A produção audiovisual joinvilense ganha mais um item nesta segunda-feira (25). Trata-se do curta-metragem “Receita de Amor”, de Ebner Gonçalves, fotógrafo e responsável por documentários como “1951” e o curta “A Noiva de Tarantino”, entre outros títulos locais. Patrocinado pelo mecenato municipal, o filme será exibido no Cine Uniplex do Shopping Cidade das Flores em duas sessões a partir das 21h15. Os ingressos são gratuitos, mas sujeitos à lotação.

Além do elenco com figuras da cidade, como Cristiano Nagel, Fernanda Arruda, Stephano Kuchiminski e a apresentadora Fabiola Bernardes, o curta traz dois rostos conhecidos do público: o da atriz joinvilense Claudiane Carvalho, atualmente na novela “As Aventuras de Poliana”, no SBT; e o de Flávio Galvão, de extenso currículo de novelas, filmes e peças, e agora também comentarista político na TV Cultura.

Na trama, Ângela é uma mulher recém-separada, com uma filha adolescente e em dificuldades financeiras. Encorajada por um programa de TV, grava um depoimento para a internet, sem saber que estava ao vivo. Ela vira celebridade instantânea e vê sua vida mudar. Ao mesmo tempo, engata um relacionamento com o dono do apartamento em que mora.

Orelhada conversou com Claudiane Carvalho, que tem em “Receita de Amor” sua quinta experiência no cinema (são quatro curtas e um longa-metragem). O filme marca também seu reencontro com a cena cultural joinvilense, da qual se despediu em 2003, ano da mudança para São Paulo e da última apresentação da peça “A Casa de Bernarda Alba”, da Cia. de Teatro de Repertório da Univille.

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Que tal fazer cinema? É muito diferente do teatro ou da TV?
Claudiane  Carvalho - Depois do teatro é a melhor linguagem pra um ator trabalhar. Tem tempo de preparo, o cuidado com a construção dos personagens e das cenas é maior. É uma obra fechada, então você sabe toda a trajetória da personagem, as nuances que pode ter ao longo de cada cena, a curva dramática. Além de tudo, o cinema é uma obra que eterniza uma história e o trabalho do ator nessa história que conta e desvenda a condição humana, tão precária e sublime ao mesmo tempo. Essa contradição que é o desafio para o trabalho do ator no teatro, na televisão e no cinema.

 

Você tem acompanhado as artes dramáticas em Joinville?
Claudiane - Tenho sim, mas gostaria de acompanhar mais. Tem atores talentosíssimos em Joinville. Amo o trabalho do pessoal do Dionisos, a Andréia e a Clarice são atrizes incríveis. Também sou uma admiradora há tempo do talento, inteligência e garra da Ângela Finardi, uma grande amiga.

 

O que fez você aceitar o convite do (diretor) Ebner Gonçalves?
Claudiane - A história me chamou muito a atenção e a seriedade e dedicação do Ebner. E foi muito emocionante. A equipe toda foi de um profissionalismo absurdo. Todos muito feras. O clima no set era muito agradável. E estar na nossa terra fazendo cinema com tanta qualidade foi um presente dos deuses.

 

Você é bem atuante nas redes sociais. Essa questão abordada no filme, das celebridades digitais  instantâneas, lhe assusta de alguma forma?
Claudiane - Me assusta! (risos) Tenho um pouco de receio dessa exposição toda. Mas temos que estar ativos nas redes, não tem jeito. Penso que tudo tem de ter um equilíbrio, o bom senso.

 

Me parece que o curta aborda um tema inerente ao universo feminino, o da sociedade que exige que a mulher tenha de dar conta de tudo ao mesmo tempo – ser boa profissional, mãe, dar conta da casa, estar sempre linda e forte...
Claudiane - Sim, exatamente, é isso mesmo. É a história de uma mulher muito forte que consegue dar a volta por cima. Acredito que muitas mulheres vão se identificar com ela.