Foto: Cesar Castro

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Jaraguá do Sul abre a temporada cultural de Santa Catarina recebendo de 17 a 30 de janeiro estudantes, professores e regentes para uma agenda de 15 dias de música e encantamento.
A décima primeira edição do FEMUSC – Festival de Música de Santa Catarina promete movimentar Jaraguá do Sul com uma programação aguardada com interesse não só pela comunidade do município, mas de várias outras regiões do estado e até do País.
Idealizador e seu diretor artístico, o maestro-oboísta Alex Klein ressalta a qualidade dos inscritos, de 16 países, totalizando 700 participantes.
Mesmo com a situação econômica não tão favorável, Klein avalia que o número de 1.500 inscrições atingiu as expectativas, com destaque entre os destaques brasileiros para alunos de São Paulo e de Santa Catarina, com 105 participantes. Em termos de candidatos do exterior, a disputa por vagas foi liderada pela Colômbia, com 283 inscritos.
Foto: Divulgação Femusc
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Além dos pretendentes a vagas nas classes Intermediária, Avançada e ProMusc, dez quartetos se inscreveram para as 5 vagas, 21 para o núcleo das harpas e 96 para o canto lírico, comprovando o crescimento desta categoria no Festival. Há ainda os participantes do Femusc Jovem, dedicado a adolescentes que se iniciam na música, e o Femusckinho, uma colônia de férias para crianças de 6 a 12 anos, que junta atividades de lazer e ensino da música com o objetivo de despertar nos pequenos o gosto pela música.
Fora dos ambientes da SCAR, a programação do FEMUSC também se estende a várias séries de concertos na comunidade, no Shopping, Lar das Flores, igrejas e hospitais, além de ser levado a municípios da região.  “É uma agenda muito intensa. São oito grupos sinfônicos, dezenas de grupos de música de câmara, centenas de obras, todas com milhares de horas de ensaios já pré-agendadas em 50 salas de ensaio entre a SCAR e a Católica” diz Alex Klein, com entusiasmo.
Ao todo, incluindo os programas educacionais dirigidos à comunidade, como o Femusckinho e o FEMUSC Jovem, são 650 músicos de 6 a 85 anos produzindo música em 80 apresentações somente dentro da SCAR, e outras dezenas na comunidade, e ainda as master classes. “O FEMUSC 2016 está chegando com a mesma intensidade e eficiência já esperadas, com 10 programas de estudo ocorrendo simultaneamente, transformando Jaraguá do Sul em uma meca musical”, complementa.
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Foto: Divulgação Femusc
A abertura do FEMUSC, no dia 17, será feita pela Orquestra Acadêmica da UDESC, que é a Orquestra Residente no FEMUSC 2016, que estará lançando um novo CD.
Depois da abertura, a programação passa a concentrar atividades durante todo o dia. Além da série Grandes Concertos, que encerra às 20h30 a agenda diária, o festival oferece encontros orquestrais, noites dedicadas a ópera, e muitas outras apresentações de música de câmara com professores.
Os ingressos para abertura, no dia 17, estarão disponíveis na bilheteria da Scar no dia 15, dois dias antes da data do evento. Então já fique atento, pois este é método para a retirada dos ingressos para as apresentações.

Novidades no corpo docente

Um ponto alto da estrutura do FEMUSC é o corpo docente, formado por mais de 50 professores, a maioria com atuação no exterior.
Dentre eles o trompetista Martin Angerer, da Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera de Munique, e o violinista berlinense Simon Bernardini. Além deles, também retornam Leon Spierer, liderando a 4ª Sinfonia de Felix Mendelssohn, com a Orquestra Sem Maestro, e a soprano Ana Hasler para um recital de canto na abertura de uma nova série de concertos dedicada ao canto lírico. Outros nomes são o do violoncelista dinamarquês, radicado nos EUA, Hans Jensen, do violinista norueguês Ole Bohn, e do clarinetista russo Dmitry Limantsev, solista da orquestra do Teatro Bolshoi da Rússia.
Foto: Divulgação Femusc
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“Todos os anos”, explica Klein, “para todos os grandes festivais, os convites a professores são sempre um processo demorado. Estes artistas são ocupados, viajam muito, e dependem de consultas em agendas e licenças de suas orquestras para confirmar sua vinda. No FEMUSC não é diferente, e todos os anos este processo de confirmação de professores dura muitas semanas. Este ano, no entanto, uma semana após eu enviar o convite aos 55 professores do FEMUSC, já recebi confirmação de 46 deles, incluindo alguns que necessitaram solicitar licença de suas orquestras, como o trompetista Martin Angerer, da Orquestra Sinfônica da Rádio da Baviera em Munique, e o violinista berlinense Simon Bernardini”.
O diretor artístico destaca ainda a alegria diante da confirmação de Leon Spierer para mais um FEMUSC, desta vez liderando a 4ª Sinfonia de Felix Mendelssohn, conhecida como “Italiana”, com a Orquestra Sem Maestro. “Ao aceitar o convite para retornar ao FEMUSC, a soprano Ana Hasler também concordou em apresentar um recital de canto na abertura de uma nova série de concertos do FEMUSC, dedicada ao Canto Lírico. Para esta apresentação ela irá cantar o ciclo “Winterreise” (Viagem de Inverno) de Franz Schubert, um dos ciclos de canções mais conhecidos”.
Segundo Alex, ao aceitar o convite, o violoncelista dinamarquês Hans Jensen, radicado nos EUA, alegou que o FEMUSC “é tão impressionante e criou um ambiente tão acolhedor, que foi difícil voltar à vida normal em Chicago”. O violinista norueguês Ole Bohn considerou um “privilégio” ser convidado a voltar, e muitos professores mencionaram sentirem-se honrados pelo convite.

