Foto arquivo pessoal

Rafaela Mazzaro


As responsabilidades de Melina Mosimann justificam os passos apressados, a objetividade na fala e o olhar certeiro nas imperfeições. Ao mesmo tempo em que circula pelo Instituto Internacional Juarez Machado, do qual é diretora administrativa, orquestrando os preparativos para a inauguração da nova obra, é capaz de dar uma aula sobre períodos, peculiaridades e dados históricos dos quadros em exposição do artista com quem também divide a vida.
Melina trouxe o sonho do artista para a vida real. A missão de colocar em funcionamento um espaço que salvaguardasse a obra do joinvilense e oportunizasse que mais artistas, incluindo os jovens, pudessem encontrar o público caiu como uma luva para o espírito empreendedor e organizado da catarinense.
– A minha função é deixar o Juarez livre para criar, fazer com que os problemas cheguem para ele já com uma solução – conta.
Além da direção do instituto, cabe a Melina a organização da agenda pessoal e a gerência dos oito marchands responsáveis por negociar as obras no Brasil e no exterior. Na França, onde Juarez mantém residência, há pelo menos dois destes negociadores, na capital e na região Sul do país.
O lugar na linha de frente na administração nem passava pela cabeça do casal quando, de grandes amigos, viraram namorados. Filha de galeristas de arte, o convívio com artistas era frequente, tanto que a primeira lembrança de Melina relacionada ao pintor é de quando ela tinha apenas 9 anos. A menina se transformou na mulher independente e mãe dedicada que Juarez reencontrou décadas depois. A amizade evoluiu para um pedido do qual Melina não esquece as palavras:
– Quero viver uma deliciosa história de amor com você – ele me disse.
Metade dos 13 anos de relacionamento foi também de convivência profissional. Melina acompanhou as primeiras discussões sobre a viabilidade do projeto do instituto e foi tomando a frente do que era necessário para ver o sonho do namorado criar estacas. Melina participou de todas as etapas: restauração e transformação da casa da infância do Juarez para templo de memória do artista, construção de um galpão de exposições ao fundo, aquisição do terreno vizinho ao instituto e início da ampliação do espaço físico.– Nossa parceria foi construída muito naturalmente ­– conta.
O que era sonho de um só, agora faz parte de um desejo compartilhado entre o casal.– Fomentar o instituto virou um grande um projeto para mim – revela Melina, que vislumbra também a visibilidade nacional para a entidade sem fins lucrativos.

Mais espaço para obras

A ampliação do Instituto Internacional Juarez Machado, investimento avaliado em R$ 1,5 milhão, coloca o artista diretamente em contato com o público. Isso porque o galpão de exposições até então não previa uma mostra permanente do joinvilense. O espaço inaugurado em 2014 oferece um local adequado para artistas de vários lugares exporem, como forma de incentivar a produção artística e oferecer experiências diversas para o público de Joinville.
O novo prédio - que começou a ser construído em 2016 e será inaugurado com um grande festival de artes neste sábado (17), a partir das 11 horas -, pelo contrário, vem para atender aos admiradores do pintor, com espaço exclusivo para produções de mais de cindo décadas de carreira. Lá, o público pode conhecer o primeiro quadro pintado por Juarez Machado e trabalhos representativos de séries especiais que marcaram a trajetória do artista. Uma reserva técnica possibilita que mais obras dele permaneçam aos cuidados do instituto.
No piso inferior, as novas instalações ganharam uma cafeteria e, em breve, uma biblioteca artística. A casa onde Juarez morou quando criança deixou de abrigar a boutique com artigos exclusivos, que passou a dividir o salão do novo prédio com a cafeteria. No lugar, a residência histórica ganhou um atelier cenográfico que dá uma ideia de como é o ambiente de criação de Juarez em Paris.
O Instituto Juarez Machado fica na rua Lages, 994, bairro América. Funciona de terça a sábado, das 10h às 18h30, e domingos, das 15h às 18h30.  A entrada custa R$ 8,00 (gratuito toda quarta-feira, grupos agendados ou quem vier de bicicleta).
Foto Rafaela Mazzaro