Gostando ou não de futsal, não tem como negar o talento de Falcão, ídolo mundial que jogou por anos aqui em Jaraguá do Sul, defendendo a camisa amarela do time. Quem já acompanha a modalidade há algum tempo por aqui deve lembrar, foi em quadra jaraguaense que ele se tornou o melhor do mundo.
Em entrevista à Revista Veja, Falcão falou não só sobre a profissão e o futuro, como também lembrou da nossa cidade, citando como exemplo o projeto do Jaraguá Futsal, já que nós, jaraguaenses, temos a modalidade como tradição.

Veja parte da entrevista:

O time está com quase quatro anos e já conquistou muitos títulos. Sua meta é se consolidar em Sorocaba por muitos anos? A ideia é essa. O futsal ainda não se vende tão bem, mas tem um potencial muito grande: ginásios lotados, uma liga competitiva, boa audiência, grandes jogos. É um esporte relativamente barato e dá um retorno grande. Queremos que o futsal de Sorocaba fique marcado como aconteceu com o basquete, na época da Hortência, e se equipare às cidades tradicionais do futsal, como Jaraguá do Sul (SC) e Carlos Barbosa (RS).
E de onde surgiu esse seu faro para os negócios? Aprendi tudo sozinho. O fato de nunca ter tido empresário me ajudou bastante, sempre tive de discutir meus contratos. Posso sentar com qualquer empresário e mostrar o que estou pedindo e o retorno que posso dar. Tento sempre ser parceiro das marcas. Não é fácil montar um projeto, não é simplesmente somar os salários, tem viagens, custos de jogos, moradia, alimentação. Em Jaraguá eu já tinha certa liberdade para ajudar na formação do time. No Santos já foi uma gestão minha, que infelizmente acabou de forma inexplicável. Em Orlândia também já tinha um contato direto na gestão. Nunca me formei, mas pode ter certeza que alguém com dez faculdades não tem o conhecimento que tenho sobre como montar um time de futsal.
Qual projeto é mais benéfico para o futsal, o de cidades de interior, como Sorocaba, ou dos clubes tradicionais de futebol, como Corinthians? Os projetos nas cidades são mais duradouros. Sorocaba é grande, tem mais de 600.000 habitantes, mas, por exemplo, Jaraguá do Sul tem 150.000; Carlos Barbosa 40.000; Orlândia 40.000 – a cidade toda se envolve e o futsal vira a atração. Por isso, em duração e aceitação de projeto, funciona melhor no interior. O Corinthians é um caso à parte, porque sua torcida é fantástica e eles abraçaram o projeto desde o início. Mas esses clubes tradicionais de futebol só vão levar torcida ao futsal, vôlei e basquete se o time for muito bom, se for mais ou menos ninguém vai assistir. Mas sem dúvidas faltam mais times de futebol no futsal, porque traria mais mídia, repercussão e público.
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Considerado um gênio, que revolucionou a modalidade com sua ousadia e qualidade técnica ao longo de mais de duas décadas em quadra, Falcão está hoje com 40 anos de idade e continua sendo ídolo, marcando gols decisivos.
Mas ele concilia a vida de atleta, com a de administrador. Em 2014, o ala montou um time em Sorocaba e rapidamente transformou a cidade do interior paulista em uma espécie de capital do futsal no mundo na atualidade.
Falcão garante: seu faro para negócios é hoje tão afiado quanto sua perna esquerda. Plenamente satisfeito com o projeto do “time do Falcão” em Sorocaba, o camisa 12 também batalha por melhorias na Confederação Brasileira de Futebol de Salão (CBFS) – liderou os protestos que denunciaram a falta de estrutura e casos de corrupção na seleção e atualmente é uma espécie de embaixador da nova gestão.
E ele não tem dúvidas: o futsal, uma das modalidades mais praticadas do país, não soube se vender da maneira correta. Mas tem grande potencial, mesmo depois que seu maior expoente decidir parar de jogar  – o que não deve demorar muito para acontecer.
Fonte: Veja