Agenda intensa durante duas semanas

Com a definição dos alunos selecionados e a confirmação de vinda de mais de 50 professores do Brasil e do exterior, a organização se dedicou à montagem da programação que mais uma vez concentrará estudos em várias classes de instrumentos, apresentações de concertos e recitais nos teatros da SCAR – Sociedade Cultura Artística, e apresentações em ambientes alternativos na comunidade, como praças, shopping, empresas, igrejas e outros espaços – todas com acesso gratuito ao público.
Foto: Divulgação Femusc
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Alex Klein lembra que além das aulas, os participantes do festival oferecem diariamente sete séries de eventos no Centro Cultural de Jaraguá do Sul, com capacidade de abrigar cerca de 2.000 pessoas. Estas atividades permitem ao público um encontro com professores, músicos profissionais e as estrelas ascendentes encontradas nos programas educacionais do festival.
Como é comum no FEMUSC a segunda-feira da primeira semana (dia 18) apresenta o Concerto das Nações, que reúne obras populares e típicas de países representados pelos alunos do Brasil, México, Costa Rica, Uruguai, Mongólia, Bolívia, Paraguai, Argentina e Colombia.
Na segunda-feira seguinte, dia 25, a noite é sempre dedicada a Heitor Villa-Lobos e sua influência na música brasileira. Este ano, a programação contará com a presença do celebrado professor e violonista costarriquenho Mario Ulloa, com uma obra de Albert Roussel (amigo de Villa-Lobos), e várias obras do compositor, como seu Sexteto Místico, Quarteto de Cordas no 1 e a Bachiana Brasileira no 5, para soprano solista e 8 violoncelos.
Nos dias 19, 20, 21, 26 e 27, o público assistirá os professores do FEMUSC em apresentações de música de câmara, em obras de Brahms, Dvorak, Shostakovich, Piazzolla, Schubert, e muitos outros, definindo a base qualitativa do ensino musical no festival.
No repertório do FEMUSC 2016 estarão obras como a Sinfonia no 4, de Felix Mendelssohn, Fantasia para Coral de Beethoven, a Segunda Sinfonia de Schumann, entre outras peças. O canto lírico ganha destaque também com mais apresentações: no dia 21 de janeiro, às 18 horas, a estreia do programa de ópera será “Dido & Aeneas”, de Henry Purcell, e no dia 29 nada menos que “Carmen”, de Georges Bizet, acompanhada da Orquestra do FEMUSC, do Femusckinho e do Coral.
Com direção do professor Gino Quilico, que encantou a noite de ópera de 2015 com a Cavatina Figaro, “Carmen” contará com a mezzo-soprano Juliana Taino no papel principal, e a direção musical da regente britânica Catherine Larsen-Maguire. Para aguçar ainda mais o público, Klein lembra que será possível ouvir uma palhinha de Juliana cantando duas árias de “Carmen” já na série Grandes Concertos do dia 21, onde ela também estará presente.
Outro evento sempre aguardado com ansiedade é a presença da Orquestra de Professores do FEMUSC no palco do grande teatro da SCAR. No dia 23, sob a regência do maestro e diretor artístico Alex Klein, a Sinfonia no 2, de Robert Schumann, e a obra “Sheherazade”, de Maurice Ravel, contará com a participação da soprano solista Celine Imbert, que em 2015 encantou a plateia. Habilmente conduzida pelo lendário violinista alemão Leon Spierer, a Orquestra Sem Maestro apesentará a 4a Sinfonia de Felix Mendelssohn, intitulada “Italiana”, dividida entre os dias 23 e 30 de janeiro.
Foto: Divulgação Femusc
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A Orquestra Mozart, projeto especial do FEMUSC que foca no ensino da interpretação de obras do período clássico, apresentará a Sinfonia no 33 de Mozart no dia 22, e a Fantasia Coral de Beethoven no dia 27, tendo como solista de piano o professor Alexandre Dossin.
Outros projetos especiais, como o Projeto Serioso, Grupo de Metais, a Orquestra de Violões, o Concerto das Harpas e a Camerata Promusc apresentando a Sinfonia no 88 de Josef Haydn, virão a público no Concerto de Gala do dia 28.
A Orquestra Sinfônica do FEMUSC, formada inteiramente pelos alunos avançados, apresentará “La Valse”, de Maurice Ravel, e o Choros no 10 de Heitor Villa-Lobos, este junto com o Coral do FEMUSC, no dia 22 de janeiro.
