Há mais de trinta anos, a cidade de Blumenau realiza a Oktoberfest. O evento projeta Santa Catarina para o Brasil e o exterior e recebe patrocínios desde bancos até o Governo Federal. O que fica de fora da divulgação da festa mais alemã das Américas é o assédio que as mulheres sofrem todos os anos.
Isso vai desde cantadas grosseiras, passadas de mão e até estupros. São situações consideradas tão corriqueiras quanto o chope, atração principal do evento. Ou eram, até o ano passado, quando mulheres da cidade se mobilizaram pela primeira vez na campanha Oktober Sem Machismo.
Pelo segundo outubro consecutivo, a capital do Vale do Itajaí amanheceu colorida de lambe-lambes no dia da abertura do evento. As imagens espalharam o recado das mulheres pela cidade: machismo e misoginia não são sinônimos de festa.
14494664_1145579472205422_1101915602161522681_n
Na página da campanha no Facebook, a blumenauense Carolina Ignaczuk conta que foi assediada antes mesmo de entrar na Vila Germânica, parque onde ocorre a Oktober. “Um cidadão me agarrou pela cintura e não queria me soltar. Lá dentro, a coisa só piorou, com beijos sem permissão, caras pegando na gente sem parar”, relatou.
A fanpage da campanha recebeu mais de mil curtidas apenas no primeiro dia em que foi criada em 2015, o que demonstra o apelo que o assédio gera entre as participantes da festa. As organizadoras procuram empoderar as meninas que participam da festa, oferecendo suporte e viabilizando a organização de idas coletivas à festa.
Além das situações recorrentes de machismo, a campanha surgiu como resposta à propaganda da cerveja Schin, patrocinadora da Oktober no ano passado. O comercial de TV mostrava quatro homens que encontravam várias mulheres ao passear pela cidade, todas conforme o padrão de beleza das tradicionais rainhas da Oktoberfest. O vídeo encerrava com uma piada de conotação sexual. Diante das críticas e da pressão popular, a propaganda foi tirada do ar e o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deliberou pela suspensão definitiva após mais de duzentas denúncias feitas contra a peça machista.
Fonte: Catarinas