Um dos maiores nomes do cinema catarinense, Zeca Pires constantemente voltou suas câmeras e seus estudos para as tradições, mistérios e encantos do lugar onde mora, Florianópolis. Porém, por mais de duas décadas ele labutou sobre um tema longe de casa, mais precisamente em Blumenau.

Os tempos do integralismo e do nazismo naquela região geraram seu 11º filme, o documentário “Anauê”, que será exibido em Joinville nesta quarta (23), às 20h, na Galeria 33. A entrada é gratuita.

Anauê, palavra de origem tupi que significa “você é meu irmão”, era um cumprimento integralista. Virou o nome do projeto, o mais difícil da longa carreira do cineasta.

Não apenas por causa da extensa pesquisa em documentos, fotos e filmes e das muitas viagens ao Vale do Itajaí, mas pela resistência dos moradores em falar sobre a época. As fortíssimas presenças integralista e nazista na região (como em todo o Sul do País) ainda é um tabu.

Ainda assim, Pires e sua equipe conseguiram vários depoimentos e registros que corroboram a resistência dessas duas correntes extremistas em Blumenau.

Falas de moradores, historiadores, filósofos e sociólogos são intercalados com imagens de arquivo cuja narrativa em primeira pessoa (Édio Nunes faz a voz do diretor) conduz o espectador. Fragmentos dos discursos de Getúlio Vargas e de uma entrevista de Nereu Ramos são reproduzidos nas vozes de Gringo Starr e Roberto Lacerda, respectivamente.

“Anauê” estreou no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) de 2017 e agora roda o circuito de festivais e salas de cinema fora do circuito comercial.

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