No Concerto de Encerramento, no dia 30, a Orquestra Sinfônica apresentará a 5a Sinfonia de Peter Tchaikovsky sob a liderança de Alex Klein.
Outro grupo apreciado a cada edição, a Banda Sinfônica do FEMUSC, liderada pelo maestro alemão Dietmar Wiedemann, se apresentando no domingo, dia 24.
Outra série é o Musicalmente Falando, sempre às 20h, uma espécie de receptivo ao Grande Concerto das 20h30 que reúne palestras diárias informais, apresentadas pelo diretor artístico Alex Klein, discutindo assuntos relativos à programação, incluindo conversas com os artistas.
Foto: Divulgação Femusc
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O Momento Springmann, evento diário às 19h no Pequeno Teatro da SCAR, reserva talvez a melhor representação da diversidade musical no FEMUSC, em 30 obras de música de câmara incluindo professores, profissionais e alunos avançados. Neste evento podem ser ouvidos todos os participantes do programa de Quartetos de Cordas, e obras onde professores e participantes dividem o palco, como o Quarteto de Ravel, no dia 23.
Novidade em 2015, a série Recitais de Câmara retorna com a intenção de absorver o excesso de público que comparece ao teatro da SCAR para os Grandes Concertos. Conforme Alex Klein, em 2016 esta série adquire identidade própria, e é a principal vertente de apresentações do Programa Profissional do FEMUSC – o Promusc – que reúne em Jaraguá do Sul 40 músicos provenientes de orquestras profissionais no Brasil e da América Latina. “Mais do que um consolo para o público que eventualmente não consiga ingresso para os Grandes Concertos, os Recitais de Câmara trazem apresentações de alta qualidade, de obras importantes do repertório erudito”, avalia Klein. A série é apresentada diariamente às 20h30 no Pequeno Teatro.
A série Piano Masters é dedicada a obras para o instrumento – solos e peças colaborativas e de câmara. As apresentações diárias às 18h na sala 201 este ano brindarão o público com obras de Chopin, Liszt, sonatas de Beethoven e importantes obras de Brahms, Schumann, Bach, Gnattali e muitos outros.
A série Violão Plus, tradicionalmente dedicada ao violão clássico e até 2015 realizada fora do Centro Cultural, este ano estará integrada aos concertos na SCAR com apresentações diárias às 19h no Piano Bar.
Outra novidade em 2016 é a inclusão da série Recitais de Canto Lírico, com apresentações diárias de obras para canto às 18h, na Sala de Exposições da SCAR, decorada de modo a melhor apresentar obras deste estilo musical. A série será inaugurada pela professora suíço-cubana Ana Häsler cantando a série de canções “Winterreise”, de Franz Schubert, e terá como ponto focal a apresentação semi encenada da ópera “Dido&Aeneas”, de Heny Purcell, dirigida pelo professor André dos Santos, que o diretor artístico define como um “jovem brasileiro que está revolucionando a ópera no Brasil após suas experiências nas principais casas de ópera de Paris e Los Angeles”. Diariamente, o público ouvirá árias de ópera, duetos, trios, quartetos, canções e música de câmara entre cantores participantes do programa de canto lírico do FEMUSC, muitos dos quais já atuando como profissionais em óperas no Brasil e América Latina.
Foto: Divulgação
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Aguardado pelo público principalmente infantil, o Zoológico Musical é presença obrigatória na agenda. Integrando-se a série Concertos para Famílias, o Zoológico Musical se mantém como atração nos sábados dois sábados pela manhã, com a Sinfonietta do FEMUSC dirigida pelo maestro argentino Norberto Garcia e sua “tropa” de músicos interestelares prontos para dominar o universo a bordo da sua nave, a OSNI – Orquestra Sinfônica Não Identificada.
Destaque ainda para a oportunidade que o FEMUSC dá ao público de ver de perto o processo educacional dos grandes mestres que formam o corpo docente do festival, nas duas quartas-feiras às 11hrs, no Centro Universitário Católica de Santa Catarina e no teatro da SCAR, quando as Master Classes abrem ao público a possibilidade de ouvirem aulas de professores com os melhores alunos do festival.
Confira a programação do Femusc clicando na imagem abaixo
programação femusc 2016
Foto destaque: Cesar Castro