O documentário “Itapocu”, resumindo ao máximo sobre ele, é uma tentativa de registro de uma tradição secular num tempo em que tantas delas se foram junto com os detentores do legado. No caso, a prática é a do catumbi, manifestação religiosa que resiste bravamente em Araquari, no Norte de Santa Catarina, e é capturada no curta-metragem que tem pré-estreia neste fim de semana.

A sessão acontece no sábado (6), às 16h, na Igreja Nossa Senhora do Rosário, cuja capela foi construída dois anos depois do surgimento do Catumbi do Itapocu, em 1854. Itapocu é um pequeno distrito de Araquari e o único lugar no Sul do Brasil onde essa tradição ainda é cultivada, herança dos escravos que a instalaram numa região com predominância da colonização europeia.

O curta-metragem dirigido por André Senna, produzido e editado pelo joinvilense Marcos Serafim, resgata essa história e registra essa manifestação sincrética, surgida no século 19, que mistura dança, música e outros elementos afro-brasileiros.

Contemplado em 2016 no Prêmio Catarinense de Cinema, “Itapocu” tem um longo caminho pela frente após a pré-estreia deste sábado. Segundo Serafim, ao menos uma sessão acontecerá em Joinville, e outra está marcada para novembro no centro de Araquari. Também está sendo negociada uma sessão especial com uma grande rede exibidora. Depois ele passará ao menos um ano circulando por festivais nacionais e internacionais para então chegar à TV e à internet.