Raphael Rocha Lopes (E) e Gustavo Xavier de Camargo são especialistas em direito digital | Foto Eduardo Montecino/OCP News
Raphael Rocha Lopes (E) e Gustavo Xavier de Camargo são especialistas em direito digital | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Sendo uma fonte versátil, a internet é um meio que reúne milhões de utilizadores, de várias idades e culturas.

É nela que podemos nos conectar com pessoas de todo o mundo, porém é preciso ter cuidado com os riscos que ela também oferece.

No Dia da Internet Segura, celebrado nesta terça-feira (5), os especialistas em direito digital, Raphael Rocha Lopes e Gustavo Xavier de Camargo falam sobre o tema e dão dicas para a população se manter mais segura no ambiente digital.

Segurança pessoal

Raphael Rocha Lopes cita alguns pontos simples que afetam a segurança de uma pessoa no mundo da internet, como baixar arquivos de sites duvidosos, acessar rede aberta sem o mínimo de cuidado e aceitar o contrato de privacidade de aplicativos sem ter noção do que está escrito nele.

Gustavo Xavier de Camargo chama atenção para um assunto importante e que é bem recorrente no Brasil: utilizar a mesma senha para várias redes sociais e aplicativos. A possibilidade de roubar os dados de alguém que utiliza sempre a mesma senha é bem mais fácil, segundo o especialista.

Pessoas jurídicas

As empresas de todo mundo são alvos frequentes de ataques e vazamentos. Segundo Gustavo, no Brasil não existe uma cultura de segurança da informação, mas ele acredita que a lei de proteção de dados, aprovada em 2018, pode mudar esse quesito.

"Agora as empresas precisam ter uma política de segurança que olhe para a área digital", comenta.

O especialista afirma que para se manter segura, a pessoa jurídica precisa investir em mecanismos de sistemas robustos, ter base de dados criptografados, mas também é necessário focar na área humana, com o treinamento de pessoas.

"Não adianta contratar a melhor estrutura de segurança, se a senha do administrador é 1, 2, 3", explica.

Já Raphael diz que a segurança digital das empresas é representada por um tripé: atendimento da legislação, uma tecnologia robusta e uma equipe preparada.

Ele comenta que 40% das empresas já passaram por algum tipo de ataque ou vazamento e metade destas invasões teriam pessoas ligadas à empresa como responsáveis.

"Se departamentos nos EUA estão sujeitos a crimes digitais, quem dirá as empresas jaraguaenses", frisa.

Segurança infantil

É muito comum vermos pais proibindo seus filhos de andar nas ruas à noite, mas é difícil vê-los proibindo os pequenos de transitar na internet. Raphael diz que o mundo virtual é tão perigoso quanto andar sozinho na rua para uma criança.

O especialista afirma que os pais ainda não tem uma cultura de que a internet pode afetar a segurança de seus filhos. "Eles ainda enxergam esse meio como algo para entreter as crianças", destaca.

Internet segura busca conscientizar as pessoas e empresas sobre os riscos da internet | Foto Eduardo Montecino/OCP News

As redes sociais têm uma restrição de idade que pode ser facilmente burlada por uma pessoa. Basta que ela simplesmente minta a data de nascimento, por exemplo. Com isso, se torna muito comum ver crianças no Facebook, Instagram e afins.

Gustavo afirma que é dever dos pais colocar essa recomendação em prática, já que o exemplo, seja ele bom ou ruim, começa dentro de casa. "A proibição não é o melhor caminho, mas é necessário acompanhar a vida digital das crianças, pois elas são vítimas fáceis", afirma.

Pornografia

Quando tocamos no assunto crianças nas redes sociais, logo vem na cabeça que elas podem ser vítimas de crimes relacionados a pedofilia, mas a exposição nas redes sociais é algo muito maior, que afeta muitos adultos.

Os dois especialistas destacam que é muito importante não manter na memória do celular um arquivo que possa causar constrangimento a pessoa se ele for compartilhado por outras pessoas. E se uma foto cai em grupos de WhatsApp por exemplo, é difícil ser removido.

"A vítima não precisa necessariamente mandar para alguém para a foto ser compartilhada. Basta alguém roubar seu aparelho e ter uma foto intima nele", ressalta Gustavo.

Notícias falsas

Gustavo comenta que a disseminação de informações não verificadas é algo que muito importante e que pode ferir a democracia brasileira futuramente. Por isso ele detalha a importância de sempre verificar a fonte antes de espalhar algo.

"Infelizmente as notícias falsas são comuns e estamos indo para um caminho sem volta. Mas precisamos sempre verificar de onde vem aquilo", relata.

Raphael diz que as notícias não afetam só o poder de informação das pessoas, mas ultimamente estão sendo utilizadas para golpes. "E os brasileiros se tornaram vítimas fáceis para esses ataques", completa.

Leis de proteção

Os especialistas afirmam que o uso indevido da imagem de uma pessoa online é passível de pena. "Não dá para a gente achar que a internet é terra sem lei", diz Gustavo.

Ele também comenta que outros países estão mais preocupados na questão de cultura de proteção de dados.

O especialista relata que antigamente demorava mais para espalhar algo, mas hoje é muito rápido e toda essa complexidade precisa ser entendida por todas as pessoas, não importa a profissão ou estilo de vida.

A Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina (ABRH-SC) fez um e-book justamente para O Safer Internet Day (Dia da Internet Segura). Clique aqui e veja.

 

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