É difícil chegar na casa de um brasileiro sem dar de cara com um cachorro pulando nas pernas e pedindo carinho ou avistar um gato se espreguiçando em algum canto. Em 2013, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou que 44,3% dos domicílios do país possuem pelo menos um animal de estimação.

Uma pesquisa da GfK revelou que os cães são os campeões de popularidade e estavam presentes nos lares de 58% dos entrevistados, seguidos dos gatos (28%), aves (11%) e peixes (7%). Nesta conta entram também os pets exóticos que, apesar de não serem tão populares, chamam bastante atenção.

Esse é o caso de Safira, Pérola e Axinite, as três cobras que o jovem Rafael Stein, de 18 anos, cria em Guaramirim. Os animais vivem dentro de casa e são tratados como qualquer outro bicho de estimação: recebem alimento, muito carinho e até saem para passear de vez em quando.

A terceira cobra que Rafael cria em casa estava "indisposta" no dia em que as fotos foram tiradas | Foto Eduardo Montecino/OCP News
A terceira cobra que Rafael cria em casa estava "indisposta" no dia em que as fotos foram tiradas | Foto Eduardo Montecino/OCP News

As serpentes, uma da espécie Boa Constrictor Constrictor, a popular jiboia, e duas Pantherophis Guttatus, conhecidas como Cornsnake ou Cobra-do-Milho, vivem sob os cuidados de Rafael há cerca de três anos.

Rafael conta que a admiração por serpentes começou aos 13 anos e logo se transformou na vontade de ter uma em casa. "Sempre tive o apoio da minha mãe, mas lembro que no começo foi um pouco estranho e demorou um pouco até todos se acostumarem com a ideia", conta.

No Brasil, apenas empresas autorizadas pelo Ibama podem vender animais exóticos como as serpentes. "Elas são microchipadas e o documento necessário para ter uma serpente em casa é a nota fiscal de compra em um criadouro credenciado", explica Rafael.

Cuidados e alimentação

Assim como os cães e gatos, as serpentes também precisam se alimentar regularmente, mas exigem alguns cuidados especiais. "Elas comem a cada 14 dias quando são adultas e a cada 8 ou 10 dias quando são filhotes", afirma o jovem.

A jiboia é uma das serpente mais populares no imaginário brasileiro | Foto Eduardo Montecino/OCP News
A jiboia é uma das serpente mais populares no imaginário brasileiro | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Safira, Pérola e Axinite tem água sempre à disposição e ganharam ainda um local para se esconder da luz, já que são animais de hábitos noturnos. Elas também necessitam de uma fonte direta de calor, pois regulam sua temperatura corporal a partir da temperatura do ambiente.

Em geral, as serpentes são animais carnívoros que se alimentam desde pequenos insetos até mesmo outras cobras. "As minhas comem ratos de laboratório, conhecidos também como twisters", explica.

"Como tenho algumas matrizes vivas, os filhotes de ratos crescem, são abatidos e então viram alimento", conta. "Mas, na maior parte das vezes, já compramos o alimento abatido", emenda.

Troca de pele de uma das cobras de Rafael | Foto Arquivo Pessoal
Troca de pele de uma das cobras de Rafael | Foto Arquivo Pessoal

As serpentes passam boa parte do dia em seus respectivos terrários, mas saem de vez em quando para se "esticar". "Elas nunca fugiram, mas já aconteceu de eu acordar durante a noite por causa do barulho delas derrubando coisas de cima da escrivaninha", lembra.

Visitas ao veterinário também entram na rotina das serpentes. "Quando elas apresentam algum tipo de doença ou parasita, levamos em um especialista em animais silvestres e exóticos que atende em Joinville", conta.

Picadas de amor

Mesmo tratando as serpentes com todo carinho, Rafael não está livre dos botes. "Já fui mordido umas duas vezes", revela. "O susto do bote é maior que a dor da mordida", ri. Nenhuma das cobras criadas por ele possui presas que inoculam peçonha (veneno).

A dedicação do jovem com os animais é feita sem expectativa de retorno. "Não é característico das serpentes retribuir carinho, mas sempre encarei o meu amor por elas como uma forma de amar sem esperar algo em troca", reflete.

Serpentes vivem como membros da família | Foto Arquivo Pessoal

Os amigos e a família também aprenderam a respeitar e admirar as serpentes. "Boa parte das pessoas que entram aqui em casa saem com um pensamento bem diferente", se orgulha. "Muitas até levariam minhas serpentes com eles se eu deixasse", brinca.

Apaixonado pelas amigas de estimação, Rafael não pretende adotar outra serpente tão cedo. Os planos dele são de começar a estudar ciências biológicas. "Provavelmente só pegarei outra depois de me formar", teoriza.

O amor pelas serpentes é dividido com outro animal de estimação: o gato Perseu. "Ele tem medo e não costuma chegar muito perto quando estou com elas", afirma.

Negócio lucrativo

A venda de animais exóticos é um mercado que movimenta pequenas fortunas. No Brasil, apenas empresas certificadas pelo Ibama podem comercializar estas espécies.

Em uma das lojas autorizadas para vender serpentes online, o valor varia entre dois e seis mil reais e pode ser parcelado em até 10 vezes.

Os animais são enviados aos donos por meio de transporte aéreo.

Veja mais fotos das serpentes que o jovem de Guaramirim cria em casa:

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