade e do civismo.

Esquadro e compasso: é o emblema do Mestre Maçom. Contém uma letra G no centro, remetendo à geometria.

Símbolo encontrado na fachada de um dos templos maçônicos de Jaraguá do Sul. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Espada: muito usada nas cerimônias maçônicas para representar poder e autoridade. Um emblema dissipador das trevas da ignorância. É o símbolo da igualdade, justiça e da honra.

Fogo: o mais ativo e puro dos quatro elementos (terra, ar, água e fogo), uma fonte de energia.

Martelo/Malhete: simboliza força do trabalho e ordem.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Nível: emblema da igualdade e da irmandade entre os maçons. De forma fraterna, os maçons convivem como iguais, sem considerar profissão ou a riqueza de cada um.

Pentagrama: chama-se Estrela do Oriente ou da Iniciação. Representa o homem nos seus cinco aspectos: físico, emocional, mental, intuitivo e espiritual. Ao fundo, o olho que tudo vê, em alusão às ciências e à inteligência.

Piso xadrez: o pavimento em mosaico preto e branco fica sempre no meio dos templos, representa os princípios positivo e negativo, bem e mal, corpo e espírito. Também simboliza a união dos maçons apesar de suas diferentes cores e opiniões.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Triângulos: o triângulo tem três lados, assim como os princípios da maçonaria: fé, esperança e caridade. O triângulo retângulo representa a água; o escaleno, o ar; o isósceles, o fogo.

Termos

Constituição de Anderson: considerado o principal documento e a base legal da maçonaria.

Grande Loja: é uma confederação composta de no mínimo três Lojas Maçônicas que trabalham em um mesmo Rito Maçônico.

Grande Oriente: são federações ou confederações de, no mínimo, três lojas que não precisam trabalhar no mesmo rito. Apesar dessa diferença burocrática, é considerado sinônimo de Grande Loja.

Graus: na maçonaria existem três graus básicos: aprendiz, companheiro e mestre. E para conquistar esses graus, o maçom precisa estudar e evoluir. Assim que chega a mestre, o ele pode seguir e evoluir nos graus filosóficos, que vão depender do Rito praticado pela Loja em que ele é membro.

Irmão: como os maçons chamam uns aos outros. Entre eles é praticada a irmandade, na participação de um mesmo ideal baseado na amizade.

Lojas: grupo de pessoas - maçons - que se reúne. O nome 'loja' se refere aos alojamentos antigos dos pedreiros da Idade Média, onde descansavam e comiam, durante as construções.

Obediências/Potências: instituição maçônica ou órgão superior que congrega as lojas.

Ritos: conjunto de cerimônias e ensinamentos maçônicos. Os mais difundidos no mundo são: O rito de York, o Escocês Antigo e Aceito, o Francês ou Moderno, o Schröeder e o Rito de Memphis-Misraim. No Brasil se exercem todos esses, mas se destacam também o Brasileiro e o Adonhiramita.

Templo: local onde as lojas se reúnem. Baseado no templo de Salomão, da Bíblia - e foi importante para reunir o povo judeu em torno da religião e do rei.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Venerável: título concedido ao máximo dirigente de uma loja. O maçom que atingir esse cargo pode orientar de forma independente, atrelado apenas a preceitos e rituais para tomar suas decisões.

Dominação mundial?

Muita gente acredita que os maçons foram os responsáveis por mudanças expressivas no mundo. Mas Piva explica que todos são homens livres, com os mais variados tipos de crenças e ideias. No Brasil, por exemplo, na época da abolição da escravatura, muitos eram a favor, mas outros - fazendeiros - não concordavam, pois a eles interessava a mão de obra escrava.

"É importante dizer que a maçonaria não é um clube de santos e, sim, uma escola. Uma oportunidade de a pessoa aprender e ser alguém melhor. Se o cidadão ainda assim se tornar um mau elemento, não é culpa da instituição. Assim como na religião, é escolha de seguir os ensinamentos é do indivíduo", diz o mestre Piva.

Para o mestre Formigari, é importante que as pessoas não acreditem em tudo o que falam a respeito da maçonaria a menos que as informações venham de um membro. Ele também indica que para saber mais sobre o tema, podem ser acessados sites oficiais como o Gosc, o MRGLSC ou ainda o GOB, que são as três obediências regulares reconhecidas no Brasil.

Como entrar na maçonaria?

A história de que para entrar na maçonaria precisa de convite não é mentira. Na verdade, essa é a forma mais fácil. Se a pessoa for indicada por um mestre maçom, assim entende-se que ela tem potencial para fazer parte e evoluir com o grupo.

Depois de indicado, o primeiro passo é demonstrar interesse pela organização e entender como funciona. Mas antes de tudo, a pessoa deve ser isenta de qualquer tipo de preconceito e saber respeitar a opinião dos outros. Também é preciso gostar de leitura, para os estudos.

Além disso, é feita uma sindicância onde toda a vida do "candidato" é analisada e avaliada pela loja maçônica. São entrevistadas pessoas da família e analisadas questões penais.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Pessoas que não foram indicadas também podem entrar, mas o processo de averiguação é mais longo e aprofundado. O processo de quem é indicado dura de 3 a 4 meses, já de alguém que quer entrar por conta leva aproximadamente um ano.

