Só dois meses após circular com certa restrição pelo circuito exibidor comercial, o documentário “Para Sempre Chape” desembarcou nesta semana na Netflix. Torna-se, assim, um tanto mais acessível ao público, que pode conhecer e relembrar a trajetória do clube catarinense até o fatídico 28 de novembro de 2016, quando caiu o avião que levava o time, dirigentes, jornalistas e convidados para a Colômbia.

É um filme relativamente curto (pouco mais de 70 minutos), mas rico em material de arquivo e entrevistas. Começa com a fundação do clube, em 1973, e as dificuldades para se consolidar no profissionalismo; mostra o impulso ganho na década de 90 e as glórias nos anos recentes, quando teve ascensão fulminante no futebol nacional e chegou à final da Copa Sul-americana. Tudo isso intercalando imagens e depoimentos de dirigentes, jornalistas, ex-atletas e torcedores.

Como se pode imaginar, boa parte do filme é dedicado à tragédia que se abateu sobre a Chape. Vai da euforia (com a classificação) a dor mais profunda, refazendo as horas anteriores e posteriores a queda da aeronave – mas se atendo mais a verificar as causas do que em buscar culpados. Difícil não se emocionar com o luto de uma cidade inteira, ou marejar os olhos diante da dor implacável de viúvas e amigos que ficaram. Os quatro sobreviventes brasileiros do voo ganham recorte especial e são um alento numa terra arrasada por uma fatalidade monumental.

Curiosamente, o documentário passa reto pelo velório das vítimas para se concentrar na reconstrução interna da Chape, no que ganhou amplo apoio da comunidade e de outros clubes. Aliás, esse é um dos pontos nevrálgicos da narrativa pré-acidente e que é retomado no desfecho: como o clube de uma pequena cidade no Sul galgou degrau por degrau até protagonizar feitos improváveis, e, abatido por uma tragédia inigualável, tenta ressurgir das cinzas.  Mas, agora, com os olhos do mundo sobre si.