Se há uma fruta que reina absoluta no cardápio de todos os atletas e de qualquer pessoa disposta a evitar as famosas e indesejadas cãibras, é a banana. Especialmente a banana nanica.

E existe uma boa razão para isso: ela é considerada o alimento com maior quantidade de potássio, arma poderosa contra as contrações musculares.

Mas, segundo um grupo de estudantes jaraguaenses do curso técnico integrado em Química do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) de Jaraguá do Sul, essa coroa tem tudo para ser de outra fruta.

Após uma pesquisa desenvolvida durante um ano por sete estudantes orientados pelo professor Juliano Ramos, o resultado aponta que o abacate pode chegar a ter até duas vezes mais potássio do que a banana nanica, variedade apontada na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (Taco) em primeiro lugar no ranking de alimentos com maior quantidade de potássio.

Trabalho árduo

Para chegar ao resultado, eles analisaram as quatro variedades de abacate mais comuns em Jaraguá do Sul e, embora o elevado teor de potássio tenha sido encontrado em todas elas: avocado, fortuna, fuerte e geada, a campeã foi a avocado.

Nela, a cada 100 miligramas da fruta são encontrados aproximadamente 600 de potássio. “Essa comparação leva em conta os dados que obtivemos e também as informações da Taco”, ressalta o professor.

Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

A estudante Beatriz Moretti destaca a imersão aos procedimentos ligados à química logo no início do curso como a principal dificuldade do grupo, que conta ainda com os estudantes: Gabrielli Bilck, Arthur Delmiro Lourenço, Joana de Almeida Zanetti, Aline Cristina Pellis, Nicholas da Gama Tanaka Guerreiro e Cauê Giovani Kauva.

“O mais difícil foi entrar de cara já na química. Estávamos na terceira fase e nunca tínhamos feito nada assim tão prático, pois as duas primeiras fases do curso são mais teóricas”, relembra.

Tabela incompleta

Além de fazer parte de uma descoberta, Beatriz explica que a pesquisa indica ainda que a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos, referência nacional, está incompleta.

“A Taco mostra apenas a composição do ‘abacate’, mas não diz em qual variedade foi feita a análise. Como nós investigamos quatro variedades da fruta, descobrimos que os valores do potássio, por exemplo, variam de acordo com a variedade”, finaliza.

Os estudantes jaraguaenses já apresentaram o trabalho de pesquisa no Seminário de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepei) e na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), eventos realizados no IFSC e agora, a intenção é publicar os resultados inéditos em revistas científicas.

 

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