"A pessoa precisa ter plena consciência do que é a maçonaria e ver se é o que realmente quer, e se vale a pena passar por todo um processo para se juntar ao grupo", explica Piva.

Religião x maçonaria

O embate entre maçonaria e a religião é histórico, se estendendo desde século 19. Muitas religiões ainda atacam a organização, fazendo acusações consideradas descabidas pelos maçons.

"Tudo o que estudamos é aberto a todos, está na internet, inclusive. O único 'segredo' são as cerimonias reservadas, as iniciações e as passagens de grau, só isso", explica Piva.

Os maçons acreditam que isso aconteça, porque além de ter o objetivo de esclarecer a humanidade, o frequentador pode acabar deixando de contribuir com a igreja para se dedicar à maçonaria.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Segundo Piva, as religiões que mais 'perseguem' os maçons são as pentecostais e a católica romana. Já a ortodoxa e as tradicionais evangélicas, como a luterana, não fazem nenhum tipo de ataque público à instituição.

Para ele, esse embate não faz sentido, pois um dos preceitos para entrar na maçonaria é acreditar num ser superior, independente de qual seja a crença ou o deus.

"A religião é uma coisa íntima e muito importante. Ter um sentimento e inspiração espiritual significa que você não é só carne. Se o homem não for sensível ao próximo, ele não terá capacidade de evoluir e trabalhar em prol da sociedade", complementa.

Formigari acrescenta que por ser algo desconhecido e não aberto para todos, acaba sendo sinônimo de preconceito ou passa a ser discriminado. Um dos fatos históricos marcantes para essa discriminação foi em 1738, quando o Papa Clemente XII emitiu uma bula papal considerando a maçonaria como uma “congregação suspeita”.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Na época, o pontífice proibiu todos os católicos de pertencerem a maçonaria sob pena de serem excomungados, fazendo com que a maçonaria viesse por anos sendo considerada como algo ruim. "Mas com os tempos modernos muita coisa mudou e hoje a maçonaria, que nunca foi uma sociedade secreta, e sim uma ordem discreta passou a ser reconhecida pelos seus feitos", diz o mestre maçom.

Ainda segundo ele, quem conhece um pouco mais sobre o assunto percebe que o que mais se usa dentro da maçonaria é a Bíblia, que para a maioria dos membros é considerada o livro sagrado ou livros das leis. Ele explica que nos ritos maçônicos teístas, as reuniões acontecem com a abertura da Bíblia.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

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A mulheres na maçonaria

Há muito tempo a maçonaria é conhecida como um "clube de homens", sendo criticada por diversas instituições e movimentos feministas no mundo todo. Mas muitos não sabem que existem lojas de mulheres maçônicas ou mistas (compostas por homens e mulheres).

Cerimônia do nonagésimo aniversário da Grande Loja Feminina da Romênia em 2012. | Foto Divulgação

Só que, infelizmente, essas lojas não são reconhecidas pela chamada "Maçonaria Regular", regulamentada e reconhecida pela Grande Loja Unida da Inglaterra. É ela quem determina as tradições, baseadas na Idade Média, quando a mulher tinha outro papel.

"Naquela sociedade, a mulher tinha o papel de ser mãe e cuidar da casa, e a maçonaria manteve a tradição de 'trazer para os seus canteiros de obra' somente homens", afirma Piva.

Mas apesar de não serem regulares, essas lojas femininas e mistas existem desde o século 18, quando surgiram na França, como forma de desmistificar uma ideia antiga e ultrapassada.

"Sempre digo que a maioria dos maçons ainda são conservadores. Quando deveríamos estar adiante da sociedade nesses aspectos, acabamos ficando para trás. Nós é que deveríamos provocar essas mudanças sociais, dar o exemplo, quebrar tabus e valorizar as mulheres. Mas tenho certeza de que uma hora isso vai mudar", diz Piva.

De acordo com Piva, mesmo assim o papel da mulher na maçonaria regular é importante, quando está junto de um homem maçom. Ela pode apoiar e a cobrar uma evolução do homem durante o processo de aprendizagem.

Em Jaraguá do Sul não existem lojas irregulares. A cidade de Joinville conta com uma mista e em Itajaí e Curitiba tem lojas mistas e femininas.

Maçonaria para jovens

Uma das condições básicas para fazer parte da maçonaria é ser maior de idade, mas isso não impede as crianças e jovens de também pertencerem à comunidade maçom. Existem algumas ordens especiais que são destinadas exclusivamente para os mais jovens:

  • Clube das Abelhinhas: para meninas de 7 a 10 anos, com objetivo de prepará-las para ingressar na Ordem Internacional das Filhas de Jó.
  • Ordem Internacional do Arco-Íris | Ordem Internacional das Filhas de Jó: para meninas dos 11 aos 20 anos.
  • Távola dos Escudeiros: para meninos, entre os 9 e 11 anos.
  • Ordem DeMolay: exclusivo para meninos entre 12 e 21 anos.

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E aí, a maçonaria era o que você imaginava? Conta pra gente! Nós adoramos conhecer e entender melhor como funciona esse grupo aqui na região.

 

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