Quantas vezes você já ouviu aquela famosa frase “vá se benzer”, após desabafar sobre os inúmeros problemas rotineiros? “Isso aí é mau olhado”, “sua criança não dorme direito porque tem quebranto (ou quebrante)”, são inúmeros os casos em que aqueles que acreditam recorrem a alguma benzedeira.

BENZEDEIRA, O OFÍCIO

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Foto: Brasil Conjure
Os autores Lucio Boing e Marco Antonio Stancik afirmam que as benzedeiras e o ‘benzimento’ sugiram no Brasil através da confluência das formas de curas europeias com aquelas praticadas pelos nativos e pelos povos africanos escravizados. Na Europa, as pessoas recorrem a ‘benzimentos’ desde a idade média.
Para quem não conhece, as benzedeiras são pessoas que receberam ensinamentos de seus antepassados sobre orações, ervas e simpatias, os quais são utilizados para curar àqueles que acreditam em suas preces.

A HISTÓRIA DE DONA MARIA ISOLDE

Conhecidas pelo marketing do “boca a boca”, benzedeiras encontram-se espalhadas pela cidade, e são populares por ouvirmos sempre falar que “eu fui lá e deu certo”. Mas você conhece a história de alguma delas?
Pois bem, lhe apresentamos a Dona Maria Isolde, benzedeira que mora em Corupá.
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Dona Maria Isolde é benzedeira há 40 anos. Crédito: Isabel Debatin.
A história dela como benzedeira iniciou há 40 anos, com os ensinamentos que adquiriu na Pastoral da Saúde, e quando duas pessoas muito importantes para ela afirmaram que deveria seguir o dom que tinha. Uma delas o avô, que também tinha o dom do benzimento. “Quando eu tinha 11 anos, meu nono me chamou e disse que iria me ensinar a benzer. Ele me ensinou a orar em italiano, e mais tarde quando ele tinha 80 anos, me disse que eu tinha esse dom de Deus, foi quando eu traduzi as orações e segui o meu dom, eu não queia perder essa fé que meu nono tinha”. O incentivo também veio através do Pe. Aloísio “ele é um verdadeiro santo, me ajudou muito”, afirma Maria Isolde.
As orações que são feitas durante o benzimento são retiradas da Bíblia Sagrada.
As orações que são feitas durante o benzimento são retiradas da Bíblia Sagrada.
Segundo Maria Isolde, ela é muito procurada por pessoas que tem problemas de saúde, que buscam por paz na família, soluções para relacionamentos amorosos e mau olhado. E ela afirma que todas as orações utilizadas são tiradas da Bíblia Sagrada, a palavra de Deus. “Tem dias que eu chego a rezar oito salmos, específicos para cada caso. Eu paro pelo menos três vezes por dia para rezar”, explica.
Para ela, quando recebe pessoas que tem fé, que saem da casa dela com esperança e depois até voltam para agradecê-la, o melhor sentimento que ela poderia sentir é a gratidão. “Me sinto muito orgulhosa e tenho vontade e sorrir o tempo todo, é lindo ver a fé das pessoas”, completa emocionada.
Para Dona Maria Isolde a fé é o que cura as pessoas que a procuram. Crédito: Isabel Debatin.
Para Dona Maria Isolde a fé é o que cura as pessoas que a procuram. Crédito: Isabel Debatin.
Como ela recebeu os ensinamentos do avô, além da mãe e da sogra que também eram benzedeiras, agora ela está passando os ensinamentos para uma de suas filhas. “Essa fé não pode acabar, e minha filha faz questão de continuar o que eu comecei, de aperfeiçoar esse dom, e eu fico feliz por isso!”
Crédito: Isabel Debatin.
Crédito: Isabel Debatin.
Ao ser questionado sobre como ela se sente em poder ajudar quem acredita no que ela faz ela afirma:“O que eu faço é o eu sou, e a verdade não se esconde. Tudo que eu falo e que eu faço está na palavra de Deus, ele é o poder eu só sou o instrumento dele”.
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Fonte: BOING, L.; STANCIK, M. A.; Benzedeiras e benzimentos: Práticas e representações no município de Ivaporã/PR (1990-2011). Ateliê da História UPGE, 2013.