Resgatar a cultura dos colonizadores germânicos é uma tarefa realizada com afinco pelo Centro de Cultura Alemã de Jaraguá do Sul, que ontem comemorou duas décadas de fundação. A entidade, que reúne em torno de 100 associados, tem um grande desafio pela frente: ampliar o quadro e despertar o interesse pelas suas origens étnicas nas novas gerações. A instituição se destaca na comunidade pela atuação do Coral do Centro de Cultura Alemão, que soma 45 cantores, sob a regência da maestrina Denise Mohr. Esse ano, teve o ingresso de mais cinco cantores. Para se manter, o corpo de coralistas recebe apoio da Duas Rodas Industrial. Além de estar à frente da entidade pela terceira gestão consecutiva, Ivo Oechsler, que é bisneto de imigrante e tem familiaridade com a língua dos antepassados desde cedo, atua como tenor no coral. Outra característica marcante do centro cultural é a grande procura pelo ensino do idioma dos antepassados na sede da rua Marina Frutuoso, que reúne 85 alunos. Divididas em turmas, as aulas acontecem uma vez por semana, com a duração de duas horas e meia, ministradas por três professores. Um dos fatores que justifica a alta procura pelo curso é a mensalidade, fixada em R$ 160, considerada mais acessível do que o valor médio cobrado por escolas de idiomas. “Hoje temos lista de espera que gira em torno de 30 pessoas, na faixa etária de 22 a 30 anos”, constata. A tradição também é preservada com a tarde de jogos que acontecem aos sábados, uma vez por mês: “Nesse dia, os homens jogam skat (jogo de cartas trazido pelos ancestrais), e as mulheres, canastra”, conta Oechsler. “Temos a preocupação de renovação, de atrair jovens, mas na própria Alemanha, ocorre o mesmo”, reconhece o dirigente. Para ele, falta em Jaraguá do Sul, “juntar todos os grupos de expressão cultural alemã e criar uma associação, para todos trabalharem com um objetivo comum, inclusive em projetos”. Ivo reconhece que a entidade não disponibiliza site, nem nenhuma página em rede social, mas não descarta a possibilidade, para captação de mais associados. CASA CENTENÁRIA FORTALECE AS RAÍZES DO PASSADO A centenária casa enxaimel localizada no número 1070 da rua Marina Frutuoso remete aos tempos da imigração e suas paredes estão impregnadas de história. As flores do jardim e os pássaros criam um cenário bucólico, ambiente perfeito para sediar o Centro de Cultura Alemã de Jaraguá do Sul. Localizada em uma área de 1.865 metros quadrados, com cerca de 90 metros quadrados de área construída, a sede chama a atenção de quem passa e cria uma atmosfera nostálgica, fortalecendo as raízes deixadas pelos colonizadores. O presidente do Centro de Cultura Alemã, Ivo Oechsler, lembra que a casa, originalmente pertencente à família Horst, foi transportada e remontada no endereço atual em 2005. “É a casa mais antiga de Jaraguá do Sul, construída em 1893”, conta, enquanto aponta a marca deixada em uma das madeiras de sustentação da fachada. O interior da edificação dispõe de ambiente amplo, que abriga a secretaria, biblioteca e espaço para reuniões. A casa também dispõe de três salas de aula, cozinha e banheiro. Nas paredes dos cômodos, quadros e cartazes reproduzem a terra dos antepassados e mensagens bilíngues. “A nossa biblioteca já teve mais de mil livros, mais hoje, depois das enchentes de 2008 e 2014, temos uns 400 livros, romances e didáticos”, calcula Ivo. A maior parte do acervo é composta por obras doadas pelas famílias dos associados. Parte das obras foram destinadas ao Arquivo Histórico Eugênio Victor Schmöckel. “Manter a cultura é estar ligado na nossa história. Quem não tem passado, não terá futuro.”
Maior parte do acervo da biblioteca é composta por obras doadas pelas famílias dos associados | Foto Eduardo Montecino/OCP
SERVIÇO O quê: Centro de Cultura Alemã de Jaraguá do Sul. Onde: Rua Marina Frutuoso, 1070. Atendimento ao público: Segunda a quinta-feira, das 17h às 21h. Telefone: (47) 3371-1825 Por Sônia Pilon | O Correio do Povo