A 12ª Feira do Livro de Jaraguá do Sul recebe hoje (15), a jovem escritora Ana Beatriz Brandão, de 18 anos, autora de pelo menos 20 livros, cinco deles já publicados.

No bate-papo, que acontece no Pequeno Teatro da Scar, às 19h, ela contará um pouco sobre a sua carreira e sobre o lançamento de “Sob a Luz da Escuridão”, pela Verus Editora, do Grupo Record.

O seu último sucesso “A Garota das Sapatilhas Brancas”, que entrou na lista dos mais vendidos da Veja na categoria infanto-juvenil, junto ao anterior, “O Garoto do Cachecol Vermelho”, serão transformados em um filme, que já está em fase de pré-produção.

Ana Beatriz concedeu entrevista exclusiva ao OCP News, onde fala de inspiração, apoio, bullying e a importância da literatura. Confira.

O primeiro livro nasceu como? Em que momento a história virou um livro?

Em 2012, estava em uma viagem com meu pai e tive um sonho muito maluco sobre uma menina que ia parar no mundo dos sonhos dela.

 

Quando voltei para casa contei para minha mãe, que me incentivou a escrever sobre ele, e foi assim que nasceu meu primeiro livro. Não tinha nada planejado, apenas comecei a escrever e no final acabei com uma série de quatro livros.

Quem foram apoiadores dessas histórias?

Meus pais são, sem dúvida nenhuma, meus maiores apoiadores. Sem eles eu não teria tido coragem para começar a escrever e, muito menos, para publicar meus livros. Devo tudo a eles!

Quais livros e escritores inspiraram essa jornada?

Muitos escritores me inspiram. Todo escritor é meio herói, sabe? Principalmente os nacionais, porque enfrentam muitas barreiras no mercado, o preconceito contra a literatura nacional é uma delas.

 

Admiro muito o Pedro Bandeira, Mauricio de Souza, Bianca Briones, Samantha Holtz, enfim, são muitos escritores que me inspiram a sempre me tornar uma escritora melhor.

Suas obras foram criadas na ânsia de viver uma outra realidade que não a bullying e isolamento, certo? O que você diria para quem sofre essa realidade?

Na verdade a escrita veio depois. No começo, quando sofria bullying na escola, minha mãe começou a me dar livros para que eu lesse no recreio e assim não me sentisse tão sozinha. Foi a partir daí que meu amor pela leitura aumentou, e, consequentemente, acabei me apaixonando também pela escrita.

 

Bullying é uma forma de agressão muito cruel. Quem é vítima se vê preso em um ciclo de violência emocional e, muitas vezes, não tem coragem de pedir ajuda. E o que eu digo sempre é que peçam ajuda, falem com alguém em quem confiam, você não precisa passar por isso sozinho.

 

Muitas vezes pode parecer que não tem saída, mas tem. Basta pedir ajuda a alguém. Eu fiz isso, falei com meus pais, comecei a fazer terapia, e com o tempo fui me reerguendo e me fortalecendo.

Para quem deseja colocar no papel uma história e está sem coragem, qual a dica que você daria?

Apenas escreva! Leia muito, escreva mais um pouco, pesquise bastante, e escreva. Acredito que muito mais do que talento, a escrita também depende da prática. Quanto mais se escreve, melhor escritor você se torna.

No livro "Sob a Luz da Escuridão", Ana Beatriz apresenta protagonistas poderosas, que lutam pela sobrevivência e conquistam o respeito do clã | Foto Divulgação

Ficção e fantasia são gêneros que estão em alta e atraem um público jovem. Qual a mensagem que você quer passar para seus leitores?

Eu gosto muito de mostrar mulheres fortes em minhas histórias, e também de abordar temas importantes de forma um pouco mais leve, como aconteceu em "O Garoto do Cachecol Vermelho", onde falei sobre a esclerose lateral amiotrófica, uma doença desconhecida e que precisa ser divulgada.

 

Já em "Sob a Luz da Escuridão", falo um pouco sobre política e o empoderamento feminino, com duas protagonistas poderosas e que lutam por sua sobrevivência, mas também para conquistarem o respeito do clã que fazem parte.

O que não pode faltar em um bom livro?

Uma mensagem. O leitor tem que terminar o livro e ter tirado dele alguma lição. Acho que isso que torna um livro especial.

O uso da internet e redes sociais têm mostrado a transformação da língua portuguesa e não necessariamente para melhor... Como você vê isso?

Na internet tudo é muito rápido, acho que foi isso que afetou a forma como as pessoas se comunicam. Eu acho que o maior problema hoje é a falta de interpretação do que o outro quer passar no que ele posta nas redes sociais.

 

Quem escreve pode querer dizer algo, e quem lê pode dar a interpretação que quiser. Talvez isso seja reflexo dessa "transformação". Por isso o incentivo à leitura é muito importante.

De que maneira as Feiras do Livro contribuem para mudar essa realidade?

Sou suspeita para falar, porque sou apaixonada por livros, mas acredito que as feiras aproximam muito as pessoas de quem está por trás daquelas páginas impressas nos livros.

 

Dá a oportunidade de conhecer os autores pessoalmente, novas histórias, desenvolver o gosto pela leitura de forma lúdica.

 

Além de aproximar as pessoas. Já fiz grandes amigos em Bienais e Feiras de livros. É um dos melhores passeios para se fazer com os amigos, família, ou sozinho mesmo.

Programação

Quarta-feira, 15

  • 8h30, 10h, 14h e 15h30 – Contação de histórias: “O Porquê das Coisas”, com Felícia Fleck (Florianópolis), no Grande Teatro
  • 8h30, 13h30 – 27º Concurso de Declamação de Poesias, no Pequeno Teatro
  • 19h30 – Bate-papo: “A sombra e a escuridão”, com Ana Beatriz Brandão (São Paulo), no Pequeno Teatro
  • 20h – Show: Mareike Valentin e banda (Blumenau), no Grande Teatro
  • 21h – Término das atividades

Quinta-feira, 16

  • 8h30, 10h, 14h e 15h30 – Contação de histórias: “Como Nasceu a Alegria”, com Cia.Carona (Blumenau), no Grande Teatro
  • 8h30, 13h30 e 19h30 – 27º Concurso de Declamação de Poesias, no Pequeno Teatro
  • 19h – Palco livre OCP, no Galpão da Leitura
  • 21h – Término das atividades

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